"Não se turbe o vosso coração;
credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se
não fosse assim eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e
vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que,
onde eu estiver estejais vós também" (João 14:1-3). [a]
Jesus Cristo, depois da sua morte e
ressurreição no ano 31 da nossa era, subiu aos céus prometendo que voltaria para
destruir a maldade e instaurar o seu reino onde a paz e a felicidade eternas serão
estabelecidas. [b]
"Porém daquele Dia e hora
ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu
Pai... Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da
noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua
casa. Por isso, estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir
à hora em que não penseis"(Mateus 24:36,43,44).
É por esta
razão que não devemos nos deter em especulações quanto às datas, que Deus não
revelou. Jesus nos disse que vigiemos, mas sem fixar uma data definida.
Não podemos nos assegurar que Jesus regressará dentro de um, dois ou cinco anos,
nem tampouco devemos atrasar sua vinda dizendo que talvez não se produza nem em
dez, nem em vinte anos [c]
Contudo é claro que nenhum ser
humano sabe o momento exato da vinda de cristo, Deus o sabe e não
permitira que este acontecimento chegue sem aviso para aqueles que o
estejam esperando:
"Porque vós mesmos sabeis muito bem
que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há
paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de
parto àquela que está grávida; de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já
não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como ladrão"(1
Tessalonicenses 5:2-4).
Por
quê razão este grupo não permanece em trevas? O que lhes permite conhecer o que
o resto do mundo ignora?
"E
temos, mui firme, a palavra dos profetas, a qual bem fazeis em estar
atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro..." (2 Pedro
1:19).
Segundo o ensinado pelo Senhor
Jesus Cristo, estar atento à palavra dos profetas é o que nos permitirá conhecer
quão perto se encontra o dia de seu segundo advento:
"Aprendei, pois, esta parábola da
figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que
está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que
ele está próximo, às portas" (Mateus 24:32-33).
Que
coisas? Há aproximadamente dois mil anos os discípulos preocupados com este
mesmo assunto consultaram a seu mestre, que lhe revelou as mais importantes.
Esta conversa está registrada na Bíblia para nosso
conhecimento.
Se
você é daquelas pessoas que gostam de estar em dia com as notícias certamente
verá nesta declaração de Jesus Cristo, uma impressionante descrição do que está
acontecendo agora mesmo no mundo. Se você comprar o jornal de hoje é
muito provável que encontre informações acerca de `seres iluminados' que
asseguram que são a encarnação de Cristo e que vieram para salvar o mundo.
Também lerá sobre as últimas guerras suscitadas no Oriente Médio e outras zonas
de conflito. Lerá acerca dos últimos rumores de guerras anunciadas por
astrólogos lendários como Nostradamus ou outros videntes modernos, se inteirará
dos milhares de mortos e milhões de feridos deixados pelo último terremoto em
algum lugar do planeta, se informará da última epidemia coletiva nos países
europeus e do novo vírus letal criado por acidente em um laboratório de
prestigio em manipulação genética. Tomará consciência da desolação na Etiópia,
onde seus habitantes morrem por falta de alimentos. Lerá sobre a crise econômica
mundial e da terrível taxa de desemprego que está fazendo que cada vez mais
pessoas tenham fome, mesmo nos países mais industrializados.
Apesar do incrível cumprimento das
palavras de Cristo, devemos levar em conta que embora elas anunciem que Ele vem,
estes sinais não são os últimos nem os definitivos. Se leres esta
passagem com cuidado notarás que Jesus Cristo disse: "mas ainda não é o
fim" e "tudo isto é só o princípios das dores". [d]
"Então, vos hão de entregar para
serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por
causa do meu nome. Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão
uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos
profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o
amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E
este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas
as gentes, e então virá o fim" (Mateus 24:9-14).
Observe a diferença da primeira
parte de seu sermão, neste trecho Jesus faz alusão direta aos eventos que devem
acontecer pouco antes do fim do tempo, pois termina com as palavras "e
então vira o fim". Resumamos estes eventos:
Embora muitos intérpretes citem
estes quatros pontos como se tratassem de fatos isolados, o contexto mostra que
eles na realidade, fazem parte de uma mesma profecia, pois o ódio e o desamor
dos habitantes da terra, somados à obra dos falsos profetas darão como resultado
a perseguição e morte daqueles que se levantam para pregar o evangelho do Reino
de Deus. Esta conclusão é completamente confirmada por Jesus no livro de
Apocalipse:
Advertência: O que é
descrito na passagem seguinte não é literal em todos os seus aspectos. Apenas
mostra, por meio de símbolos, os personagens e os eventos implicados no
grande conflito que se desencadeará antes da vinda de Cristo.
Note que esta passagem de
Apocalipse menciona os mesmos elementos de Mateus 24 com uma semelhança
impressionante. Comparemos em detalhes as duas passagens:
Todo o anterior confirma que
Apocalipse é, em si mesmo uma extraordinária ampliação dos eventos expostos pelo
Senhor Jesus em Mateus 24:9-14 e que na realidade são uma mesma profecia, por
meio da qual podemos saber com exatidão quão perto ou quão distante se encontra
o "fim do mundo".
É
importante ressaltar que apesar da vinda de Jesus estar muito perto, ainda não
está "às portas". Somente quando o mundo inteiro se unir contra o povo de Deus,
quando se decrete a morte sobre os que se negam prestar adoração a besta e a sua
imagem (lembre que são símbolos), poderemos saber com certeza que a vinda de
Cristo é iminente.
Amigo leitor, não permita que seu
coração se angustie e desanime com o que diz esta profecia. É certo que os que
se neguem a adorar a besta e a sua imagem serão perseguidos até as últimas
conseqüências, mas também é certo que Deus é nosso Pai, nos ama e não nos
deixará sozinhos na prova:
"Dizei aos turbados de coração:
Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança,
com recompensa de Deus; Ele virá e vos salvará." (Isaías
35:4).
Ainda se necessário fosse dar a
vida por causa da pregação do evangelho, ou se nosso corpo sofresse dor, e
aflição nosso coração, tão pouco devemos temer, pois se cultivamos nossa
amizade com Jesus e fazemos dele o centro de nossas vidas, finalmente
venceremos:
"Porque qualquer um que quiser
salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor
de mim e do evangelho esse a salvará" (Marcos 8:35).
A
Bíblia nos diz, também, que não será necessário que todos os filhos de Deus
percam a vida, pois haverá um grande número deles que serão protegidos
durante este tempo e verão Cristo voltar sem terem conhecido a morte. O apóstolo
Paulo descreve esta verdade de modo que nos anima a colocar nossa esperança no
glorioso destino que espera aos que permaneçam firmes e
constantes:
"Porque o mesmo Senhor descerá do
céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que
morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos
vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos
ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos
outros com estas palavras" (1 Tessalonicenses 4:16-18).
• Os
personagens que intervirão no conflito final já estão presentes e apenas esperam
a oportunidade para tomar seu papel no último grande drama da história deste
mundo. É importante que todo aquele que crê na palavra bíblica como única regra
de fé e prática, investigue com diligência a quê ou a quem se referia Jesus
Cristo nas passagens proféticas de Mateus 24 e Apocalipse.
Referência:• Perguntas como: Quem é a besta? Qual será sua marca? Quem é a imagem? Quem é o falso profeta? Quem é a grande Babilônia? Quem são os três anjos que cortam o céu anunciando o evangelho eterno? São respondidas em um estudo completo sobre o assunto que acabamos de finalizar, inicie a leitura agora, ou faça o download do estudo completo em forma de e-book(Livro virtual) para seu computador, escolha abaixo a opção que preferir: |
2 de novembro de 2012
Quando Voltará Jesus?
1 de novembro de 2012
Levanta-te e vai ter com o PAI
INTRODUÇÃO:
- Uma das histórias mais significativas contadas por Jesus, para ilustrar o plano da Redenção, é a Parábola do Filho Pródigo.
- O filho pródigo é um símbolo do pecador: consciente de ter pecado e desejoso de reconciliar-se com o Pai.
