28 de julho de 2010

A ELEIÇÃO BÍBLICA (PREDESTINAÇÃO)

Mas os que... estão se entregando a Jesus... podem ouvir a voz que pronunciará a bênção: "Vinde, benditos de Meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Mat. 25:34. Esta é a predestinação divina. ... Foi preparada para toda pessoa que queira obedecer a Deus e trabalhar de acordo com os planos de Cristo, porque quando receberem o tesouro da recompensa celestial, participarão da alegria do Senhor, uma vez que sua alegria se achava repleta da alegria de Cristo, que consistia em ganhar pessoas para o Salvador. Manuscrito 43, 1894.
1. A que nos admoesta o apóstolo Pedro?
Rª: “Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” 2ª Pedro 1:10.
Nota: Claramente o apóstolo Pedro entendia a posição central de Cristo para efectuar a salvação do homem; mas desejava que os crentes compreendessem a sua responsabilidade pessoal em cooperar com o poder divino. Por isso insta “procurai” (Gr. spoudázo), esforçar-se, colocar todo o empenho. O apóstolo não diz que aquele que segue o seu conselho nunca cairá em pecado, mas que não cairá da vocação e eleição de Deus. Certamente pessoas simples e sem poder, mas triunfadores em Cristo sobre o pecado; não cairemos completamente da graça e não perderemos a salvação providência, sempre que cumpramos as condições a que o apóstolo se refere (cf. 1ª João 3:6-9).
2. Que advertência de Cristo ensina a mesma verdade?
Rª: “Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”
Nota: Foram preparadas coroas para cada um dos que foram afinal redimidos. Toda a alma é um candidato na corrida para alcançar a vida eterna, e assim, uma coroa. Fé em Jesus, e perseverança até ao fim, eis que a tornará garantida.
3. Sob que condição é prometida a coroa da vida?
Rª: “Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Apoc. 2:10.
Nota: Neste texto o que nos interessa é a última parte “Sê fiel”, a flexão do verbo traduz “continua a ser fiel”. Esmirna demonstrou que era uma igreja fiel. “até à morte” ou na sentença de morte.
Damos uma curta explicação sobre a citação: “uma tribulação de dez dias”. Este período de dez dias entra no contexto do princípio dia por ano (Dan. 7:25), como um período de dez anos literais, o qual se entende como o período de dez anos da terrível e cruel perseguição de 303-313 d.C. Diocleciano e o seu sucessor Galério, dirigiram durante esta década uma tremenda perseguição com o intuito de aniquilar o cristianismo. Acreditavam, tal como os seus antecessores Decio e Valeriano, que o cristianismo tinha crescido tanto em poder e popularidade no império, que a menos que fosse rapidamente exterminado, o modo tradicional de vida romana deixaria de existir e o próprio império se desintegraria. Por esta razão foi lançada uma politica com o propósito de exterminar a Igreja.
4. Desde quando foram eleitos e qual deveria de ser o seu caráter?
Rª: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” Efésios 1:4
5. Para que predestinou Deus aqueles que atingem essa norma de caráter?
Rª: “e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,” Efésios 1:5.
6. Quantos deseja Deus que se salvem?
Rª: “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1ª Timóteo 2:4
7. Que texto é citado para provar que Deus é arbitrário no trato com os homens?
Rª: “Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.” Romanos 9:18
Nota: Leia o verso 15. Estas palavras foram dirigidas a Moisés quando pediu para ver a glória de Deus (Ex. 33:19). Não se trata da salvação pessoal, mas do direito de Deus em conceder certos favores a quem Lhe agrada. O facto de Deus não nos revele a Sua glória ao ponto que revelou a Moisés, não é uma evidência de ser injusto. “Deus é demasiado bom para negar um bem aos que andam em integridade.” (CS. 96; cf. Sal. 84:11).
O verbo “endurece” (Romanos 9:18, sklérúno), aparece outras vezes no N.T., (Act. 19:9; Heb. 3:18,13, 4:7). Este endurecimento do coração do Faraó por vezes é descrito no livro do Êxodo como se fosse o próprio Faraó que endureceu o coração (Ex. 8:15,32; etc.), e outras vezes como se fosse Deus a produzir tal endurecimento (Ex. 4:21; 7:3; etc.). Na Bíblia com frequência Deus é apresentado como produzindo o que não impediu (ver 2ª Crón. 18:18). Paulo escolhe aqui esta segunda forma porque era mais adequada para o propósito e contexto. O endurecimento do coração de um homem é o resultado da sua rebelião contra a revelação divina. Paulo já anteriormente apresentou a forma pela qual Deus permite que um homem sofra as consequências inevitáveis da sua obstinada desobediência (Romanos 1:24, 26, 28).
8. Vejamos um outro texto em que Deus mostra com quem quer ser misericordioso, e com quem faz o contrário?“Para com o benigno te mostras benigno, e para com o homem perfeito te mostras perfeito. Para com o puro te mostras puro, e para com o perverso te mostras contrário.” Salmo 18:25,26 (cf. Is. 55:7).
Nota: Deus quer que todos os homens se salvem. Ele predestinou os caracteres que habilitarão os homens a se salvar, mas não força ninguém a receber a Cristo, possuir esse caráter e ser salvo. Essa é uma questão de escolha individual. Por Suas poderosas obras e juízos no Egito, Deus endureceu o coração de Faraó. Êxodo 7:3, 13 e 22. mas as mesmas manifestações abrandaram o coração de outros. A diferença estava nos corações, e na maneira por que eram recebidos a mensagem e os actos de Deus, não no próprio Deus. o mesmo Sol que derrete a cera, endurece o barro. Êxodo 8:32 diz que Faraó endureceu o próprio coração.
Outros textos:
Josué 24:15; João 7:17; Atos 16:31; Apoc. 22:17
Conclusão: Apocalipse 3:5

20 de julho de 2010

A SANTIFICAÇÃO SEGUNDO A BÍBLIA

“O cristão é chamado a viver uma vida de santidade, de inocência, de pureza e de continuada consagração a Deus.” J.E.Davies
“Havendo operado a convicção do pecado, e apresentado perante a mente a norma de justiça, o Espírito Santo afasta as afeições das coisas da Terra, e enche a alma com o desejo de santidade. "Ele vos guiará em toda a verdade", declarou o Salvador. João 16:13. Se os homens se dispuserem a ser moldados, haverá a santificação de todo o ser. O Espírito tomará as coisas de Deus e lhas gravará na alma. Por Seu poder o caminho da vida se tornará tão claro que ninguém o errará.” Atos dos Apóstolos, p.53
1. Que inspirada súplica estabelece a norma da vida cristã?
Rª: “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” 1ª Tess. 5:23.
Nota: “o vosso espírito, e alma e corpo”. Paulo não apresenta nesta passagem um estudo da natureza do homem, mas sim, assegura aos convertidos que nenhuma área da vida ficará sem receber a influencia e o poder santificador de Deus. a Bíblia parece falar de uma divisão do homem em duas partes corpo e alma, ou corpo e espírito (ver: Mat. 10:28; Rom. 8:10; 1ª Cor. 5:3; 7:34). Estas ideias combinam-se nesta passagem para dar ênfase que nenhuma parte do ser humano deve ser excluída da influencia da santificação.
a) Por “espírito” (pnéuma, Luc. 8:55) se pode entender o elemento superior da inteligência e pensamento com que está dotado o homem e com o qual Deus pode comunicar (Rom. 8:16).
b) Por “alma” (psujé, Mat. 10:28) se entende a parte da natureza do homem que exprime os instintos, as emoções e desejos.
c) O significado do “corpo” (soma) é evidente: é a estrutura corporal – carne, sangue e ossos – que é rígido ou por natureza superiora ou inferior. Quando a mente é santificada não se abusa do corpo, pelo contrário. O corpo é o instrumento adequando por meio do qual o cristão activo pode servir a seu Senhor. A santificação que não inclui o corpo não é santificação (1ª Cor. 6:19,20).
2. Quão necessária é a santificação?
Rª: “Segui a paz com todos, e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor.” Heb. 12:14.
3. Qual é a vontade de Deus?
Rª: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.” 1ª Tess. 4:3.
Nota: Seja qual for a vontade de Deus a nosso respeito, pode-se realizar em nossa vida, caso a nossa vontade esteja em harmonia com a Sua. É, portanto, de muita importância e animador saber que a nossa santificação se encontra incluída na vontade de Deus.
A justificação efectua-se imediatamente, quando o pecador arrependido aceita o perdão de Deus; mas a santificação é a uma obra contínua da graça (Rom. 12:1-2). “Não é obra de um momento, uma hora, ou um dia, mas de toda uma vida.” Atos dos Apóstolos, p. 447 (Espanhol).
4. Que atitude deve a pessoa manter para com a verdade no caminho da santificação?
Rª: “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade.” 2ª Tess. 2:13.
Nota: “porque Deus vos escolheu”, a evidência que Deus não elegeu arbitrariamente, revela-se nas palavras que se seguem (vs. 14-17). A eleição depende da santificação dos escolhidos. O plano da salvação tem origem “desde o princípio” (cf. 1ª João 1:1; 2:13).
5. Que instrução revela que a santificação é uma obra progressiva?
Rª: “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade.” 2ª Ped. 3:18 (cf. 2ª Ped. 1:5-7).
6. Que afirmação do Apóstolo Paulo acerca da sua própria vida cristã, concorda com esta progressão na vida de santificação?
Rª: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prémio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus.” Filip. 3:13,14.
7. Para alcançar tal objectivo o que devemos ter em vista?
Rª: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.” 1ª Cor. 10:31.
Nota: “comer e beber”. Aos homens foi dada a faculdade de eleger, mas o cristão exerce sempre essa liberdade de forma a receber a aprovação de Deus. “ou façais outra coisa”, ou seja, todas as acções e planos de vida. Os cristãos não estão na liberdade de seguir os impulsos do coração natural. São chamados a harmonizar-se com a revelada vontade de Deus, nos pensamentos, palavras e actos (Col. 3:17; 1ª Ped. 4:11). A religião de Cristo tem que ver com todos os assuntos do ser humano, trate-se do físico, do mental ou do espiritual. A redenção que Cristo proporciona é completa e aplica-se a todo o ser humano.
8. Que classe de pessoas se excluem do reino de Deus?
Rª: “Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.” Efés. 5:5; “Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se trespassaram a si mesmos com muitas dores.” 1ª Cor. 6:9,10.
Conclusão: A santificação é o termo empregue para definir a obra de Deus, o Espírito Santo, sobre o carácter dos que são justificados. Somos justificados a fim de ser santificados, e somos santificados a fim, de ser glorificados. “Aos que justificou a estes também glorificou.” Rom. 8:30. A graça de Deus é dada para nos tornar santos, e preparar-nos assim para a presença de Deus na eternidade; pois sem “a santificação,...ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14.