- O filho pródigo disse: “Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai”
I. O caminho para a salvação:
1- Só há um
caminho que nos conduz à Salvação: Actos 4:12 – nenhum outro nome.
2- Um aflito
carcereiro fez a angustiante pergunta: Actos 16:30 – “Que devo fazer para que
seja salvo?”
* A resposta
de Paulo foi: Actos 16:31 – Crê no Senhor Jesus e serás salvo”
II. 3 PASSOS PARA A SALVAÇÃO:
1-
1º PASSO: ARREPENDIMENTO: Actos 2:38 e 3:19-20.
- O que é o arrependimento?
- O verdadeiro arrependimento é tristeza pelo pecado e desejo de abandoná-lo.
- II Coríntios 7:9 - É a tristeza segundo Deus. - Tristeza para a Salvação.
- Dois exemplos de arrependimento:
* Pedro: S.
Mateus 27:75
Chorou
amargamente e aceitou o amor de Jesus: João 21:15-17: “Senhor, Tu sabes que te
amo!”
* Judas:
Mateus 27:3-5
O
arrependimento de Judas não foi sincero. Levou-o à morte, não à vida.
* Não há
salvação sem arrependimento.
2-
2º PASSO: CONFISSÃO.
- O arrependimento não é genuíno se não houver disposição de confessar o pecado.
- Lemos na Bíblia: Provérbios 28:13
- Aquele que esconde o seu pecado, e não o confessa, jamais pode alcançar o perdão de Deus.
- Em I João 1:9 diz: “Se confessarmos…os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar”
- A confissão deve ser específica. Não chega dizer: - Senhor, perdoa todos os meus pecados. Temos que confessar, fazendo menção dos pecados que conscientemente cometemos. - Salmo 32:5
- São Tiago ensina que devemos confessar-nos uns aos outros. Isto é, os pecados são confessados a Deus; pois somente Deus pode perdoar pecados. As ofensas são confessadas ao próximo. Jesus ensinou isto na oração do Pai Nosso: Mateus 6:14.
3-
3º PASSO: CONSAGRAÇÃO COMPLETA A DEUS.
- Jeremias 29:13: Deus não pode aceitar um coração dividido.
- S. Marcos 12:30: Ou amamos a Deus de todo o coração, ou não amamos. Um dicionário Bíblico, tem uma interpretação muito interessante do que significa “amar a Deus”:
“Quando eu
dilato os meus pulmões, o ar entra
Quando eu abro
os olhos, a luz penetra.
Quando aro o
coração, Cristo entra.
Quando Ele entra,
quando confio n´Ele, Ele derrama a Sua via e riqueza na minha vida.
Quando estendo
a mão, Ele a enche com as bênçãos do Céu.
A plenitude do
Seu amor, beleza, pureza e justiça me pertencem”
- Ainda em relação ao amor a Deus, o mesmo Dicionário acrescenta:
“…O que
realmente conta é o Judeu de Nazaré, nascido num estábulo, criado num lar de
carpinteiro, numa casa de chão batido, e que morreu para nos salvar, Ele é quem
dá significado à vida”
II Coríntios
5:17
- Quando
Cristo nos justifica, os desejos e pensamentos, palavras e actos, devem ser
postos em obediência à vontade de Cristo. Então toda a vida é renovada.
III. CONCLUSÃO:
1-
Ilustração: uma menina contou como era a sua vida com
Jesus:
Jesus mora no
meu coração. E quando Satanás bate à porta do meu coração, não sou eu que vai
abrir. Eu peço a Jesus para atender. E quando Jesus abre a porta, Satanás olha
espantado para Jesus e diz: - Oh, desculpe, eu bati na porta errada.
2-
Tomemos a decisão de permitir a Jesus de dirigir a
nossa vida.
3-
Doce e suave é o convite de Jesus: Mateus 11:28-30.
Quando olho os
meus pecados, não sei como possa ser salvo; mas quando olho a Jesus, vejo que
há esperança para mim, se eu quiser. Eu tenho ajudado durante a minha vida
muitas pessoas a dar o coração a Jesus. Durante uma outra parte da minha vida,
abdiquei do ministério que o Senhor tinha traçado para mim para salvar o meu
filho. Agora, agora irmãos e amigos eu decido deixar que Jesus me salve a mim.
4-
Há 3 pessoas em cada um de nós:
1ª A pessoa
que nós sabemos que somos.
2ª A pessoa que
os outros pensam que nós somos.
3ª A pessoa
que Deus sabe que nós podemos ser por meio de Cristo. Esta é a pessoa que eu
quero ser.
JCJC
29 de outubro de 2012
Feitiçaria antiga e moderna
O relato escriturístico da visita de Saul à mulher de En-Dor, tem sido uma fonte de perplexidade a muitos estudiosos da Bíblia. Há alguns que assumem a posição de que Samuel estava efetivamente presente na entrevista com Saul; mas a própria Bíblia oferece base suficiente para uma conclusão contrária. Se, como alguns pretendem, Samuel estava no Céu, ele deveria ter sido chamado dali, ou pelo poder de Deus, ou pelo de Satanás. Ninguém poderá crer por um momento sequer que Satanás tivesse poder para chamar do Céu o santo profeta de Deus para honrar os enganos de uma mulher perdida. Tampouco podemos concluir que Deus o chamasse à caverna da feiticeira; pois o Senhor já Se havia recusado a comunicar-Se com Saul, por meio de sonhos, por Urim, ou por profetas. 1 Samuel 28:6. Tais eram os meios indicados por Deus para a comunicação, e Ele os não preteriria para transmitir a mensagem pela operação de Satanás.
Quase todas as formas da antiga feitiçaria e encantamentos baseavam-se na crença da comunicação com os mortos. Aqueles que praticavam as artes da necromancia pretendiam ter relações com os espíritos dos mortos, e obter por meio deles conhecimento de acontecimentos futuros. A este costume de consultar os mortos se faz referência na profecia de Isaías: “Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; — não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?” Isaías 8:19.
Essa mesma crença na comunicação com os mortos formou a pedra fundamental da idolatria gentílica. Os deuses dos gentios acreditava-se que eram os espíritos deificados dos heróis mortos. Assim a religião dos gentios era um culto aos mortos. Isto se evidencia pelas Escrituras. No relato do pecado de Israel em Bete-Peor, declara-se: “E Israel deteve-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. E convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses. Juntando-se pois Israel a Baal-Peor”. Números 25:1-3. O salmista nos diz a que espécie de deuses estes sacrifícios eram oferecidos. Falando da mesma apostasia dos israelitas, diz ele: “Juntaram-se com Baal-Peor, e comeram os sacrifícios dos mortos“, isto é, sacrifícios que tinham sido oferecidos aos mortos. Salmos 106:28.
A deificação dos mortos tem tido lugar preeminente em quase todo sistema de paganismo, como também tem a suposta comunicação com os mortos. Acreditava-se que os deuses comunicavam sua vontade aos homens, e davam-lhes também conselhos, quando consultados. Desta natureza eram os famosos oráculos da Grécia e de Roma.
A crença na comunicação com os mortos é ainda mantida, mesmo nos países professos cristãos. Sob o nome de Espiritismo, a prática de comunicar-se com os seres que pretendem ser os espíritos dos mortos, tem-se espalhado largamente. É ela calculada a ganhar as simpatias daqueles que depuseram seus queridos na sepultura. Seres espirituais algumas vezes aparecem a pessoas sob a forma de seus amigos falecidos, e relatam incidentes ligados com sua vida, e efetuam atos que realizavam quando vivos. Deste modo levam os homens a crerem que seus amigos mortos são anjos que pairam sobre eles, e com eles se comunicam. Aqueles que assim pretendem ser espíritos dos mortos, são considerados com certa idolatria, e para muitos sua palavra tem maior valor do que a Palavra de Deus.
Muitos há contudo, que consideram o espiritismo como um simples engano. As manifestações pelas quais ele apóia suas pretensões a um caráter sobrenatural, são atribuídas à fraude por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da velhacaria tenham sido muitas vezes apresentados como manifestações genuínas, tem havido também provas notáveis de poder sobrenatural. E muitos que rejeitam o espiritismo como resultado da esperteza ou astúcia humana, quando defrontados com manifestações que não possam explicar sob este ponto de vista, serão levados a reconhecer suas pretensões.
O espiritismo moderno, e as formas da antiga feitiçaria e adoração de ídolos — tendo todos a comunicação com os mortos como seu princípio vital — fundam-se naquela primeira mentira pela qual Satanás seduziu Eva no Éden: “Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes [...] sereis como Deus”. Gênesis 3:4, 5. Baseados na falsidade e perpetuando esta, são semelhantemente oriundos do pai da mentira.
Aos hebreus era expressamente proibido empenhar-se, sob qualquer forma, em pretensa comunicação com os mortos. Deus fechou eficazmente esta porta quando disse: “Os mortos não sabem coisa nenhuma. [...] E já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol”. Eclesiastes 9:5, 6. “Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos”. Salmos 146:4. E o Senhor declarou a Israel: “Quando uma alma se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir após deles, Eu porei a Minha face contra aquela alma, e a extirparei do meio do seu povo”. Levítico 20:6.
Os “espíritos familiares” não eram espíritos dos mortos, mas anjos maus, mensageiros de Satanás. A antiga idolatria, que, como vimos, compreende tanto o culto aos mortos como a pretensa comunicação com eles, declara-se na Bíblia ter sido culto aos demônios. O apóstolo Paulo advertindo seus irmãos contra o participarem de qualquer maneira da idolatria de seus vizinhos pagãos, diz: “As coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios”. 1 Coríntios 10:20. O salmista, falando de Israel, diz que “sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios”; e no versículo seguinte explica que os sacrificaram “aos ídolos de Canaã”. Salmos 106:37, 38. Em seu suposto culto aos mortos, estavam na realidade adorando demônios.
O espiritismo moderno, repousando sobre a mesma base, não é senão um reavivamento, sob uma nova forma, da feitiçaria e culto aos demônios que Deus condenou e proibiu na antiguidade. Acha-se ele predito nas Escrituras, que declaram que “nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. 1 Timóteo 4:1. Paulo, em segunda carta aos tessalonicenses, indica a operação especial de Satanás pelo espiritismo, como um acontecimento a ocorrer imediatamente antes do segundo advento de Cristo. Falando da segunda vinda de Cristo, declara que ela é “segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira”. 2 Tessalonicenses 2:9. E Pedro, descrevendo os perigos a que a igreja estaria exposta nos últimos dias, diz que, assim como houve falsos profetas que levaram Israel ao pecado, haverá falsos ensinadores “que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou. [...] E muitos seguirão as suas dissoluções”. 2 Pedro 2:1, 2. Aqui o apóstolo indicou uma das mais assinaladas características dos ensinadores espíritas. Eles se recusam a reconhecer a Cristo como o Filho de Deus. Com relação a tais instrutores o amado João declara: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai”. 1 João 2:22, 23. O espiritismo, negando a Cristo, nega tanto ao Pai como ao Filho, e a Bíblia denuncia-o como manifestações do anticristo.
Pela predição da sorte de Saul, dada mediante a mulher de En-Dor, planejava Satanás enredar o povo de Israel. Esperava que se lhes inspirasse confiança na feiticeira, e fossem levados a consultar a mulher. Assim se desviariam de Deus como seu conselheiro, e colocar-se-iam sob a guia de Satanás. O engodo pelo qual o espiritismo atrai as multidões é o seu pretenso poder de descerrar o véu do futuro, e revelar aos homens o que Deus ocultou. Deus desvendou em Sua Palavra diante de nós os grandes acontecimentos do futuro — tudo que nos é essencial sabermos; e deu-nos um guia seguro para nossos pés por entre todos os seus perigos; é, porém, intuito de Satanás destruir a confiança dos homens em Deus, torná-los descontentes com sua condição na vida, e levá-los a procurar conhecimento daquilo que Deus sabiamente lhes encobriu, e desprezar o que Ele revelou em Sua santa Palavra.
Há muitos que se tornam inquietos quando não podem saber o desfecho definido das questões. Não podem suportar a incerteza, e em sua impaciência recusam-se a esperar para verem a salvação de Deus. A apreensão de males impele-os quase à loucura. Dão lugar aos seus sentimentos de rebelião, correm de um lado para outro, com mágoa intensa, procurando entendimento a respeito daquilo que não foi revelado. Se tão-somente confiassem em Deus, e vigiassem e orassem, encontrariam consolo divino. Seu espírito se acalmaria pela comunhão com Deus. Os cansados e oprimidos encontrariam descanso para suas almas, se tão-somente fossem a Jesus; mas, quando rejeitam os meios que Deus ordenou para o seu conforto, e recorrem a outras fontes, esperando saber o que Deus recusou revelar, cometem o erro de Saul, e deste modo apenas obtêm conhecimento do mal.
Deus não Se agrada com esta conduta, e Ele o exprimiu nos termos mais explícitos. Esta impaciente pressa de rasgar o véu do futuro revela falta de fé em Deus, e deixa a alma aberta às sugestões do máximo enganador. Satanás leva os homens a consultar os que têm espíritos familiares; e, revelando coisas ocultas do passado, inspira confiança em seu poder para predizer coisas vindouras. Pela experiência adquirida através dos longos séculos, ele pode raciocinar partindo das causas aos efeitos, e predizer muitas vezes, com certo grau de precisão, alguns dos acontecimentos futuros da vida do homem. Assim está ele habilitado a enganar pobres almas transviadas, e levá-las sob seu poder, e conduzi-las cativas à sua vontade.
Deus nos deu esta advertência pelo Seu profeta: “Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre dentes; — não recorrerá um povo ao seu Deus? a favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta Palavra, não haverá manhã para eles”. Isaías 8:19, 20.
Aqueles que têm um Deus santo, infinito em sabedoria e poder, irão aos adivinhos, cujo saber vem de sua intimidade com o inimigo de nosso Senhor? Deus mesmo é a luz de Seu povo; Ele lhes manda fixar os olhos, pela fé, nas glórias que estão veladas à vista humana. O Sol da justiça envia ao coração Seus brilhantes raios; eles têm luz do trono dos Céus, e não têm o desejo de desviar-se da fonte de luz aos mensageiros de Satanás.
A mensagem do demônio a Saul, posto que fosse uma denúncia de pecado e uma profecia de castigo, não visava corrigi-lo, mas instigá-lo ao desespero e à ruína. Muitas mais vezes, porém, presta-se melhor aos intuitos do tentador atrair os homens à destruição pela lisonja. O ensino dos deuses-demônios, nos antigos tempos, favorecia a mais baixa licenciosidade. Os preceitos divinos, que condenam o pecado e impõem a justiça, eram postos de lado; a verdade era considerada levianamente, e a impureza não somente era permitida como também ordenada. O espiritismo declara que não há morte, pecado, juízo, ou condenação; que “os homens são semideuses não decaídos”; que o desejo é a mais elevada lei; e que o homem é apenas responsável a si. As barreiras que Deus ergueu para proteger a verdade, a pureza e a reverência, são afastadas, e muitos assim se tornam audazes no pecado. Não sugere tal ensino uma origem semelhante à do culto aos demônios?
O Senhor apresentou a Israel os resultados de entreterem comunicação com os espíritos maus, nas abominações dos cananeus: eles eram sem afeição natural, idólatras, adúlteros, homicidas e abomináveis por todo pensamento corrupto e prática revoltante. Os homens não conhecem seu próprio coração; pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso”. Jeremias 17:9. Mas Deus compreende as tendências da natureza depravada do homem. Naquele tempo, como agora, Satanás estava vigilante para acarretar condições favoráveis à rebelião, a fim de que o povo de Israel se tornasse tão aborrecível a Deus como foram os cananeus. O adversário das almas está sempre alerta para abrir canais à torrente livre de males sobre nós; pois deseja que sejamos arruinados e condenados diante de Deus.