13 de julho de 2010

A IMPORTANCIA DA SÃ DOUTRINA

“Muitos não têm conhecimento, nem sabem como devem ser a fim de viverem à vista do Senhor sem um sumo-sacerdote no santuário, durante o tempo de angústia. Os que hão de receber o selo do Deus vivo, e ser protegidos, no tempo de angústia, devem reflectir completamente a imagem de Jesus.” P. Escritos, p. 70
1. Há alguma diferença no que a pessoa crê, contando que seja sincera?
Rª: Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, em santificação do espírito e a fé na verdade.” 2ª Tes. 2:13.
Nota: A doutrina afecta a vida. A verdade leva à vida e a Deus; o erro, à morte e à destruição. Ninguém pensaria em dizer que não importa a que deus a pessoa adora, contanto que seja sincera, da mesma maneira que ninguém cuidaria em dizer que não altera o que a pessoa como ou beba, contando que goste daquilo que ingerir; ou que caminho ela trilhe, contanto que pense estar na estrada certa. A sinceridade é uma virtude, mas não é a prova da veracidade da doutrina. Deus quer que conheçamos a verdade, e tomou providências a fim de sabermos o que é a verdade.
2. Julgava Josué não haver diferença a que Deus servisse Israel?
Rª: “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; deitai fora os deuses a que serviram os vossos pais dalém do Rio, e no Egipto, e servi ao Senhor. Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24:15,16.
Nota: é de salientar que a ordem de servir ao Senhor não elimina a possibilidade de escolher. Todo e qualquer serviço que não seja voluntário é inútil. Deus coloca perante os homens a vida e a morte e insta a escolherem a vida, mas não interfere quando decidem o contrário, nem os protege das consequências naturais. “Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor”, ou seja “longe de mim” servir a deuses que não falam, não sentem, não amam!
3. Como determinar a veracidade de qualquer doutrina?
Rª: “Examinai tudo; retende o bem.” 1ª Tes. 5:21.
“À Lei e ao Testemunho: se eles não falarem segundo esta Palavra, é porque não têm iluminação.” Isaías 8:20.
Nota: A Bíblia é a prova de toda a doutrina. Seja o que for que não se harmonizar e ajustar com ela não deve ser aceite. “Não há senão uma norma do eternamente direito e do eternamente errado, e esta é a Bíblia.” T. De Talmage.
4. Porque razão se deve conhecer bem a doutrina pura?
Rª: “Para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo o vento de doutrina.” Efésios 4:14 (cf. Heb. 13:9).
Nota: Chamar uma doutrina vento de doutrina não faz com que ela seja isso. “Vento de doutrina” é aquela que não é apoiada pela Palavra de Deus.
5. Que solene advertência faz Paulo a Timóteo?
Rª: “1 Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino;
2 prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.
3 Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,
4 e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas.” (2ª Timóteo 4:1-4).
Nota: Depois de exortar o seu jovem colaborador Timóteo a pregar com ousadia a “Palavra” ou seja a Palavra de Deus (cf. 2:15; 2:9). Paulo faz aqui referência ao método de Cristo e que constitui o modelo para todo o cristão. A verdade e não perder tempo discutindo falsas teorias ou refutando-as. Paulo nos versos 3,4 a referir que “virá tempo em que não suportarão a sã doutrina…desviarão os ouvidos da verdade…” as pessoas tornar-se-iam superficiais, devido à “concupiscência”, ou seja, querem ouvir interpretações caprichosas que satisfaçam a curiosidade e os desejos pessoais. Sentem desejo da religião, mas só aceitam o que não interfira com a rotina das suas vidas. Muitos apostatarão porque não “suportam a sã doutrina”, elegem o seu próprio destino. Ninguém se perde porque Deus o tenha decretado, mas porque decidiram ser infiéis e exigem uma doutrina que se ajuste ao seu modo de vida. Não estão disposto a reajustar a sua vida à Verdade.
6. Quais são os verdadeiros discípulos de Jesus?
Rª: “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (cf. João 17:17).
7. Que espécie de culto vem em resultado do falso ensino?
Rª: “Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem.” Mateus 15:9
“O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.” Prov. 28:9
Conclusão: O facto de desviar os ouvidos da Lei de Deus não significa que não tenha vontade ou desejo de orar, este texto (Prov. 28:9), sugere que esta pessoa não é descuidada em termos religiosos, mas não permite que a Lei divina dirija a sua vida. São muitos os que estão dispostos a servir a Deus mas desejam fazê-lo segundo a sua própria forma como Caim. Alguns aceitam uma parte da Lei de Deus como norma de vida, no entanto sustém que uma parte foi completamente abolida. Muito poucos aceitam toda a Lei moral de Deus como uma expressão autorizada da vontade Divina para o seu povo.
“...até a oração é abominável.” O pecado coloca uma barreira entre Deus e o pecador (Isaías 59:1,2). Os que actuam contra a sua própria consciência e os que afirmam que a observância do “espírito da lei”os torna melhores que os que, mediante o poder interior do Espírito Santo, observam tanto a letra como o espírito da lei, fariam bem em considerar esta passagem.
É verdade que Deus passará por alto os que não tiveram oportunidade de conhecer a Sua Lei (Actos 17:30; Rom. 5:13), mas não passará por alto os que deliberadamente a quebraram. Se Deus aceitasse isto, estaria a aprovar a rebelião.
Deus nos abençoe a dar importância à sã doutrina por Cristo Jesus nosso Senhor, Amem.

5 de julho de 2010

A VERDADE PRESENTE

Bem disse Charles C.Cotton: “O maior inimigo da verdade é o tempo; a sua grande inimiga é o preconceito; e a sua constante companheira é a humildade.”
1. O que é a verdade?
Rª. “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade.” João 17:17
Nota: Gr. hagiázõ, “considerar santo”, “apartar para fins sagrados”. Os discípulos deviam ser consagrados para cumprir a tarefa que lhes seria confiada por Cristo. A santidade é um dos atributos de Deus (1ª Ped. 1:16). Portanto, desejar ser apartado para fins sagrados, é desejar entrar no plano de Deus, não só ser salvo ma meio pelo qual Deus salvará outros.
A verdade. Há uma definição da verdade (8:32). A Palavra de Deus é declarada a “verdade”. As Escrituras revelam o carácter de Deus e de Jesus Cristo. Estas verdades da Palavra de Deus são incorporadas no nosso viver fazendo parte da nossa vida.
2. A que conhecimento quer Deus cheguem todos os homens?
Rª. “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” 1ª Timóteo 2:4
3. Como deve a verdade ser acariciada?
Rª. “Compra a verdade, e não a vendas; sim, a sabedoria, a disciplina, e o entendimento.” Provérbios 23:23
Nota: “compra a verdade”. A verdade é um tesouro que se deve adquirir sem olhar ao preço, e dela nunca devemos desistir. A necessidade de ver claramente a aplicação dos princípios da verdade inscritos na vida, exige estudo e atenção diligente, bem como uma boa disposição para reconhecer os erros. Quanto mais se aproxima uma pessoa do Salvador e mais estuda a Palavra de Deus, tanto melhor compreende a verdadeira natureza das coisas. Se o egoísmo se introduz no coração de imediato os olhos ficam nublados para as realidades espirituais; o fim é o obter vantagens temporais; vende-se a verdade; e o que a vende, fica em perigo. Permite-se um espírito de auto-desculpa e de comiseração; o momento chega quando se perde a compreensão do valor da verdade; e a consequência é a perdição. Poucos se dão conta do perigo em mentir-se a si próprio (entrar na permissividade) e o baixo preço com que vendem a verdade e consequentemente se perde a vida eterna.
4. Reconhece a Bíblia o que se pode chamar a “verdade presente”?
Rª. “Pelo que estarei sempre pronto para vos lembrar estas coisas, ainda que as saibais, e estejais confirmados na verdade presente.” 2ª Pedro 1:12
Nota: ou “a verdade que está presente (em vós); quer dizer, a verdade que foi ensinada aos leitores de Pedro. A ”verdade” (alêtheia) refere-se a todo o conjunto de ensinamentos cristãos nos quais os crentes tinham sido ensinados e que conheciam (João 8:32).
Tais verdades são aplicáveis em todas as eras; e são portanto presente verdade para toda a geração; outras são de carácter especial, e aplicam-se unicamente a uma geração. Não são, no entanto, de modo nenhum menos importantes por esse motivo; pois da sua aceitação ou rejeição depende para as pessoas dessa época o salvarem-se ou perderem-se. Desta espécie era a mensagem de Noé, de um dilúvio por vir. Para a geração a quem foi pregada, aquela mensagem era verdade presente; para as gerações posteriores, ela tem sido verdade passada, e não uma mensagem actual, probante. Semelhantemente, houvesse a mensagem do primeiro advento de João Baptista, de que o Messias estava às portas, sido proclamada uma geração antes ou depois do tempo de João, e não teria sido aplicável – não teria sido verdade presente. O povo da geração anterior não teria vivido para ver-lhe o cumprimento, e para os que vivessem depois teria sido fora de lugar. Não é assim com as verdades gerais; como o amor, a fé, a esperança, o arrependimento, a obediência, a justiça e a misericórdia. Estas são sempre oportunas, e de carácter salvador. As presentes verdades no entanto; incluem sempre todas essas, sendo assim de carácter salvador, e de importância vital.
5. Verdades presentes.
Textos: Génesis 6:13,14; Hebreus 11:7; 1ª Pedro 3:20; Jonas 3:3-4; João 1:6,7,23.
• Que disse Cristo dos que rejeitaram a mensagem de João: “E todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus quando a si mesmos, não sendo batizados por ele.” Lucas 7:29,30.
Nota: Isto é, honraram a Deus por esse acto (v.29), que mostrava fé na verdade divina para aquele tempo.
6. O povo escolhido de Deus recebeu a Cristo, quando Este veio ao mundo?
Rª. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” João 1:11 (João 9:29).
7. Deverá haver uma mensagem especial para os últimos dias?
Rª. “Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor pôs sobre os seus serviçais, para a tempo dar-lhes o sustento? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo.” Mateus 24:44-46
Nota: Nos últimos dias sairá uma mensagem que será “sustento a seu tempo” para o povo. Ela deve ser a advertência quanto à próxima vinda do Senhor, e a preparação necessária para com Ele se encontrar. A vinda de Cristo em glória tem sido a esperança dos fiéis de todos os séculos.
Lutero declarou: “Estou persuadido de que o dia do juízo não tardará nem trezentos anos. Deus não há de, não pode sofrer por muito mais tempo este mundo ímpio. Aproxima-se o grande dia em que será subvertido o reino das abominações.”
8. Qual será o tema principal da finam mensagem evangélica?
Rª. “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. Um segundo anjo o seguiu, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição. Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” Apocalipse 14:7-10
9. Como são descritos os que aceitam essa mensagem?
Rª. “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Apocalipse 14:12.
10. Com que zelo deve essa obra levada avante?
Rª. “Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.” Lucas 14:23
Conclusão: Esta obra está a ser no presente executada. Em toda a parte do mundo ouve-se o som dessa mensagem final, e o povo está a ser instado a aceitá-la, e a preparar-se para a vinda e o reino de Cristo.
Quer fazer parte deste povo? Tome a sua decisão e comece como Noé a construir sobre a Verdade Presente.