Satanás estava decidido a conservar a posse da terra de Canaã; e, quando se tornou ela a habitação dos filhos de Israel, e a lei de Deus se fez a lei do país, ele odiou a Israel com ódio cruel e funesto, e tramou a sua destruição. Pela operação de espíritos maus, deuses estranhos foram introduzidos; e, por causa da transgressão, o povo escolhido foi finalmente disperso da terra da promessa. Esta história Satanás está esforçando para repetir em nosso tempo. Deus está tirando Seu povo das abominações do mundo, a fim de que guardem Sua lei; e, por causa disto, a ira do “acusador de nossos irmãos” não tem limites. “O diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo”. Apocalipse 12:10, 12. A terra antitípica da promessa está precisamente diante de nós, e Satanás está resolvido a destruir o povo de Deus, e separá-lo de sua herança. O aviso: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Marcos 14:38), nunca foi mais necessário do que hoje.
A palavra do Senhor ao antigo Israel é também dirigida a Seu povo nesta época: “Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles” (Levítico 19:31); “pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor”. Deuteronômio 18:12.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Capítulo 67.
Memória diante de Deus
As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória
diante de Deus. Atos dos Apóstolos 10:4.
Favor maravilhoso, para qualquer homem nesta vida, é ser
elogiado por Deus como foi Cornélio. E qual foi a razão dessa aprovação? —
“Tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus.”
Nem orações nem esmolas têm em si mesmas qualquer virtude,
para que recomendassem a Deus o pecador; a graça de Cristo, mediante Seu
sacrifício expiatório, tão-somente, pode renovar o coração, e tornar aceitável
a Deus nosso serviço. Esta graça operou no coração de Cornélio. Embora ele não
conhecesse o Filho de Deus tal como foi revelado em Sua vida na Terra, o
Espírito de Cristo lhe falara ao coração; Jesus o atraíra, e ele cedera à
atração. Suas orações e esmolas não foram extorquidas dele, ou conseguidas com
insistência; não eram o preço que ele procurava pagar a fim de assegurar o Céu,
mas eram, sim, o fruto do amor e gratidão a Deus.
Tal oração, de um coração sincero, ascende ao Senhor qual
incenso; e as ofertas à Sua causa, e as dádivas aos necessitados e sofredores,
são um sacrifício que bem Lhe agrada. Assim as dádivas dos irmãos filipenses,
que supriam as necessidades do apóstolo Paulo, quando prisioneiro em Roma, são
chamadas “cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.”
Filipenses 4:18.
Orações e esmolas acham-se estritamente ligadas entre si,
como expressão do amor a Deus e aos nossos semelhantes. São a atuação de dois
grandes princípios da lei divina: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o
teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as
tuas forças; e… amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Marcos 12:30, 31. Assim,
embora nossas ofertas não nos recomendem a Deus, nem nos ganhem o Seu favor por
merecimento, são uma prova de que recebemos a graça de Cristo. São uma
demonstração da sinceridade de nossa profissão de amor.
As ofertas que são o fruto da negação de si mesmo, motivadas
pelo amor, são representadas pelas palavras proferidas por Deus a Cornélio: “As
tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus.” Atos
dos Apóstolos 10:4. Quem não deseja tais memórias — ações que estão perante
Deus qual voz que fala em favor do instrumento humano, mantendo nosso nome
sempre presente e fragrante no santuário celestial?
Ellen G. White, Nos Lugares Celestiais, pág. 314.
28 de outubro de 2012
Os Dez Mandamentos (Explicações)
Êxodo 20. 1 a 17
1 - Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o
Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás
outros deuses diante de mim.
2 - Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma
semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas
debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor
teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a
terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a
milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
3 - Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o
Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
4 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias
trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu
Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu
servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está
dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o
mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor
o dia do sábado, e o santificou.
5 - Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os
teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
6 - Não matarás.
7 - Não adulterarás.
8 - Não furtarás.
9 - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
10 - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a
mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o
seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
O recebimento de Deus dos Dez Mandamentos é um dos mais
significativos acontecimentos do Antigo Testamento. A formação da nação judaica
está conectada com os Dez Mandamentos. Realmente, antes do recebimento dos
mandamentos, no Egito vivia uma tribo semítica de escravos humildes; após a
legislação do Sinai surgia o povo chamado para crer e servir a Deus. Deste povo
surgiram os grandes profetas, apóstolos e santos dos primeiros tempos do
cristianismo. Deste mesmo povo nasceu da carne o Próprio Salvador do mundo — o
Senhor Jesus Cristo.
As circunstâncias do recebimento dos Dez Mandamentos são
narradas no livro do Êxodo, capítulos 19, 20 e 24. Há aproximadamente 1500 anos
antes do Nascimento de Cristo, após os grandes milagres realizados pelo profeta
Moisés no Egito, o faraó foi forçado a soltar o povo hebreu, o qual tendo
atravessado milagrosamente o Mar Vermelho, caminhou para o sul pelo deserto da
península de Sinai, dirigindo-se à terra prometida. No quinquagésimo dia após a
saída do Egito, o povo hebreu chegou ao pé do monte Sinai e ali acampou. Moisés
subiu ao alto do morro e o Senhor o chamou nestes termos: "Diz aos filhos
de Israel: se obedecerdes à Minha voz e guardardes Minha aliança, sereis o Meu
povo." Quando Moisés comunicou aos israelitas as palavras que Deus lhe
ordenara repetir, eles responderam: "Faremos tudo o que o Senhor
disse." Então o Senhor instruiu Moisés para preparar o povo a receber os
mandamentos sob abstinência, jejum e orações. No terceiro dia uma nuvem espessa
cobria a montanha. Relampeava, ouvia-se o estrondo de trovões e o som da
trombeta soou com força. Todo o monte Sinai fumegava e tremia com violência. A
multidão encontrava-se à distância e observava tudo com tremor. Do cume do
monte Sinai o Senhor proclamou a Sua lei na forma de Dez Mandamentos, os quais
depois foram expostos ao povo pelo profeta.
Tendo recebido os mandamentos, o povo israelita prometeu
observa-los, e então ficou concluído o Testamento (aliança) entre Deus e os
hebreus, que insistia na promessa que o Senhor fez ao povo de Sua misericórdia
e proteção, e eles por sua vez prometeram viver honradamente. Depois disto
Moisés subiu novamente à montanha e permaneceu ali jejuando e orando durante
quarenta dias e quarenta noites. Ali o Senhor deu a Moisés outras leis
eclesiásticas, civis e de higiene; ordenou que fosse edificada uma tenda-templo
transportável e ditou regras a respeito de serviços sacerdotais e realização de
oferendas em sacrifício. Ao final de quarenta dias Deus escreveu os Seus Dez
Mandamentos, expostos antes por palavras, sobre duas tábuas de pedra (placas) e
ordenou que essas placas fossem guardadas na "Arca da Aliança" (Arca
dourada com querubins esculpidos sobre a tampa) para perpétua lembrança da
Aliança entre Ele e o povo israelita. (O paradeiro das placas de pedra contendo
os Dez Mandamentos é desconhecido. No 2o capítulo do segundo livro de Macabeus
está escrito que durante a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor no 6o
centenário antes do Nascimento de Jesus, o profeta Jeremias escondeu as placas e
alguns outros pertences do templo em numa caverna do Monte Nebo. Esse monte
situa-se a 20 km a este do lugar onde o rio Jordão desemboca no mar Morto.
Pouco antes da entrada dos israelitas na terra Prometida (1.400 anos A . C). Nesse
mesmo monte foi enterrado o profeta Moisés. As repetidas tentativas para
encontrar as placas de pedra com os Dez Mandamentos não foram coroadas de
êxito).
O Significado dos Dez Mandamentos.
As leis, dadas pelo profeta Moisés ao povo hebreu, tinham
como meta regularizar não apenas sua vida religiosa, como também a vida útil.
Com o início do Novo Testamento, a maioria dos rituais e das leis civis perdeu
seu significado e foram rejeitados pelos apóstolos (veja a decisão do Concílio
Apostólico no livro Atos dos Apóstolos, cap. 15). Entretanto os Dez Mandamentos
e outros mandamentos que determinaram a conduta moral do homem, compõem junto
com os ensinamentos do Novo Testamento a única lei moral. Sobre os Dez
Mandamentos é preciso dizer que eles contém as maiores bases da moralidade,
retém princípios fundamentais, sem os quais seria impossível a existência de
qualquer sociedade humana. Por esta razão eles aparecem como que
"constituição" ou "carta Magna" na humanidade.