29 de junho de 2010

A OBEDIÊNCIA DA FÉ

“O campo da acção da fé começa onde as possibilidades cessam e onde a vista e a percepção falham.” George Muler.
“A fé que opera por amor e purifica a alma não achava lugar na união com a religião dos fariseus, feita de cerimonialismo e injunções humanas.” Actos dos Apóstolos, p. 15.
1. O que ordenou o Senhor a Abraão?“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.” Génesis 12:1,4.
Nota: “Sai-te”, daqui em diante Abraão é o herói do livro de Génesis. A palavra (v. 1,2) do Senhor começa com uma ordem, continua com uma promessa e termina com uma bênção. Estes três importantes aspectos caracterizam toda a manifestação de Deus ao homem. As promessas de Deus cumprem-se, as Suas bênçãos cumprem-se e as Suas bênçãos recebem-se, tal só acontece quando os Seus mandamentos são obedecidos.
Está o homem desejoso que estes três requisitos se cumpram?
Em todo o caso Abraão “partiu”, sem argumentar e sem mencionar condições para a sua obediência. Simplesmente “foi”.
2. De que resulta a obediência de Abraão?
“Pela Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.” Hebreus 11:8
Nota: “obedeceu”, creu naquilo que Deus lhe disse e procedeu de acordo no que cria. A sua fé manifestou-se por meio de uma obediência fiel. Abraão não sabia para onde ia, sabia isso sim, que podia confiar nas instruções dadas por Deus.
Está pronto/a a confiar nas instruções de Deus?
3. Que ordem deu o Senhor mais tarde a Abraão?
“Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.” Génesis 22:2
4. Sobre que fundamento foram as anteriores promessas então renovadas a Abraão?“ E disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste isto, e não me negaste teu filho, o teu único filho, que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei a tua descendência, como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos; e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz.” Génesis 22:16-18.
Nota: O propósito de um juramento é reafirmar o que antes se afirmou. Os homens invocam Deus para jurar da sua própria honra e integridade. Pela simples razão que não há nada mais alto que Deus (Heb. 6:13), Deus jura por si mesmo (Isaías 45:23; Jeremias 22:5; 49:13). Deus ao comprometer-Se, está a seguir um costume familiar daquele tempo, a razão é convencer da segurança das Suas promessas divinas.
Que significa jurar neste contexto? Reafirmar fidelidade ao prometido.
5. Que habilitou Abraão a resistir à prova?
“Pela fé Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque; sim, ia oferecendo o seu unigénito aquele que recebera as promessas.” Hebreus 11:17.
Nota: “sendo provado”, ou submetido à prova. Deus de antemão sabia o que Abraão ia fazer; a prova não era necessária para que Deus soubesse o que faria o patriarca. Mas Abraão necessitava para por essa vicissitude que o colocaria à prova pudesse amadurecer. Esta foi a experiencia máxima na sua vida.
6. Em que declaração da Escritura estava a obediência de Abraão realmente compreendida?“E se cumpriu a escritura que diz: E creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus.” Tiago 2:23 (vv. 21,22).
Nota: “amigo de Deus”, era comum entre os judeus (2ª Crónicas 20:7) aplicar este título a Abraão, e continua a ser entre os árabes. A límpida autenticidade da confiança de Abraão em Deus é um exemplo que todos devemos procurar imitar. As boas obras acompanham a fé e demonstram a autenticidade pela qual uma pessoa é justificada. Se não há “obras” é evidente que tampouco existe fé genuína (Tiago 2:17,20).
7. Que espécie de fé é válida para com Deus?“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.” Gálatas 5:6.
Nota: A fé que justifica é a fé activa. Aqueles que dizem, e não fazem, não são homens de fé. A obediência que á agradável a Deus é o fruto daquela fé que se apega à Palavra de Deus, e submete-se à operação do Seu poder, com a plena certeza de que o que Ele promete também é capaz de cumprir. É esta a fé que é imputada como justiça.
Nota: A fé autêntica é uma aprendizagem nunca acabada. Jesus é o nosso melhor exemplo: “E achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.” Também é dito: “Ainda que era o Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.” (Filipenses 2:8; Hebreus 5.8).
Conclusão: “Aprendeu” ou “compreender” (manthanõ). Cristo pode compreender o que significa a obediência, esta provocou-Lhe sofrimento e morte: “tornou-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fil. 2:8). Veio a este mundo para fazer a vontade do Pai e nada o pôde desviar deste propósito. Cristo enfrentou uma luta constante por fazer a vontade do Pai; mas nem uma só vez cedeu à tentação. Como sabe por experiência pessoal o que implica a obediência humana à vontade Divina, pode “socorrer” a todos os que são tentados a desviar-se do caminho da obediência.
Estamos prontos a recorrer a Ele para não fraquejar?

28 de junho de 2010

JESUS CRISTO - O HOMEM PERFEITO

O que vem á vossa mente quando ouvem o nome de Jesus Cristo?
Por que Cristo é tido em tão alta honra? Por que Ele foi considerado um homem perfeito ao viver aqui na Terra?

O Senhor Jesus Cristo não cometeu pecado. Ele foi a grande excepção à regra. Todos os outros seres humanos são pecadores. A Bíblia diz: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Romanos 3:23. Mas, a vida de Cristo foi sem mácula.

A perfeição moral de Jesus foi indicada por Ele próprio. Os fariseus estavam interessados em condenar a Jesus. Certa vez Ele perguntou aos fariseus: “Quem dentre vós me convence de pecado?” João 8:46.

Esse desafio não foi aceite. Nenhum daqueles Seus inimigos tinham argumentos para O acusar. O Seu viver era irrepreensível. Noutra ocasião Jesus declarou: “Eu faço sempre o que Lhe agrada” - o que agrada a Deus. João 8:29.

Jesus ensinou os Seus seguidores a confessar os pecados e faltas, mas, Ele mesmo nunca confessou pecado. Ao procurar João Batista para receber o batismo, João, que pregava o “baptismo de arrependimento para perdão de pecados”(Marcos 1:4), não quis batizá-Lo .

João Batista disse: “Eu é que preciso ser baptizado por ti, e tu vens a mim?” Mas Jesus insistiu. O Seu baptismo era para exemplo de Seus seguidores, não para a remoção de pecados. Ao compreender isto, João concordou. (Mateus 3: 13-17)

O testemunho dos discípulos é digno de se mencionar. Durante três anos e meio os discípulos viveram com Cristo: Comeram juntos, andaram juntos, trabalharam juntos e dormiram sob o mesmo teto. Nesse longo convívio com o Senhor o Seu verdadeiro caráter ficou sendo conhecido pelos discípulos.

Aqui está o testemunho de um dos três discípulos que Lhe eram mais chegados - Pedro. Falando de como foi pago o nosso resgate, Pedro afirma que não foi com prata ou ouro, “mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” I Pedro 1:19.

João, que também fazia parte dos que Lhe eram mais chegados declara: “Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado.” I João 3:5.

Outro testemunho é do apóstolo Paulo, que embora não tivesse convivido com o Senhor Jesus, seu testemunho é muito valioso. Ele teve uma visão do Cristo glorificado, e como os demais apóstolos, escreveu por inspiração do Espírito Santo. Em II Coríntios 5:21, fala de Cristo como Aquele “que não conheceu pecado.”

E Paulo diz mais: Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus.” Hebreus 7:26. Que maravilhoso Salvador o Céu proveu!

Temos também o testemunho dos que não eram amigos de Cristo. Entre os líderes religiosos do Seu tempo, muitos observavam Seus passos para O apanhar em alguma falta. (Marcos 12:13).

Eles acusavam Jesus de blasfêmia, porque perdoava pecados. (Marcos 2: 5-7); acusavam de andar em más companhias, porque recebia pecadores e dava atenção às prostitutas (Mateus 11:19); de violar o dia de repouso, porque apanhou espigas de milho e comeu no sábado, porque estava com fome (Mateus 12:1-4). Mas que mal havia nisso?

Se Jesus perdoava pecados era porque tinha autoridade para faze-lo; se tratava com pecadores, era porque veio salvá-los - precisamente para isto foi que Ele veio ao mundo (Marcos 2:7); e se curava no sábado era porque, como Autor e Senhor do sábado, tinha autoridade para determinar o que é lícito fazer neste dia (Marcos 2:28; Mateus 12;12). Mas, os que não eram amigos de Cristo, não puderam fazer nenhuma acusação contra Cristo.

Para condená-Lo à morte, no final do Seu ministério, eles usaram motivo político e não falta de moral. Mesmo diante da acusação deles, Pôncio Pilatos lhes disse: “. . .não acho nele crime algum.” João 19:4.

Também Herodes não O condenou. (Lucas 23:15). Durante a crucifixão, um dos ladrões, que foram mortos com Ele, disse “. . .este não fez nenhum mal.” Lucas 23:41. E quando Jesus deu o último suspiro, o centurião que executou Sua sentença, disse maravilhado: “Verdadeiramente este homem era justo.” Lucas 23:47.

A perfeição moral de Cristo é o grande alvo do Céu para a vida do homem. A Bíblia declara: “Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” Mateus 5:48.

As Escrituras foram dadas “a fim de que o homem de Deus seja perfeito”. II Timóteo 3:17. Pedro escreveu “. . . o Deus de toda a graça. . . vos há de aperfeiçoar”. I Pedro 5:10. E Paulo, escrevendo aos cristãos em Filipos, disse: “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento.” Filipenses 3:15.

Mas então, como pode o homem pecador alcançar a perfeição? Pela união do humano com o divino, pelo recebimento de Cristo no coração.

Quando aceitamos Jesus, o divino-humano Salvador cria em nós um novo homem à Sua semelhança; comunica-nos os Seus atributos, Sua perfeição. Paulo escreveu: “. . . a Jesus nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. Colossenses 1:28.

“Porquanto nele estais aperfeiçoados.” Colossenses 2: 9, 10. Outra versão diz: “É nele que toda a plenitude da natureza de Deus vive incorporada, e na união com ele sois cheios dela.” ( Goodspeed)

No Senhor Jesus Cristo, Deus nos deu o modelo da vida que Lhe agrada, a vida que ele premiará com existência eterna. E essa vida torna-se nossa ao recebermos a Cristo.

Abra o seu coração para receber a Cristo.

26 de junho de 2010

A DIVINDADE DE JESUS EM JOÃO 1:1 E REFUTAÇÃO DA TRADUÇÃO NOVO MUNDO

Ao longo dos séculos, a pessoa de Jesus sempre foi atacada pelo inimigo de Deus. E para tanto, ele se utiliza de vários expedientes. Dentre eles, algumas heresias. E uma delas, é justamente de que Cristo não é Deus em essência. Porém, Cristo não somente é Deus, mas criador - Doador de vida e liberdade. Em geral, as versões bíblicas são concordantes quanto a tradução de João 1:1. Isso fica evidente na igualdade ou similaridade de várias versões ao serem comparadas.
A versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) de João Ferreira de Almeida, traz o texto da seguinte forma: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.
Já a Nova versão Internacional (NVI) apresenta João 1:1 desta forma: “ No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a .Palavra era Deus”. No entanto, a Tradução Novo Mundo das “Testemunhas de Jeová”, verte o texto desta maneira: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra [um] deus”. Fica clara a intenção das pretensas “Testemunhas de Jeová”, em negar a
divindade de Jesus. Comentando sobre isso, Pedro Apolinário declara:
"João de maneira categórica e inequívoca inicia o Evangelho declarando que Cristo é Deus, sendo esta uma das mais fortes referências da Bíblia, concernente à absoluta Divindade de Cristo, mas apesar desta clareza meridiana este verso é o mais citado pelas Testemunhas de Jeová para negarem a Sua Divindade. ‘o Verbo tinha a mesma natureza de Deus’”.  Entretanto, as “Testemunhas de Jeová”, afirmam que quando aparece o artigo Ho Theós antes, refere-se a Jeová, enquanto que sem o artigo, se refere apenas a um deus inferior, rebaixado “à categoria dos deuses pagãos representados por ídolos”.
Apolinário apresenta três razões pelas quais não se pode aceitar a tradução de João 1:1 feita pelas “Testemunhas de Jeová”:
1) Apresentando “um segundo Deus” introduzem o politeísmo no monoteísmo bíblico;
2) Ninguém, entre os profundos conhecedores da língua grega, sanciona a tradução feita pela torre de vigia;
3) Consultando as grandes traduções da Bíblia, verificamos que esta distorção não aparece.
Para defenderem as suas teses, “as Testemunhas de Jeová”, “chegam a valer-se do condenável recurso da elipse (citação propositadamente incompleta, dando sentido alheio às intenções do autor)”.
Arnaldo B. Christianini, comentando acerca da regra da sintaxe grega, afirma que “no grego o predicado geralmente dispensa o artigo, porém, o sujeito quase sempre o tem. E quando um nome está em relação predicativa  com outro nome, o nome que representa o predicado não leva o artigo”. Ele também mostra de uma forma exaustiva, declarações de renomados gramáticos e cultores do grego, que apóiam seu argumento, como por exemplo, William H. Davis, que diz:
“Observe-se que o sujeito diferencia-se do predicado sempre que o sujeito leva o artigo e o predicado não leva. Exemplo: ágape estin o Theos. Deus é amor. Neste caso, ágape é predicado porque não leva o artigo, ao passo que Theos o leva”.
Outro famoso gramático grego, é o professor J. W. White, que define com muita autoridade a regra da sintaxe do artigo ao concluir que "um adjetivo, quer preceda o artigo, quer venha depois do substantivo sem tomar artigo, é sempre predicado adjetivo”.  O professor J. White menciona também, o erro do “Diaglotão Enfático” ao traduzir João 1:1:
...B. Wilson, autor do “Diaglotão Enfático” cometeu erro crasso em traduzir “Kai Theós én hó Logos” por “e um deus era o Verbo”. Por quê? Já o dissemos e repetimos: Theós (Deus) é predicado adjetivo, vindo antes do artigo “hó”. O sujeito é “Logos”. Daqui não há como fugir. O correto é “e o Verbo era Deus”.
Se não bastasse a infundada posição das “Testemunhas” quanto a regra da sintaxe do artigo, eles também apresentam fortes contradições e incoerências nas suas traduções. Eis alguns textos que deveriam ser vertidos como “um deus” caso fossem coerentes, uma vez que o artigo definido não aparece ante destas palavras:
“Mateus 5:9 – Chamados filhos de um Deus.
Lucas 1:35 – Filho de um Deus.
Lucas 1:78 - Compaixão de nosso um Deus.
João 1:6 – Enviado por um Deus”.
É evidente que as “Testemunhas” manipulam a gramática grega a seu bel prazer, para tentar apoiar seus falso argumentos. Como foi visto até aqui, não há nenhuma base escriturística ou lógica, para que as “Testemunhas de Jeová”
considerem Jesus Cristo como “um deus” criado e inferior a Deus Pai. Tal afirmativa é inconseqüente, e deve ter sua origem na pessoa de “Orígenes – o precursor do arianismo, que fazia diferença entre Théos e O Théos de João. Cristo é Théos, enquanto Deus o Pai é O Théos”. [20]
Portanto, não merece crédito a Tradução novo mundo de João 1:1. O apóstolo João nos adverte quanto aos falsos profetas:
“Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falso profetas têm saído pelo mundo fora.
Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o anticristo, a respeito de qual tendes ouvido que vem e, presentemente já está no mundo” (I João 4:1-3).
Além do mais, como povo de Deus, nós temos o Espírito de Profecia (Ap. 19:10), como uma luz menor a nos guiar para a luz maior. A respeito da divindade de Cristo, Ellen G. White declara que “o Senhor Jesus Cristo, o divino filho de deus, existia desde a eternidade, uma pessoa distinta mas um com o Pai”. [21] Ela também afirma que “em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada. [22] ‘Quem tem o filho tem a vida’. A divindade de Cristo é a certeza de vida eterna para o crente”. [23] Veja outra clara declaração do Espírito de Profecia confirmando a divindade de Cristo:
“A única forma como a raça caída poderia ser restabelecida era pelo dom de Seu filho, igual a Ele mesmo, possuindo os atributos de Deus. Embora fosse exaltado tão altamente, Cristo consentiu em assumir a natureza humana, a fim de trabalhar no interesse do homem e reconciliar com Deus Seus súditos desleais”. [24]
Concluímos, ratificando que Cristo era, é e sempre será essencialmente Deus, e no sentido mais elevado.
“Pois, nele, foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus”, (Colossenses 1:16-20).
Cristo estava com Deus por toda a eternidade, Deus sobre tudo, bendito seja eternamente. LOUVADO SEJA O NOSSO SENHOR, SALVADOR E DEUS JESUS CRISTO, AMÉM!

BIBLIOGRAFIA:
João Ferreira de Almeida, Bíblia Revista e atualizada (Barueri, SP: Sociedade bíblica do Brasil, 1993). A versão católica Bíblia de Jerusalém, traduz tal qual a ARA e acrescenta que, “o A.T. conhecia o tema da Palavra de Deus e o da Sabedoria existindo em Deus, antes do mundo”, através de quem tudo foi criado; enviada à terra para revelar os segredos da vontade divina. “Igualmente para São João (13, 3; 16, 28), o Verbo estava com Deus, preexistente (1, 1. 2; 8, 24+; 10, 30+); ele veio ao mundo (1, 9-14; 3, 19; 9, 39; 12, 46; Cf Mc 1, 38+), enviado pelo Pai (3,17. 34; 5, 36; 11, 42; 17, 3.25; Cf Lc 4, 43), para aí realizar uma missão (4, 34+), a saber: transmitir ao mundo a mensagem da salvação (3, 11+; 1, 33+); terminada a missão ele volta para o Pai”, A Bíblia de Jerusalém (São Paulo: Paulus, 1985).
O Novo Testamento, Nova Versão Internacional (NVI) (São Paulo: Sociedade bíblica internacional, 1993). Porém, a NVI mostra na nota de rodapé que o termo para Palavra, tem a possibilidade de ser traduzido como Verbo.
A versão inglesa King James, está em concordância com a NVI, ao traduzir o texto em questão assim: “In the beginning was the Word, and the Word was whit God, and the Word was God”, Holy Bible King James Version (New Yorque: Cambridge University Press, s/d). Ver também: La Bíblia Latinoamerica (Madrid, Espanã: Editorial Verbo Divino, 1995).
Tradução do novo mundo das Escrituras Sagradas (Cesário Lange, SP: Sociedade torre de vigia de Bíblias e tratados, 1996). Na língua portuguesa, a Tradução ecumênica da Bíblia (TEB) traduz João 1:1 numa linguagem mais atual: “No inicio era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus”, Tradução ecumênica da Bíblia (São Paulo: Edições Loyola, 1994). Embora não seja uma das melhores traduções para o texto, a versão menciona que o Verbo “é chamado de Deus”, e também está em “perfeita comunhão com ele, como o evangelista há de empenhar-se em demonstrar (5, 17-30)”, portanto, é aceita a divindade de Jesus.
Pedro Apolinário, As testemunhas de Jeová e sua interpretação da Bíblia (São Paulo: Depto gráfico, Instituto Adventista de Ensino, 1986), 166. O autor apresenta ainda, a síntese de Willian Barclay, em New Testament Words, 188, sobre o estudo do “Logos” em João, onde Barclay afirma: “Chamando a Jesus de Logos, João afirmou duas coisas sobre Ele: 1) Jesus é o poder Criador de Deus vindo para os homens. 2) Jesus é o pensamento de deus encarnado”.
 Dr. Robertson ‘entre antigos escritores O THEOS era empregado para designar a religião absoluta distinguindo-a dos deuses mitológicos’, [as testemunhas] deixam propositadamente de citar a sentença seguinte em que o Dr. Robertson diz ‘no novo testamento, contudo, embora tenhamos PROS TON THEON (S. João 1:1, 2) é muitíssimo mais comum encontrarmos simplesmente THEOS, especialmente nas Epístolas”, Christianini, 41-42
Apolinário, 170-171. “Em S. Mateus 4:4 traduziram ‘da boca de Jeová. Mas nesta passagem NÃO HÁ o artigo antes da palavra Deus. E o pior foi em Atos 13:2 onde se diz: ‘servindo eles ao Senhor’ (isto é a Cristo), traduziram erradamente: ‘ministravam publicamente a Jeová. Também no verso 12, ‘doutrina do Senhor’ (isto é, Jesus) traduziram por ‘ensino de Jeová’”, Christianini, 48.