Provavelmente, pela razão de tão extraordinária importância e inviolabilidade
os Dez Mandamentos, diferenciando-se de outros mandamentos, foram escritos não
em papel comum ou qualquer outro material reciclável, mas sim sobre pedra.
Conforme iremos ver, os Dez Mandamentos possuem um plano
definido. Assim, nos quatro primeiros mandamentos fala-se sobre as obrigações
do homem com relação a Deus; os cinco seguintes determinam as relações entre as
pessoas. O último mandamento refere-se à pureza dos pensamentos e desejos.
Sem dúvida existem alguns traços similares entre os Dez
Mandamentos e as leis das antigas nações que habitavam a parte noroeste da
Mesopotâmia (conhecidas leis do rei Ur-Nammu (2050 ªC); do rei Bilalama, o
governador Lipid-Akadian, o rei da Babilónia Hammurabi (1800 ªC.), diversas
leis, como da Assíria, compostas perto de 1500 ªC.
Estes elementos similares e coincidências, podem ser
explicados na unidade da lei moral colocada por Deus dentro da alma humana, Se
a natureza humana não fosse prejudicada pelo pecado, provavelmente apenas a voz
da consciência seria o suficiente para regular a vida pessoal e social da
humanidade. Na diferença entre os Dez Mandamentos e as antigas legislações
pagãs, pode-se perceber claramente a imperfeição moral dos seus autores.
Os Dez Mandamentos são expressados de maneira bastante
resumida e se limitam em exigências mínimas.
É nisto que consiste sua grande vantagem: eles concedem à
humanidade liberdade máxima na organização de seus afazeres cotidianos,
determinando claramente apenas aqueles limites os quais não podem ser
ultrapassados, sem abalar os princípios da vida comunitária.
Nosso Senhor Jesus Cristo em Seus sermões, com frequência,
referia-Se aos Dez Mandamentos dando explicações mais profundas e completas. A
este respeito iremos falar conforme estivemos comentando sobre os mandamentos.
Primeiro Mandamento.
"Eu sou o Senhor teu Deus; que tu não tenhas outros
deuses, além de Mim."
Com este mandamento o Senhor Deus chama nossa atenção para
Si mesmo, como Fonte de todo bem e como objetivo de nossas ações. Ele é eterno,
Todo Poderoso, Omnisciente e vive na luz inacessível. Ele é o único Deus
Verdadeiro, o Criador de Todas as coisas visíveis e invisíveis; Ele é o autor
da vida, o Legislador, nosso Salvador Misericordioso e Benfeitor Amoroso. Por
esta razão Ele merece todo nosso respeito, reverência e amor sincero. Seguindo
este primeiro mandamento, devemos nos empenhar em conhecer a Deus e direcionar
nossas ações para a glória de Seu nome. O Senhor Jesus Cristo nos mostrou este
princípio dirigido, ensinando-nos a pedir em oração "Santificado seja o
Teu nome. Venha a nós o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como
no céu."
Desta maneira, o primeiro mandamento fundamenta nossa vida
social e privada; constrói o alicerce em nossa vida. Por esta razão este
mandamento ocupa lugar predominante entre os outros. Este mandamento dirige o
olhar espiritual do homem para Deus e lhe diz: que o Senhor seja o primeiro
objetivo dos teus pensamentos e aspirações. O saber de Deus — considere como o
mais precioso conhecimento; Sua vontade — como autoridade maior; servi-Lo —
como vocação vital. O Primeiro Mandamento revela toda a superioridade dos Dez
Mandamentos sobre as legislações dos outros povos, tanto os antigos como os
contemporâneos, pois coloca a fé como fundamento da moral e da vida. A
experiência mostra que uma moral sadia só pode ser construída com base
religiosa, pois sem a autoridade Divina todos os princípios humanos tornam-se
condicionais, instáveis, pouco convincentes e sujeito a mudanças.
Na nossa época o primeiro mandamento é tão atualizado como
há muitos milhares de anos atrás. Os contemporâneos estão sobrecarregados de
toda sorte de conhecimentos e informações, porém a respeito de Deus e Sua
participação em suas vidas, frequentemente, têm uma Ideia opaca. Nossa
alienação de Deus priva nossa inteligência de conhecimentos espirituais
indispensáveis e nossa vida torna-se tortuosa e agitada. A fim de encontrar o
reto caminho em nossa vida, devemos saber mais sobre Deus e Sua revelação,
através do estudo e meditação das Sagradas Escrituras, pela leitura dos Santos
Padres e de outros livros religiosos recomendados pela Igreja. Esse processo de
auto educação muito frutificará se acompanhado por oração e por um desejo
sincero de tornar-se melhor Cristão. Esse conhecimento adquirido vai iluminar
não só a mente, mas também permeará o coração e se transformará na luz de
Cristo brilhando em boas ações.
Deste modo, o primeiro mandamento insere em si, de modo
evidente, os mandamentos restantes. Mas, os mandamentos sucessivos revelam
concretamente o sentido do primeiro.
Pecados contra o primeiro mandamento resultam da indiferença
para com Deus e Seu conhecimento ou, o que é pior, pela rejeição deliberada da
Sua vontade. Estes pecados incluem: o ateísmo (rejeição militante da existência
de Deus), politeísmo (crença em muitos deuses), descrença ou agnosticismo
(falta de vontade de aprender acerca Dele), superstição, abdicação da fé,
desespero (descrença na Sua providência e misericórdia) e heresia (distorção da
verdade revelada). É mais difícil se livrar dos pecados da mente do que dos
atos pecaminosos. Eis porque os apóstolos falavam com energia e abnegação em
defesa da preservação da pureza da fé em Deus.
Segundo Mandamento.
"Não fareis escultura e nem figura alguma do que está
em cima nos céus, ou embaio sobre a terra ou nas águas, debaixo da terra; não
te prostrarás diante delas e não lhe prestarás culto."
Com este mandamento o Senhor proíbe a criação de ídolos —
físicos ou imaginários — servi-los, reverenciá-los e render qualquer tipo de
homenagens.
Este mandamento foi feito nos tempos em que a idolatria era
a epidemia da humanidade. Naquela época pessoas isoladas e povos inteiros
divinizavam diversos elementos da natureza, astros celestes, imagens de pessoas
e de animais, todo tipo de criatura grotesca — tudo aquilo onde a superstição
obscura via algo inexplicável ou sobrenatural. A fé do Antigo Testamento e em subsequência
os ensinamentos Cristãos trouxeram às pessoas a doutrina sobre o único Criador
do universo e Pai Celestial que ama e Se preocupa com a humanidade. Com o
passar dos séculos a fé cristã expulsou quase que completamente as antigas
superstições e o paganismo atualmente está confinado a apenas alguns cantos do
mundo como remanescente da escuridão de antigamente — parcialmente no Japão, China,
Índia e entre tribos selvagens da América do Sul e África, no declínio de seus
últimos dias. Lamentavelmente, a igreja católica romana, cedeu a estas
influências abandonando “um assim diz o Sennhor”.
Existe nos nossos dias uma forma subtil de idolatria, que
persiste mesmo entre aqueles que consideram qualquer adoração literal de ídolos
como um ato pagão. Na verdade o espírito do segundo mandamento proíbe a
adoração (ou a preocupação com) qualquer coisa mais do que a Deus. Quando
qualquer objeto se torna, para alguém, algo ao qual ele dedica todos os seus
pensamentos, tempo e energias, esse objeto transforma-se num ídolo. Não somente
os descrentes mas muitos Cristãos contemporâneos estão principalmente
preocupados em juntar riquezas materiais e fortunas mundanas, em fazer uma
carreira de sucesso, em conseguir uma felicidade e/ou gratificações físicas.