24 de junho de 2010

DEUS, O FILHO

Quem é Jesus? Quando você ouve o nome de Jesus, você pensa em Deus? Ele é Deus? Hoje trataremos sobre o Deus Filho.

Nossa esperança de salvação se centraliza exclusivamente em Jesus. O termo pelo qual Ele é conhecido, o Filho de Deus, reflete o Seu lugar no plano da salvação, função esta determinada antes da criação do mundo.

Antes de Sua encarnação Ele existia como Deus, desde a eternidade, no sentido mais completo e elevado. Ele é Deus em natureza, em poder, e em autoridade. (S. João 1: 1 e 2; 17:5 e 24; Fil 2: 6)

Cristo é o Criador de todas as coisas (João 1:3; Col 1: 16 e 17; Hebreus 1: 2). E mesmo depois que Adão e Eva pecaram, Cristo manteve contato íntimo e constante com o mundo.

Ele é o membro da Trindade que ficou encarregado de se identificar conosco. Veja o que diz Filipenses 2:5-8: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se humilhou, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a sim mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.”

Através d´Ele o caráter de Deus é revelado aos seres humanos caídos, a salvação da humanidade é efetuada, e o mundo julgado. (S. João 5:24-29).

Sendo verdadeiramente Deus para sempre, Cristo se tornou verdadeiramente e totalmente homem.
Centenas de anos antes que Ele nascesse, os profetas predisseram o Seu nascimento virginal e o local onde deveria nascer - Belém. (Isa 7:14; Miquéias 5:2)

Concebido do Espírito Santo e nascido da virgem Maria, Ele se criou na vila montanhosa de Nazaré da Galiléia. Durante a Sua vida na Terra Jesus viveu e sofreu tentações como ser humano, mas jamais pecou, exemplificando perfeitamente a justiça e o amor de Deus e deixando-nos um exemplo perfeito a ser seguido. (Heb 2:16-18; I Ped 2:21 e 22)

Cristo viveu de modo simples e altruísta. Enquanto criança e jovem, Ele trabalhou na carpintaria em Nazaré, sempre Se demonstrando amável e interessado nos outros.

Quando tinha cerca de trinta anos, João Batista O batizou por imersão no rio Jordão. Ele não foi batizado a fim de ser purificado dos pecados, pois jamais pecara, mas foi batizado para “cumprir toda a justiça”.

Através do batismo Ele se identificou com os pecadores, dando os passos que nós devemos dar, e fazendo o que nós devemos fazer.

Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma visível, como pomba, e a voz de Deus, dos céus, pronunciou as palavras: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo”. Mateus 3:17

Após este evento Jesus dedicou cerca de três anos e meio ao Seu ministério amorável e altruísta, procurando levar a mensagem do evangelho a ricos e pobres, a judeus e gentios.

Por meio de milagres, inclusive milagres de cura e ressurreição dos mortos, Jesus manifestou o poder e o amoroso interesse de Deus, e provou ser o prometido Messias.

Seus ensinos eram incomparáveis em sua simplicidade e poder para mudar corações e vidas. Até mesmo os guardas enviados para prendê-Lo, a certa altura de Seu ministério, foram incapazes de fazê-lo por terem ficado impressionados com o poder e sensatez de Seus ensinos.

Ao serem indagados quanto à razão de não O terem aprisionado, puderam apenas responder: “Jamais alguém falou como este homem.” João 7:46

Antes da fundação do mundo Deus havia elaborado um plano para enfrentar a possibilidade do surgimento do pecado na Terra. Por intermédio da morte de Cristo, aqueles que O aceitassem, se tornariam de novo filhos de Deus e herdariam a vida eterna.

Quando Jesus estava prestes a iniciar Seu ministério, João Batista apontou-O como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. João 1:29

Jesus concluiu Seu abnegado ministério com sacrifício supremo - dando Sua vida para prover aos homens um meio de escape do pecado e suas consequências.

Jesus sofreu e morreu voluntariamente na cruz do Calvário, por nossos pecados e em nosso lugar. Mas a morte e a sepultura não puderam reter o Criador.

Ele ressuscitou dos mortos e ascendeu aos Céus após aparecer várias vezes aos Seus discípulos e comissioná-los a levar avante a pregação do evangelho, que Ele havia começado durante Seu breve ministério.

Ele não abandonou ou esqueceu o Seu povo na Terra ao ascender ao Céu, mas iniciou um novo ministério em nosso favor no santuário celestial - um ministério de intercessão e preparação de Seu povo para ocupar um lugar no reino que Ele planeia restaurar na Terra.

Cristo virá novamente, em breve, em nuvens de glória, acompanhado dos Seus anjos, para o livramento final de Seu povo e a restauração de tudo o que se perdeu por causa do pecado.

O centro de convergência da Bíblia é Jesus Cristo. O mosso amor por Cristo deve nos motivar a obedecer aos Seus mandamentos, seguir o Seu exemplo, e a Ele sujeitar a nossa vida, para que Ele possa viver por Seu Espírito em nós.

Deixe Jesus, o Deus filho viver em você.

21 de junho de 2010

COMO É DEUS

Todos nós procuramos imaginar como é Aquele que está ao leme da nave cósmica, Aquele que fez os mundos e mantém as estrelas nas suas órbitas e sabe até mesmo quando um pardal cai. Como é Deus? Você sabe? Alguém pode saber? Ou Deus é um mistério tão hermético que está para além do que o ser humano possa imaginar? Como adorar, amar e confiar num mistério, num estranho que você não conhece? É esse o seu dilema?

Muitas ideias sobre Deus são difundidas hoje em dia. Algumas verdadeiras e algumas inventadas. Será possível que não lhe tenham dito a verdade sobre Deus? Talvez você deva conhecê-la.
Já reparou quão depressa os problemas da vida diminuem de tamanho quando olhamos para as estrelas numa noite clara? Harry Golden escreveu uma peça com o título "Por que eu nunca recrimino uma empregada de mesa." Ele diz: "Eu tenho uma norma contra registar queixas num restaurante." Por que? Porque ele sabe que existem pelo menos quatro biliões de sóis na Via Láctea, que é apenas uma galáxia. Ele prossegue descrevendo os incalculáveis números, as velocidades incríveis, as incompreensíveis distâncias no grande cosmos que revolve sobre nossa cabeça. Aí ele lembra que, mesmo dentro do alcance de nossos maiores telescópios existem pelo menos cem milhões de galáxias separadas, iguais à nossa Via Láctea. E que, quanto mais avançarmos no espaço com os telescópios, mais espessas tornam-se as galáxias.
E ele conclui: "Quando você pensa em tudo isso, chega a ser tolice importar-se pelo fato de a garçonete ter trazido um prato de feijão em vez de uma laranja."
Oh! Sim, o céu à noite pode fazer nossos problemas parecerem bastante triviais. E nós também. E quanto ao Deus que está lá em cima guiando todas essas estrelas? De que jeito Ele é? Ele sabe que estamos aqui? Ele Se importa com o que acontece connosco? O que Ele está pensando quando olha para baixo lá do topo do céu?
Por mais que possamos dizer ou descrever, por mais que possamos expressar, por mais que tentemos disfarçar, esta é a grande pergunta em nossa mente. Como é Deus? O que pensa Ele com relação a este planeta pecador?

Tom Branden, no seu delicioso livro "Oito é Demais", fala sobre a ocasião em que ficou tão frustrado com a sua família de adolescentes imprevisíveis, que simplesmente desistiu de ser pai. Temporariamente, é claro. Mas Deus alguma vez Se sentiu assim? Será que Ele fica cansado com a nossa indiferença, esgotado com a nossa rebelião, frustrado com as nossas tolas fugas, que sente vontade de desistir da Sua função? E se Ele nos abandonasse qualquer dia desses e nos deixasse girando sozinhos para a destruição? E se Ele já fez isso? Precisamos saber, porque, como podemos confiar num Deus que não conhecemos, num Deus estranho para nós? Como podemos enfrentar o futuro com alguma paz de espírito?

Por mais surpreendente que possa parecer, lemos o seguinte no livro de Job, provavelmente o primeiro livro da Bíblia a ser escrito. Job 22:21: "Une-te pois a ele, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem."
O que você acha disso? O único modo de encontrar paz de espírito é unindo-se a Deus, para saber como Ele é.

Milhões hoje estão buscando desesperadamente paz de espírito; estão se voltando para a astrologia, para as religiões orientais, qualquer lugar, toda parte. Evidentemente, entretanto, se eles se unissem a Deus, encerrariam suas buscas. Mas você diz: Pastor Vandeman, eu pensei que não poderíamos entender a Deus. A Bíblia não diz que as coisas secretas pertencem a Ele?

Sim ela diz, mas vamos ler essa passagem em Deuteronómio 29:29, que diz: "As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus; porém as reveladas são para"...observe... para quem?..."para nós e para nossos filhos."

Sim, algumas coisas sobre Deus são mantidas em segredo, não são para nós entendermos. Mas muitas coisas sobre Deus são reveladas. É possível que não tenhamos nos preocupado com as coisas que são reveladas, com as coisas que nos dizem como é Deus? Será que dispensamos a revelação, junto com o mistério? É verdade que muita coisa sobre Deus é um mistério, mas seria Ele Deus, se pudéssemos trazê-Lo a nosso nível, se pudéssemos colocá-Lo dentro da caixinha do nosso cérebro?

Veja, amigo, se você pode ler um livro de física e entender tudo nele, é razoável concluir que sua compreensão do assunto está à altura do físico que o escreveu? Se pudéssemos entender tudo sobre Deus, se pudéssemos entender tudo na Bíblia, se nossa mente pudesse captar tudo, então como poderia Deus ser superior a nós? Queremos um Deus com nossa estatura? Poderíamos confiar em um Deus com a mesma sabedoria nossa? Isto não é um pouco ridículo para mentes que Deus criou, colocá-Lo em julgamento e rejeitá-Lo por não conseguirmos entender tudo sobre Ele?

Vemos o fogo em um trovão e chamamos de electricidade; mas não entendemos. Não entendemos como as nuvens recebem aquelas cargas. Nem mesmo entendemos como um ovo de passarinho choca. Então, seria alguma surpresa que muita coisa sobre Deus seja um mistério? Seria surpresa nós não conseguirmos entender como Deus já existia antes de todas as coisas, como Deus pode ser três pessoas e ao mesmo tempo uma pessoa, ou como o Filho de Deus pode ter vindo à terra e nascido de uma virgem?

Ouçam, o amor e a fé fazem par com o mistério. A razão não tem que deixar de existir. Ela pode ajoelhar-se em reverência perante aquilo que ela não entende.

Oh, amigo, precisamos descer de nosso pedestal e parar de tentar trazer Deus para nosso nível, onde podemos manipulá-Lo. Precisamos parar de nos preocupar com o mistério e encontrar paz de espírito no que a Bíblia nos revela sobre Deus.

Infelizmente, o que Deus nos tem dito sobre Si mesmo tem sido embaçado e tornado confuso pelos termos teológicos que nos afastam com medo. Palavras como omnisciente, omnipotente, omnipresente e imutável. Mas você sabe de uma coisa? Essas palavras não têm a finalidade de nos assustar. Essas palavras, se nós as traduzirmos para termos simples que possamos entender, nos dariam uma tremenda paz de espírito. Por exemplo: a primeira palavra que eu mencionei: OMNIPOTENTE. Isso apenas quer dizer que Deus é Todo-Poderoso, que tem todo o poder. Não existe nenhum poder, nenhum grau de poder que Deus não tenha. Deus disse de modo simples quando disse a Jeremias. (Jeremias 32:27). Deixemos a palavra de Deus falar. Ela esclarecerá muitas coisas. "Eis que eu sou o Senhor, o Deus de todos os viventes; acaso haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?"

Nada é demasiadamente maravilhoso para Deus. Você não gosta disso? Não lhe traz paz de espírito saber que Deus não vai deparar com nada que não possa resolver no universo ou em sua vida pessoal? Se Ele pôde criar o mundo, Ele deve ser capaz de resolver tudo o que possa surgir em sua vida ou na minha, você não acha?

Dizem-nos que Deus é OMNISCIENTE. Não deixe que isso assuste você. Só quer dizer que Deus sabe tudo. Ele conhece tudo. Até mesmo o próprio futuro. Isaías 46:9 e 10. Que confiança! Vejam: "... eu sou Deus e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam."

Isso não lhe dá paz de espírito? Isso não lhe dá confiança? Deus sabe tudo sobre o futuro. Se houver alguma coisa no futuro que precisamos saber, Ele nos dirá. Sabemos disso porque Ele disse àquele profeta menor do Antigo Testamento chamado Amós. Capítulo 3:7: "Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas."

E por que ele diz aos profetas? Para que eles digam a nós.
Bem, existe a IMUTABILIDADE de Deus. Esta palavra simplesmente quer dizer que Deus não muda. Ele será sempre o mesmo. Ele não pode mudar para melhor porque já é perfeitamente santo, perfeitamente justo e perfeitamente bom. E Ele não poderia mudar para pior, porque se o fizesse deixaria de ser Deus. Diz Deus em Malaquias 3:6: "Porque eu, o Senhor, não mudo."

Lemos também em Hebreus 13:8. A Bíblia está repleta disso. Viu só? Nós só precisamos estudá-la mais. Jesus Cristo é "o mesmo ontem, hoje e eternamente."
NNão é maravilhoso? Você alguma vez já imaginou o que havia por trás destas palavras difíceis? Deus nunca muda, Ele não é susceptível a mau humor. Ele não se compromete. Ele nunca é levado ou persuadido a fazer uma coisa imprudente. Não temos que nos preocupar em como Ele estará amanhã.

Então dizemos que Deus é OMNIPRESENTE. Omnipresente, e isso é claro, significa que Deus, por Seu Espírito, está em todos os lugares ao mesmo tempo. Jesus disse, e está registrado em Mateus 28:20: "... e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos."

Você não gosta disso? Nunca está sozinho. Deus está ali do nosso lado quando precisamos dEle. Não temos que ser incluídos na lista de espera. Sabemos como elas são. Não somos colocados de lado porque Ele saiu para cuidar de uma galáxia em algum lugar. Não caímos de joelhos em uma emergência para descobrir que Ele tem dezassete mil pessoas na frente para serem atendidas. Não! Ele está sempre com você, dando total atenção, como se você fosse a única pessoa a existir. Não consegue entender isso? Bem, nem eu, mas graças a Deus por isso. O que me diz?

Bem, agora chegamos ao que parece ser a mais simples de todas as declarações sobre Deus. O apóstolo João diz em três palavras. I João 4:8: "Deus é amor."

A mais simples de todas? Não, a mais complexa de todas, a mais difícil de entender. João não disse: "Deus é amoroso." Muitas pessoas podem ser amorosas. Ele não disse: "Deus exercita o amor." Muitas pessoas fazem isso, às vezes. Ele disse: "Deus é amor." Amor no absoluto. Não existe nenhum outro assim, tão amoroso. Seria impossível ser mais amoroso.
Você já notou que cada um desses atributos de Deus, dessas características de Deus está no absoluto? Poder absoluto, sabedoria absoluta, amor absoluto. Tão poderoso que seria impossível ter mais poder. Tão sábio que seria impossível ser mais sábio. Tão amoroso que seria impossível ter mais amor. Percebe o que isso quer dizer? Se Ele tem poder absoluto, sabedoria absoluta e amor absoluto, então nós temos segurança absoluta ao confiarmos nEle. O apóstolo Paulo diz o que está registrado em Romanos 8:28: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus..."

O que temos a temer? Sabemos que Deus pode nos conduzir, por mais misterioso que possa parecer no momento, por mais difícil que possa ser de entender, podemos ter total confiança em Sua direcção. Deus nunca comente um erro. Se o que Ele faz por nós é a coisa mais amorosa possível, o que mais podemos querer? Pense sobre isto assim: Por Deus ser Todo-Amoroso, Ele quer que tenhamos o melhor. Por Ele ser Todo-Sábio, Ele sabe o que é melhor. E por Ele ser Todo-Poderoso, Ele é capaz de realizar isso.

Deus é amor. Levará toda a eternidade para se entender um Deus assim, mas é preciso apenas um momento para confiar nEle. É preciso apenas um momento para descobrir a paz de espírito que advém quando apenas começamos a conhecê-Lo.

O homem, por sua rebelião, separou-se de Deus. O feliz relacionamento foi quebrado. Deus queria restaurá-lo. Século após século Ele tentou. Mas como os homens iriam entender como era Deus? Palavras e mensagens através dos profetas e anjos não eram suficientes. Assim, Deus mandou Jesus mostrar como é Deus. Por isso é que Ele veio. Veja-O andando vila após vila, curando todos os enfermos. Ouça-O dizendo à mulher, cujos acusadores a haviam arrastado até Sua presença: "Eu também não te condeno. Vai e não peques mais." Veja-O fazendo uma longa viagem porque sabe que uma mulher de uma nação estrangeira queria que sua filha fosse curada. Veja Jesus alimentando as pessoas que tinham fome. Maravilhe-se com Sua paciência com os doze homens que queriam, todos eles, ser os maiores. Fique embevecido ao vê-Lo lavando os pés daquele que iria traí-Lo. Veja-O orando no jardim, esmagado com o peso de um mundo culpado. Veja-O tentado a chamar legiões de anjos para retirá-Lo deste planeta hostil. Veja Jesus grandemente tentado a descer da cruz e mostrar a todos quem Ele era. Veja-O finalmente, permanecer lá até o final, até Sua obra estar consumada, porque Ele lembrou-Se de você, lembrou-Se de mim. Assim é Deus.

Amigo, você entende um pouquinho mais a respeito de Deus após estes breves momentos? Nenhum outro conhecimento nos traz tamanha paz de espírito.

Um professor, no fim do ano lectivo, na prova final, fez esta última pergunta: "Diga uma coisa, do que você aprendeu este ano, o que permanecerá na sua mente nos próximos cinco anos?" Um jovem estudante respondeu a esta pergunta com uma única palavra: "Você!"

Bem, um dia, muito breve, todos enfrentaremos a prova final. E se Deus nos perguntar: "Diga uma coisa: o que aprenderam que permanecerá com vocês para sempre?" Espero que cada um de nós responda: "Tu, Senhor! Tu, Senhor!"