Existem muitos que se entregam a ideias políticas ou adoram líderes mundanos ou
ainda artistas de cinema ou cantores famosos, e por causa de seus pequenos
deuses temporários eles esquecem completamente do Verdadeiro Deus e a Salvação
das suas almas. Para alguns, a ciência contemporânea tornou-se a autoridade
suprema á luz da qual eles julgam e até rejeitam as verdades reveladas por
Deus. No geral, qualquer coisa material ou temporal torna-se a mais importante
coisa para alguém, em detrimento de sua alma, transforma-se num falso deus. Há
ainda aquelas paixões violentas, tais como sexo, vício pelas drogas,
alcoolismo, fumo, jogos, gula, avareza, vaidade, orgulho, etc..., que se transformam
nos mestres cruéis de muitos. Quando o livro do Apocalipse prediz o aumento do
paganismo no final os tempos, certamente refere-se a essa forma indireta de
idolatria: " Para não adorar os demónios, e os ídolos de ouro, e de prata,
e de bronze, e de madeira, e de pedra, que nem podem ver, nem ouvir, nem
andar..." (Apo 9, 20). O Apóstolo Paulo enumera a avareza como idolatria e
em relação aos glutões ele diz: "cujo Deus – é o ventre" (cf. Col:3;5
e Fil 3; 19)
É notável que Moisés, através de quem Deus deu o mandamento
que proíbe a idolatria, ao mesmo tempo recebeu de Deus ordens para que
colocasse querubins dourados sobre a tampa da Arca da Aliança. Deus disse a
Moisés: "Os farás nas duas extremidades da tampa... Ali virei ter contigo,
e é de cima da tampa, do meio dos dois querubins, que te darei todas as minhas
ordens." Do mesmo modo o Senhor ordenou a Moisés que bordasse alguns
querubins na cortina, separando o Santuário do Santo dos Santos, e na parte
interna cortinas de peles para servirem de tenda para cobrir sobre o
tabernáculo (exo. 25:18-22 e 26:1-37). No templo de Salomão havia esculturas e
figuras esculpidas de querubins em todas as paredes e cortinas (1 Reis 6:27-29
e 2 Cró. 3:7-14). E foram restaurados os querubins da tampa da Arca da Aliança.
Quando o templo ficou pronto "a Glória do Senhor" (em forma de nuvem)
enchia o templo (1 Reis 8:10,11). As figuras dos querubins foram aprovadas pelo
Senhor.
Terceiro Mandamento.
"Não pronunciar o nome do teu Senhor Deus em vão."
Este mandamento proíbe fazer uso inutilmente do nome de
Deus; por exemplo: em conversas fúteis e brincadeiras. Os pecados contra o
terceiro mandamento incluem: jurar, ou seja, fazer juramentos em vão, blasfémia
(palavras audaciosas contra Deus), ("Blasfemaste contra Deus e contra o
Rei, trazei-o fora e apedrejai-o para que morra..."(1Reis 21;10)),
sacrilégio (escárnio ou zombaria das coisas Sagradas), invocar a Deus como
testemunha de assuntos terrenos sem sentido. Também brincar e gargalhar na
Igreja são pecados contra esse mandamento.
O nome de Deus designa o Ser Supremo e Todo poderoso e por
isso possui um enorme e miraculoso poder. Como aprendemos na Sagrada Escritura,
a natureza submete-se instantaneamente ao nome de Deus, quando Ele for invocado
com temor e reverência. Por exemplo, ao invocar Deus em suas orações, Moisés dividiu
as águas do Mar Vermelho para que os Israelitas pudessem atravessar. O Profeta
Elias orou para que não chovesse e não choveu por mais de três anos; e quando
ele orou novamente, o céus concederam chuvas e a terra produziu seu fruto. O
livro dos Atos dos Apóstolos narra a respeito de muitos milagres e exorcismos
de espíritos demoníacos realizados pela invocação do Filho de Deus Encarnado,
nosso Senhor Jesus Cristo. Por esta razão o nome de Deus deve ser invocado com
temor e reverência, juntando nossos pensamentos, em oração, em pregações ou
conversação séria a respeito Dele. O uso do nome de Deus em juramento é
permitido exclusivamente em circunstâncias especiais tais como nos
procedimentos judiciais. (veja Hebr. 6:16-17).
O nome de Deus, quando invocado com atenção e veneração
atrai a graça de Deus para o homem, ilumina a mente e alegra o coração. Em
nenhuma circunstância é permitido conversar ou gracejar na Igreja.
Quarto Mandamento.
"Lembra-te de santificar o dia de sábado: trabalharás
durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso
em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum."
Com este mandamento o Senhor Deus ordena que trabalhemos
durante seis dias e nos ocupemos de tarefas necessárias, e o sétimo dia
dediquemo-lo ao Senhor e a boas obras. As atividades que agradam a Deus
referem-se à preocupação com a nossa salvação, orações no templo de Deus e em
casa, estudos sobre a Palavra de Deus, alimento da mente e coração de
conhecimentos religiosos úteis, conversações religiosas virtuosas, ajuda aos
pobres, visitas a enfermos e prisioneiros encarcerados, consolo aos aflitos e
outras obras de caridade.
No Antigo Testamento o sábado ("Shabbash," que no
antigo hebraico significa "repouso") era celebrado em memória à
criação do mundo por Deus: "Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou,
porque nesse dia repousará de toda a obra da criação" (Gén. 2:3). Seguindo
ao cativeiro na Babilónia depois de 400B.C., os escribas judeus começaram a
explicar muito formalmente e com rigor a respeito do repouso do sábado,
proibindo fazer qualquer coisa nesse dia, até mesmo as boas obras. Conforme se
vê no Evangelho, os escribas acusavam até o Salvador de "transgredir o sábado,"
quando nesse dia Ele curava alguém. O Senhor explicava-lhes que "o sábado
foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Marc. 2:27). Com
estas palavras entende-se que o repouso do sábado foi instituído para benefício
físico e espiritual do homem, e não para sua subjugação ou privação de boas
ações. O afastamento diário dos afazeres habituais oferece ao homem a
possibilidade de reunir os seus pensamentos, renovar as suas forças físicas e
espirituais, compreender o sentido do objetivo de seus esforços e sua
existência no geral. O trabalho é necessário para a nossa vida temporária, mas
não devemos perder de vista o objetivo maior da nossa existência – a salvação eterna.
A observância Cristã do sétimo dia nos ajuda a corrigir o nosso caminho de
vida.
O quarto mandamento pode ser quebrado de várias maneiras.
Não só aqueles que trabalham aos domingos são os que transgridem o quarto
mandamento, mas também aqueles que têm preguiça de trabalhar nos dias de semana
e se esquivam das suas obrigações porque o mandamento diz especificamente:
"trabalhe por seis dias." Também transgridem o quarto mandamento,
aqueles que trabalham ao domingo, mas também aqueles que não se dedicam no
Sábado a Deus. Passam o sábado a divertir-se e se entregam a orgias de todo o tipo
e empreendimentos inúteis. Ao assim fazer eles "roubam" ao Senhor
algo que Lhe pertence.
Os cristãos ortodoxos deveriam reacender dentro de si o
calor dos cristãos dos primeiros séculos e esforçarem-se para todos os sábados
irem à Igreja e terem comunhão com Deus e com os membros, cada membro da
comunidade, estes que fazem parte do Corpo de Cristo. Assim fazendo, atrairão
para si as benções do Senhor e a suas outras atividades se tornarão mais
aproveitáveis.
O Quinto Mandamento.
"Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se
prolonguem sobre a terra."
Com este mandamento o Senhor Deus nos ordena a respeitar
nossos pais, e em troca promete uma vida longa e feliz. Honrar nossos pais
significa: respeitar sua autoridade, amá-los, em nenhuma circunstância se
atrever a ofende-los com palavras ou ações, obedece-los, ajuda-los nas
dificuldades, se preocupar com eles quando estão necessitados, principalmente
nas doenças ou na velhice, orar por eles tanto durante sua vida como também
após sua morte. O desrespeito pelos pais é um grande pecado. No Antigo
Testamento, "quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe, será punido de
morte" (Exo. 21:17, Mar. 7:10).