18 de junho de 2010

A EXISTÊNCIA DE DEUS

O fato da existência de Deus é tanto o ponto de partida lógico como o escriturístico de um estudo sistemático da doutrina da Bíblia. É o ponto de partida lógico porque o fato da existência de Deus supõe-se a todas as outras doutrinas da Bíblia. Sem a existência de Deus todas as outras doutrinas da Bíblia seriam sem sentido. É o ponto de partida escriturístico porque disso nos capacita o primeiro verso da Bíblia.
I. A existência de Deus está assumida na Bíblia.
A Bíblia principia por assumir e declarar a existência de Deus sem empreender prová-la. Isto é um fato digno de nota. Ao comentá-lo, diz J. M. Pendleton em "Christian Doctrines": "Moisés, sob inspiração divina, teve, sem dúvida, as melhores boas razões para o curso adotado por Moisés; a saber:
O autor crê que isto é verdade e crê que há pelo menos três razões para o curso adotado por Moisés; a saber:
1. ISRAEL, EM CUJO BENEFÍCIO MOISÉS ESCREVEU PRIMÁRIAMENTE, JÁ CRIA EM DEUS
Daí, o propósito de Moisés, que foi mais prático que teológico, não erigiu uma discussão de provas da existência de Deus.
2. AS EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS SÃO VISÍVEIS E VIGOROSAS
Assim, foi necessário, mesmo para a raça humana como um todo, que um discurso prático tratasse das evidências da existência de Deus. Mas o nosso estudo é teológico bem como prático; logo, é-nos oportuno notar estas evidências visíveis e vigorosas. Elas nos vêem da:
(1) Criação Inanimada
A. A matéria não é eterna e, portanto deve ter sido criada.
George McCready Price, autor de "Fundamentals of Geology" e outros livros científicos, diz: "Os fatos da radioactividade proíbem muito positivamente a eternidade passada da matéria. Daí, a conclusão é silogística: a matéria deve ter-se originado ao mesmo tempo no passado..." (Q. E. D., pág. 30). O Professor Edward Clodd diz que "tudo aponta para uma duração finita da criação atual" (Story of Creation, pág. 137). "Que a forma presente do universo não é eterna no passado, mas começou a ser, atesta-nos não só a observação pessoal senão também o testemunho da geologia" (A. H. Strong Sistematic Theology, pág. 40).
B. A matéria deve ter sido criada por outro processo que não os naturais; logo, a evidência de um criador pessoal.
Diz o Prof. Price.: "Há uma ambiguidade de evidência. Tanto quanto a ciência moderna pode lançar luz sobre a questão, deve ter havido uma criação real dos materiais de que se compõe o nosso mundo, uma criação inteiramente diferente de qualquer processo agora em voga, tanto em qualidade como em grau". (Q. E. D. pág. 25). A origem das coisas não se pode computar sobre uma base naturalística. Buscando assim fazer, Darwin foi obrigado a dizer: "Estou num lamaçal desesperado." Alguém podia falar tanto de livros serem escritos pelas leis da soletração e da gramática como do universo ser feito pela operação de mera lei.
Assim está a Bíblia de inteiro acordo com os achados da ciência moderna quando ela declara: "No princípio Deus criou os céus e a terra." (Génesis 1:1).
(2) Criação Animada
A. A Matéria viva não pode provir da não-viva.
Escrevendo no "London Times", disse Lord Kelvin: "Há quarenta anos perguntei a Liebig, andando nalgum lugar pelo campo, se ele acreditava que o capim e as flores que víamos ao nosso redor cresciam por meras forças químicas". Ele respondeu: "Não mais do que eu podia crer que um livro de botânica que as descrevesse pudesse crescer por meras forças químicas". Numa preleção perante o Instituto Real de Londres, Tyndall afirmou candidamente os resultados de oito meses de árduos experiências como segue: "Do princípio ao fim do inquérito não há, como vistes, uma soma de evidência a favor da doutrina de geração espontânea... Na mais baixa como na mais elevada das criaturas organizadas o método da natureza é: que a vida será o produto de vida antecedente". O Professor Conn diz: "Não há a mais leve evidência de que a matéria viva possa surgir da matéria morta. A geração espontânea está universalmente vencida" (Evolution of Today, pág. 26). E o Sr. Huxley foi forçado a admitir: "A doutrina que a vida somente pode vir da vida está vitoriosa em toda a linha" (The Other Side of Evolution, pág. 25).
B. Desde que a matéria não é eterna, a vida física, que envolve a matéria viva, não pode ser eterna.
O fato de a matéria não ser eterna proíbe a suposição que a vida física é o resultado de uma série infinita de gerações. E desde que, como vimos, a matéria não pode provir da não-viva, somos forçados a aceitar o fato de um criador pessoal, não-material.
(3) A Consciência Humana
Para fins práticos, a consciência pode ser definida como a faculdade ou poder humano de aprovar ou condenar suas ações numa base moral. O apóstolo Paulo, um dos maiores eruditos do seu tempo, afirmou que os pagãos, que não tinham ouvido de Deus ou de Sua lei, mostravam "a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e seus pensamentos, ora acusando-se, ora defendendo-se" (Romanos 2:15). Paulo assim afirmou de homens que não aprenderam de um padrão moral autorizado e tinham um senso comum do direito e do errado. Eruditos modernos nos dizem que os povos mais rudimentares da terra têm consciência.
Não se pode dizer, portanto, que o homem tem consciência por causa dos ensinos morais que ele recebeu. Não se pode duvidar que a instrução moral aguça a consciência e faz sua sensibilidade mais pungente; mas a presença da consciência no pagão ignorante mostra que a educação moral não produz consciência.
A consciência, então, nos capacita da existência da lei. A existência da lei implica a existência de um legislador; logo a consciência humana atesta o fato da existência de Deus.
(4) Ordem, Desígnio e Adaptação no Universo,
Ordem, desígnio e adaptação permeiam o universo. "Desde que a ordem e a colocação útil permeiam o universo, deve existir uma inteligência adequada para dirigir esta colocação a fins úteis" (Strong, Systematic Theology, pág. 42).
Vemos ordem maravilhosa nos movimentos dos corpos celestes. Observamos desígnio admirável no fato de o homem respirar ar, tira muito do oxigénio e devolve o ar carregado de dióxido de carbono, que é inútil ao homem. As plantas, por sua vez, tomam o dióxido de carbono, um alimento essencial da planta, do ar, e deitam oxigénio. Temos admirável adaptação no ajuste do homem para viver sobre a terra e no ajuste da terra para lugar de habitação do homem.
Tudo disto evidencia um criador inteligente. É o suficiente para convencer a quaisquer cujas mentes não estão cegadas pelo preconceito. Alguém podia crer do mesmo modo que é por acidente que os rios nos países civilizados banham povoações e cidades como crer que a ordem, o desígnio e a adaptação no universo são produtos de mero acaso.
(5) A Bíblia
A referência aqui não é ao testemunho da Bíblia concernente à existência de Deus. É ilógico dar a autoridade da Bíblia como prova da existência de Deus, porque a autoridade da Bíblia implica a existência de Deus. Semelhante curso vale por perguntar a pergunta: Mas referimos aqui a:
A. A natureza do conteúdo da Bíblia
Bem falado foi que a Bíblia é um livro tal que o homem não o podia ter escrito, se o quisesse, como não o teria escrito, se pudesse. Ela revela verdades que o homem, deixado a si mesmo nunca podia ter descoberto. Uma discussão mais ampla desta fato virá no próximo capítulo. E, se o homem pudesse, porque escreveria ele um livro que o condena como criatura pecaminosa, falida, rebelde, merecendo a ira de Deus? É da natureza humana condenar-se assim a si mesma?
B. A profecia cumprida
O cumprimento minucioso de dezenas de profecias do Velho Testamento está arquivado em o Novo Testamento, o qual traz a evidência interna de uma história verosímil. O cumprimento da profecia evidencia um ser supremo que inspirou a profecia.
C. A Vida de Jesus
Aceitando o testemunho do Evangelho como possuindo as credenciais de uma história verosímil, vemos em Jesus uma vida singular. Nem a hereditariedade, nem o ambiente, as duas forças naturais na formação do carácter, podem dar conta de Sua vida. Assim temos evidência de um ser divino que habitou Jesus.
D. A Ressurreição de Jesus
A ressurreição de Jesus, como um fato sobrenatural e bem atestado mostra que Ele era divino. Temos assim subsequente evidência de que há um ser divino.
Prova da ressurreição de Jesus. Depois de ouvir uma conversação num trem entre dois homens que discutiam a possibilidade de ser enganado sobre a ressurreição de Jesus, W. E. Fendley, advogado de Mississippi, escreveu um artigo que foi publicado no "Western Recorder" de 9 de Dezembro de 1920. Ele abordou a matéria como advogado e deu as três seguintes razões para negar a plausibilidade da sugestão que o corpo de Jesus foi roubado: (1) "Não era ocasião oportuna para roubar o corpo". O fato que três festas judaicas ocorreram no tempo da crucificação certifica que as ruas de Jerusalém estariam cheias de gente. Por essa razão o Sr. Fendley diz que não era boa ocasião para roubar-se o corpo. (2) "Havia cinco penalidades de morte ligadas ao roubo do corpo e nenhuma delas foi imposta ou executada". As penalidades são dadas como sendo: primeira, por permitir que o selo fosse rompido; segunda, por quebrar o selo; terceira, por roubar o corpo; quarta, por permitir roubar o copo; quinta, por dormir quando em serviço. (3) "Nego outra vez o alegado sobre o fundamento de testemunho premeditado e não premeditado." E então ele mostra como os soldados vieram do sepulcro e disseram que um anjo os expulsara de lá e que, quando questionados pelos fariseus, disseram que o corpo de Jesus fora roubado enquanto eles, soldados, dormiam.
O Sr. Fendley prossegue dando cinco pontos que se devem crer para crer-se neste relatório dos soldados, que são: (1) "Devem crer que sessenta e quatro soldados romanos sob pena de morte dormiram todos de uma vez". (2) "Devem aceitar o testemunho dos dorminhocos". (3) "Devem crer que os discípulos, que estavam tão medrosos, todos de uma vez se tornaram tremendamente ousados". (4) "Outra vez, devem crer que os ladrões tiveram bastante tempo de dobrar as roupas mortuárias e colocá-las cuidadosamente a um lado". (5) "Também devem crer que esses discípulos arriscariam as suas vidas por um impostor defunto, quando o não fizeram por Salvador vivo".
3. O FATO DA EXISTÊNCIA DE DEUS É ACEITO QUASE UNIVERSALMENTE
Isto se dá como a terceira razão que justifica o curso seguido por Moisés em assumir e declarar o fato da existência de Deus sem oferecer quaisquer provas. Os raros que negam a existência de Deus são insignificantes. "As tribos mais baixas tem consciência, temem a morte, crêem em feiticeiras, propiciam ou afugentam maus destinos. Mesmo o fetichista, que a uma pedra ou a uma árvore chama de um deus, mostra que já tem a idéia de Deus" (Strong, Systematic Theology, pág. 31). "A existência de Deus e a vida futura são em toda a parte reconhecidas na África" (Livingstone).
Os homens sentem instintivamente a existência de Deus. Por que, então, alguns a negam? É por causa de falta de evidência? Não, é somente por não lhes agradar este sentimento. Ele os perturba na sua vida pecaminosa. Portanto, conjuram argumentos que erradiquem o pensamento de Deus de suas mentes. Todo ateu e agnóstico lutam, principalmente para convencer-se. Quando eles apresentam os seus argumentos a outrem, é em parte por um desejo de prová-los e em parte em defesa própria, nunca por um sentimento que suas idéias podem ser de qualquer auxílio a outros.
Um ateu é um homem que, por amor ao pecado, ou ao protagonismo, ou ao associativismo, alheia a sua mente e nega a condição de pecador e entra em guerra com o seu coração, a mente assalta o coração e usurpa o sentimento de Deus. O coração contra-ataca e compele a mente a reter o pensamento de Deus. Neste combate a mente, portanto, está constantemente procurando argumentos para usar como munição. Ao passo que descobre esses argumentos, desfere-os contra o coração com o mais alto barulho possível. Esta é a razão porque o ateu gosta de expor o seu pensamento. Está em guerra consigo mesmo e sente alguma confiança quando ele ouve o barulho dos seus canhões.
Há evidências, contudo, de que a mente do ateu nunca está inteiramente vitoriosa sobre o seu coração. Hume disse a um amigo quando andavam numa noite estrelada: "Adão, há um Deus". Shelley, que foi excluído de Oxford por escrever um panfleto sobre a "Necessidade de Ateísmo", deliciou-se em pensar de um belo espírito intelectual permeando o universo. Voltaire, diz-se, orou numa tempestade alpina e, ao morrer, disse: "Ó Deus - se houver um Deus - tem misericórdia de mim". Portanto, pode-se concluir com Calvino: "Os que julgam rectamente concordarão sempre em que há um senso indelével de divindade gravado sobre as mentes dos homens."
Antes de passar adiante, presume-se bom notar as fontes desta crença quase universal na existência de Deus. Há duas fontes desta crença; a saber:
(1) A Tradição.
Cronologicamente, nossa crença em Deus vem da tradição. Recebemos nossas primeiras ideias de Deus de nossos pais. Não há dúvida que isto tem sido verdade de cada sucessiva geração desde o princípio. Mas não basta a tradição para dar conta da aceitação quase universal do fato da existência de Deus. O fato que somente uns poucos repelem esta aceitação (é duvidoso que alguém sempre a rejeite completamente) mostra que há uma confirmação íntima na crença tradicional da existência de Deus. Isto aponta-nos à segunda fonte desta crença, que é:
(2) Intuição.
Logicamente, nossa crença em Deus vem da intuição. Intuição é a percepção imediata da verdade sem um processo cônscio de arrazoamento. Um fato ou verdade assim percebidos chama-se uma intuição. Intuições são "primeiras verdades", sem as quais séria impossível todo pensamento refletivo. As nossas mentes são constituídas de tal modo a envolverem estas "verdades primárias" logo que se apresentem as devidas ocasiões.
A. Prova que a crença quase universal em Deus procede logicamente da intuição e não de argumentos:
(a) A grande maior dos homens nunca tentou arrazoar o fato da existência de Deus, nem são capazes de semelhante arrazoamento, que servisse para lhes fortificar a crença na existência de Deus.
(b) A energia da crença dos homens na existência de Deus não existe em proporção ao desenvolvimento da faculdade pensante, como seria o caso se essa crença fosse primariamente o resultado de arrazoamento.
(c) A razão não pode demonstrar cabalmente o fato da existência de Deus. Em todo o nosso arrazoamento sobre a existência de Deus devemos começar com admissões intuitivas que não podemos demonstrar. Assim, quando os homens aceitam o fato da existência de Deus, aceitam mais do que a exacta razão os levaria a aceitarem.
B. A existência de Deus como "Verdade Primária".
(a) Definição. "Uma verdade primária é um conhecimento que, conquanto desenvolvido em ocasiões de observação e reflexão, delas não se deriva, - um conhecimento, pelo contrário, que tem tal prioridade lógica que deve ser assumido ou suposto para se fazer qualquer observação e reflexão possíveis. Semelhantes verdades não são, portanto, reconhecidas como primeiras em ordem de tempo; algumas delas assentam um tanto tarde no crescimento da mente; pela grande maioria dos homens elas nunca são conscienciosamente formuladas, de modo algum. Contudo, elas constituem a presunção necessária sobre a qual descansa todo outro conhecimento, tendo a mente não só a capacidade inata de envolvê-las logo que se apresentem as devidas ocasiões se não também o reconhecimento delas como inevitável logo que a mente principia a dar a si mesma conta de seu próprio conhecimento" (Strong, Systematic Theology, pág. 30).
(b) Prova. "Os processos do pensamento reflexivo implicam que o universo está fundado na razão e é a expressão dela" (Harris, Philosophic Basic of Theism). "A indução descansa sobre a presunção, como ela exige para seu fundamento, que existe uma divindade pessoal e pensante... Ela não tem sentido ou valia a menos que assumamos estar o universo constituído de tal modo que pressuponha um originador absoluto e incondicional de suas forças e leis... Analisamos os diversos processos do conhecimento nos seus pressupostos e achamos que o dado que se supõe a eles todos é o de uma inteligência auto-existente" (Porter, Human Intellect). "A razão pensa em Deus como existente e ela não seria razão se não pensasse em Deus como existente" (Dorner, Glaubenslehre). É por esta razão que Deus disse na Sua Palavra: "Disse o tolo no seu coração: Não há Deus" (Salmo 14:1). Só um tolo negará a existência de Deus. Alguns tolos tais são educados; alguns sem letra, mas, não obstante, são tolos, porque não tem conhecimento ou ao menos não reconhecem nem mesmo o princípio da sabedoria, o temor do Senhor. Veja Provérbios 1:7.
II. A existência de Deus não é demonstrável matematicamente, contudo, é mais certa do que qualquer conclusão da razão.
1. A EXISTÊNCIA DE DEUS NÃO É DEMONSTRÁVEL MATEMÁTICAMENTE.
A respeito de todos os argumentos a favor do fato da existência de Deus, diz Strong: "Estes argumentos são prováveis, não demonstráveis" (Systematic Theology, pág. 39). Lemos outra vez: "Nem pretendi que a existência, ainda a deste Ser, pode ser demonstrada como demonstramos as verdades abstractas da ciência" (Diman, Theistic Argument, pág. 363). Strong cita Andrew Fuller como questionando "se a argumentação a favor da existência de Deus não tem mais cépticos do que crentes"; e então acrescenta: "Tanto quanto isto é verdade, devido é a uma saciedade de argumentos e à noção exagerada do que se pode esperar deles" (Systematic Theology, pág. 40).
2. A EXISTÊNCIA DE DEUS, CONTUDO, É MAIS CERTA DO QUE QUALQUER CONCLUSÃO DA RAZÃO.
Leia as citações dadas apara mostrar a existência de Deus é uma "verdade primária", uma verdade que está assumida por todos no processo da razão, "O que nega a existência de Deus deve assumir, tacitamente, essa existência no seu próprio argumento, por empregar processos lógicos cuja validade descansa sobre o ato da existência de Deus" (Strong, Systematic Theology, pág. 33). É uma verdade axiomática que aquilo que é o fundamento de toda a razão é mais certo do que qualquer conclusão da razão. "Não podemos provar que Deus é, mas podemos mostrar que, em face de qualquer conhecimento, pensamento, razão do homem, deve o homem assumir que Deus é" (Strong, Systematic Theology, pág. 34).
3. A EXISTÊNCIA DE DEUS NÃO É O ÚNICO FATO QUE NÃO PODE SER DEMONSTRADO MATEMATICAMENTE.
Nenhum homem pode demonstrar a existência do tempo, do espaço, ou a realidade da matéria por um processo estritamente lógico. Não se pode demonstra nem a realidade de sua própria existência. Não podemos provar absolutamente que não é alucinação tudo quanto vemos, ouvimos e sentimos. Todavia, nós nos sentimos certos sobre essas coisas e pouca gente alguma vez pensou em discuti-las. Quem o faz é considerado um energúmeno. O mesmo séria sempre verdade do que questionasse a existência de Deus. Um agnóstico ou um ateu, para serem coerentes, teriam, de assumir a mesma atitude para com toda a verdade cientifica como a que assume para com a existência de Deus; porque todos os ramos da ciência devem confiar nas intuições da mente como o fundamento de toda a observação.
"A gente mais irrazoável do mundo é aquela que no sentido estreito depende unicamente da razão" (Strong). "A crença em Deus não é a conclusão de uma demonstração, mas a solução de um problema" (Strong); e esse problema é o problema da origem do universo. "O universo, como um grande fato, requer uma explanação racional e ... e a explanação que se pode possivelmente dar é essa fornecida na concepção de um tal Ser (como Deus). Nesta conclusão a razão descansa e recusa-se a descansar em qualquer outra" (Diman, Theistic Argument). "Chegamos a uma crença científica na existência de Deus tanto como a qualquer outra verdade humana possível. Assumímo-la como uma hipótese absolutamente necessária para dar conta do fenômeno do universo; então evidência de todos os cantos começa a convergir sobre ela, até que, no processo do tempo, o senso comum da humanidade, cultivado e iluminado pelo conhecimento sempre crescente, pronuncia-se sobre a validade da hipótese com uma voz escassamente menos decidida e universal do que ele o faz no caso de nossas mais elevadas convicções científicas" (Morell, Philosiphic Fragments). Logo, podemos dizer: "Deus é o fato mais certo do conhecimento objetivo" (Bowne, Metaphysics).
III. A existência de Deus, portanto, pode ser tomada por concedida e proclamada ousadamente.
Os fatos precitados deveriam fazer o pregador ousado na sua proclamação do fato da existência de Deus, não temendo de proclamá-la confiadamente aos profanos. Estamos sobre terreno seguro em proclamar esta verdade. Nenhum homem pode logradamente contrariar nossa mensagem.
Vezes há, talvez, quando o pregador no púlpito devera discutir as evidências da existência de Deus; todavia, como uma coisa usual, ele deveria assumi-la e declará-la como Moisés fez. E quando ele trata das evidências da existência de Deus, não as sobrecarregue de modo a deixar a impressão que a validade do fato da existência de Deus depende de uma rigorosa demonstração racional.

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04

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