Em seus sermões O Senhor Jesus Cristo lembrava os Judeus da
importância de honrar os pais. Sendo Filho de Deus, Ele respeitava Seus pais
terrestres, era submisso à Sua Mãe e ajudava José em seu trabalho de
carpintaria. O Senhor censurava os fariseus pelo fato de que eles negavam a
seus pais ajuda no sustento necessário sob o pretexto de consagrarem seus bens
a Deus. Com isto eles transgrediam o quinto mandamento (Mat. 15:4-6).
A família sempre foi e será a célula básica da sociedade e
da Igreja. É por esta razão que os santos Apóstolos se preocupavam na
sustentação das relações corretas entre os membros da família. Eles instruíam:
"Mulheres, sejam submissas a seus maridos, porque assim convém ao Senhor.
Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. Filhos,
obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pai, deixai de
irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados... Filhos, aprendam a
exercer com a própria família o dever da piedade filial e a retribuir aos pais
o que deles receberam, porque isto é agradável a Deus" (Efe. 5:22-23;
6:1-4; Col. 3:18-20; 1 Tim. 5:4).
Quanto ao relacionamento com pessoas estranhas, a fé Cristã
ensina a necessidade de manifestar respeito a qualquer pessoa em conformidade
com sua idade e posição: "Pagai a cada um o que lhe compete; o imposto, a
quem deveis o imposto; o tributo, a quem deveis o tributo; o temor e o
respeito, a quem deveis o temor e o respeito" (Rom. 13:7). No espírito
desse preceito apostólico, o cristão deve honrar: os pastores e pais
espirituais; os administradores civis, os quais se preocupam com a justiça,
vida pacífica e bem-estar da nação; os educadores, professores e benfeitores e,
em geral, todas pessoas mais velhas. Os jovens que não respeitam os mais velhos
e os anciãos, considerando-os obsoletos e arcaicos, pecam profundamente. Ainda
no Antigo Testamento, o Senhor falou através de Moisés: "Levanta-te diante
dos cabelos brancos; honra a pessoa do velho e teme a teu Deus. Eu sou o
Senhor" (Lev. 19:32).
Mas se eventualmente nossos pais ou superiores exigirem de
nós algo contrário à fé e ou à Lei de Deus, então será necessário dizer-lhes
aquilo que os apóstolos disseram aos líderes judeus quando esses insistiram que
os apóstolos não deveriam pregar acerca de Jesus: "Julgai-o vós mesmos se
é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus" (Atos. 4:19).
Nestes momentos de conflito entre o Divino e o humano nós devemos estar prontos
a suportar o que for preciso pois sofrer pela fé Cristã é parte integral de
nosso chamamento em Cristo e será por Ele que sofreu injustamente, recompensado
nos céus (Mt 5: 11-12).
Sexto Mandamento.
"Não matar."
O sexto mandamento nos ordena respeitarmos nossas vidas e a
vida de nossos semelhantes como sendo o maior e o mais magnífico dos Dons de
Deus. Somente o Autor e Doador da Vida pode determinar a sua duração.
À Luz desse mandamento, torna-se óbvio que o suicídio é um
grave pecado. Além de ser um homicídio, ou suicídio inclui em si mesmo os
pecados do desespero, da falta de fé e da rebelião insolente contra a
providência de Deus. O mais terrível aspecto do suicídio é que, interrompendo
violentamente sua vida, o suicida se priva da possibilidade de se arrepender de
seus pecados, pois, após a morte o arrependimento não tem efeito.
E falando sobre o pecado do homicídio, o Senhor Jesus Cristo
manda que arranquemos de nossos corações sentimentos de maldade e vingança,
pois esses sentimentos são a causa última que nos conduzem a ações violentas
contra terceiros. Em seu sermão da montanha Jesus disse: Ouvistes que foi dito
aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém,
vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu
de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raça será réu do Sinédrio; e
qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno. Ouvistes que foi
dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao
mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e
ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a
capa; Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem,
fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem,
para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se
levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. (Mat.
5:21-22 38-40 43-45). E o apóstolo João diz, "Quem odeia seu irmão é
assassino" (1 Joã. 3:15). Portanto está pecando contra o sexto mandamento,
qualquer pessoa que alimenta sentimentos de ódio e raiva contra seu semelhante,
deseja sua morte e o difama, inicia brigas e lutas ou por qualquer outro
caminho declara sua hostilidade ao próximo.
Além do físico, existe uma forma de assassinato espiritual
que consiste num pecado ainda mais grave devido as suas consequências eternas:
É o tentar alguém. Qualquer que desviar alguém de sua fé em Deus ou conduzi-lo
ao pecado comete assassinato espiritual. (Tiago 1:15). O Salvador disse acerca
da temeridade do pecado de tentar os outros: "Mas qualquer que
escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe
pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.
Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é mister que venham escândalos,
mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!" (Mat. 18:6-7).
Observações: Como deveria um Cristão olhar para a malignidades
como guerra e pena de morte? Nem o Salvador, nem os Seus apóstolos ditavam às
autoridades civis como eles deveriam resolver os seus problemas governamentais
e comunitários. A fé cristã coloca para si como meta mudar o coração do homem.
Enquanto o rancor residir dentro das pessoas, as guerras e assassinatos serão
inevitáveis. A única verdadeira solução para estes problemas é que as pessoas
superassem o mal em si próprias e reformassem os seus corações. Isso é
precisamente o que almejam os Cristãos. Porém como sabemos, esse é um processo
longo e difícil e porque condicionado a liberdade de escolha de cada ser humano
dificilmente será bem-sucedido nessa vida temporal. Esta é a razão pela qual
teremos um julgamento final onde Deus separara para sempre as ovelhas das
cabras.
Apesar de qualquer guerra ser maligna deve ser considerada a
diferença entre guerras agressivas e defensivas. Essa última deve ser
reconhecida como menos maligna em comparação com a do inimigo invadindo um país
e oprimindo seu povo.
Sétimo Mandamento.
"Não cometerás adultério."
Com este mandamento Deus ordena que marido e mulher
preservem fidelidade mútua, e aos solteiros, que sejam castos — puros nos atos,
palavras, pensamentos e desejos. Para não pecar contra o sétimo mandamento, é
preciso evitar tudo aquilo que provoque sentimentos impuros como: dizer
indecências, anedotas "picantes," músicas impudicas e embriaguez,
assistir a filmes obscenos ou ver fotografias indecentes, leituras imorais.
Explicando o sétimo mandamento no Sermão da Montanha Jesus Cristo diz: "Todo
aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em
seu coração" (Mat. 5:28).
Para se esquivar dos desejos impuros, é preciso se esquivar
dos pensamentos pecaminosos logo que surjam, não dando-lhes a oportunidade de
dominarem nossos sentimentos e vontades. Sabendo como é difícil para nós
batalharmos contra as tentações carnais, o Senhor nos instruiu para sermos
resolutos e sem piedade conosco quando elas surgem: "Se teu olho direito é
para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível
perder-se um só de teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na
geena" (Mat. 5:29). Este discurso figurativo pode ser assim reformulado:
se alguém que lhe é tão caro quanto seu próprio olho ou mão, tentar seduzir
você, imediatamente quebre qualquer vínculo com ele (ou ela). Será melhor para
você se privar da amizade e favores desse alguém, do que se privar da vida
eterna.
As leis contemporâneas fazem com que seja muito fácil
divorciar-se e casar novamente. No entanto, os esposos Cristãos deveriam
submeter-se ao Legislador Supremo que disse: "Não separe o homem o que
Deus uniu" (Mat. 19:6).
Apesar de todos os esforços contemporâneos para justificar e
mesmo legalizar o homossexualismo como algo comparável ao casamento, a Sagrada
Escritura, sem nenhuma ambiguidade o coloca como um grave pecado. As antigas
cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas precisamente porque seus
habitantes eram homossexuais. (ver capítulo 19 do livro da Génesis.) Falando
dessas cidades, o apóstolo Judas diz: "Assim como Sodoma e Gomorra... que
havendo se corrompido como aqueles e ido após outra carne, foram postas por
exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." (Judas 1:7). O apóstolo Paulo no
primeiro capítulo de sua epístola aos Romanos fala muito severamente dos
homossexuais: Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas
mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente,
também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua
sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e
recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles se
não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um
sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; estando cheios de toda
iniquidade, prostituição, malícia...(Rom 1: 26-29).
A respeito da corrupção carnal as Escrituras advertem
"Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas
o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo", "Venerado seja
entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à
prostituição e aos adúlteros Deus os julgará." (1 Cor. 6:18; Hebr. 13:4).
Além de ser um pecado, a vida incontida enfraquece a saúde e as capacidades
espirituais especialmente imaginação e memória. É extremamente importante
preservar a pureza moral porque "sois o templo de Deus e que o Espírito de
Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá"
(1 Cor. 3:16-17).
Oitavo Mandamento.
"Não furtarás."
Aqui o Senhor Deus proíbe se apropriar daquilo que pertence
aos outros. São vários os aspectos do furto: roubo, saque, sacrilégio
(apropriação de objetos sagrados ou tratamento negligente com os mesmos),
corrupção, vadiagem (quando recebemos pagamento por um serviço que não
executamos), audácia (quando cobramos preços altíssimos dos necessitados, nos
aproveitando de sua desgraça) e qualquer apropriação de propriedades alheias
através de fraude. É considerado roubo quando uma pessoa se desvia do pagamento
de uma dívida, esconde algo que tenha encontrado, mede e vende a preço falso,
retém o pagamento dos serviçais e assim por diante.
A paixão pelo prazer e bens materiais, estimula o homem a
roubar. Em contra peso a este amor pela riqueza a fé cristã nos ensina a sermos
desinteressados, trabalhadores e caridosos: "Quem era ladrão, não torne a
roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos,
para ter com que socorrer os necessitados" (Efé: 4:28). A mais alta virtude
do cristão é a total benevolência e abdicação de todas propriedades. Isto é
ofertado àqueles que se empenham para atingirem a perfeição: "Se queres
ser perfeito, vai vende teus bens, dá-os aos pobres, e suegue-me e terás um
tesouro no céu, — disse o Senhor ao jovem rico (Mat. 19:1).
O Nono Mandamento.
"Não levantarás falso testemunho contra teu
próximo."
Com este mandamento o Senhor Deus proíbe toda sorte de
mentira, como por exemplo: falsos testemunhos num julgamento, denúncias,
fofocas, maledicência e calúnias. A calúnia (difamação) é considerada como ação
do demónio, pois o próprio nome "diabo" significa
"caluniador."
Qualquer mentira é indigna ao cristão e não está de acordo
com o amor e respeito ao próximo. O apóstolo Paulo aponta para o seguinte:
"Renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos
membros uns dos outros" (Efé. 4:25). Com relação à crítica o Salvador
declarou categoricamente: "Não julgueis e não sereis julgados" (Mat.
7:1). O próximo não se corrige através da crítica ou ridicularização, e sim,
através do amor, indulgência e bons conselhos. É preciso lembrar das próprias fraquezas.
Geralmente é indispensável refrear nossa língua e privar-nos de palavras
inúteis, pois, afinal a palavra — é um dom imenso do Criador. Os animais não
possuem este dom. Quando falamos, nós nos assemelhamos ao Criador, Cuja palavra
imediatamente torna-se ação. Por isso o dom da palavra deve ser utilizado
exclusivamente para um fim benéfico e na graça de Deus. A respeito de palavras
em vão, Jesus Cristo ensinava: "Eu vos digo: no dia do juízo os homens
prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras
que serás justificado ou condenado" (Mat. 12:36-37).
O Décimo Mandamento.
"Não cobiçarás a casa do teu próximo e não cobiçarás a
mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu
jumento, nem nada do que lhe pertence."
Com este mandamento o Senhor ensina a nos controlarmos
contra a inveja e desejos impuros. Naquele tempo, quando os mandamentos
anteriores falavam preferencialmente a respeito da conduta do homem, este
último mandamento chama nossa atenção para aquilo que acontece dentro de nós:
nossos pensamentos, sentimentos e desejos. Ele nos chama para procurarmos nos
direcionar para a pureza da alma. Todo pecado começa pelos maus pensamentos. Se
nos fixarmos nestes pensamentos surge o desejo pecaminoso. O desejo nos impede
à ação. É por isso que, para lutarmos com êxito contra as tentações, é preciso
aprender a intercepta-las logo no início — nos nossos pensamentos.
A inveja — é um veneno para a alma. Mesmo sendo uma pessoa
riquíssima, se for invejosa, tudo para ela será sempre pouco e ela estará
sempre descontente. "Os projetos dos pérfidos são abomináveis ao Senhor...
É por inveja do demónio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demónio
prová-lo-ão" (Prov. 15-26; Sabed. 2:24). Para não ceder ao sentimento de
inveja é preciso agradecer a Deus por Sua misericórdia conosco, indignos e
pecadores. Nós deveríamos ser aniquilados pelos nossos crimes, mas o Senhor
tolera e ainda nos envia Sua misericórdia. Por nós o Filho de Deus derramou Seu
Precioso Sangue. O apóstolo aponta: "Tendo alimento e vestuário,
contentemo-nos com isto. Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas
armadilhas do demónio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam
os homens no abismo da ruína e da perdição" (1. Tim. 6:8-10).
Um dos maiores objetivos na nossa vida é conseguirmos a
pureza de coração. O Senhor habita dentro dos corações puros para torná-lo um
templo do Senhor. O Senhor Jesus Cristo promete uma grande recompensa para
aqueles que se abstém de todos pensamentos e sentimentos impuros:
"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus"
(Mat. 5:8). O apóstolo Paulo instrui, "Não sabeis vós que sois o templo de
Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus,
Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo."( 1Cor
3:16-17)
Conclusão.
Quando um jovem judeu perguntou a Jesus o que ele deveria
fazer para herdar a vida eterna, o Senhor respondeu: "Observe os
mandamentos!" e enumerou os mandamentos (Mat. 19:16-22). Em muitos outros
sermões Jesus reiterou a importância dos Dez mandamentos e explicou o seu
significado espiritual.
Resumindo os mandamentos, nós vimos que o primeiro nos
ensina a colocar Deus no foco de nossos pensamentos e aspirações; o segundo —
proíbe se render diante de qualquer coisa ou servir qualquer coisa em lugar de
Deus, e ensina não nos subjugarmos aos desejos; o terceiro - ensina a venerar e respeitar a Deus e Seu
nome; o quarto — dedicar-Lhe o sétimo dia da semana e parte de nossa vida em
geral; o quinto —ensina a honrarmos os nossos pais e os mais velhos em geral.
Os próximos quatro mandamentos sugerem o respeito ao próximo e proíbem
causar-lhe qualquer mal, como: privar a sua vida ou causar dano à sua saúde,
atentar contra sua vida familiar, contra seus bens e sua reputação. Finalmente,
o último mandamento proíbe a inveja e convoca à pureza de coração.
Deste modo, os Dez Mandamentos dão às pessoas a direção
moral fundamental que é indispensável para edificar a vida particular, familiar
e comunitária. A vida nos mostra que, enquanto o governo em suas legislações se
guia com estes princípios morais e se preocupa em observá-los, a vida no país
transcorre normalmente. Quando, porém, ele se desvia destes princípios e começa
a desprezá-los, mesmo sendo um governo totalitarista ou democrático, a vida no
país fica confusa e a catástrofe fica iminente.
O Senhor Jesus Cristo revelou o sentido profundo de todos os
mandamentos, explicando que através de sua essência eles levam ao ensinamento
sobre o amor a Deus e ao próximo: "Amarás o Senhor teu Deus de todo e teu
coração, de toda tua alma e de todo teu espírito, e amarás teu próximo como a
tí mesmo... Nesses dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas"
(Mat. 22:37-40). Na luz de tão profundo entendimento, o significado dos Dez
Mandamentos consiste no fato de que eles definem com clareza e exatidão de que
modo nosso amor deve se exprimir e o que contradiz o amor.
Para que os mandamentos de Deus nos tragam benefício, é
indispensável que os façamos nossos, ou seja, devemos esforçar-nos para que
eles não apenas dirijam as nossas ações, mas para que eles se tornem a nossa
concepção do mundo, penetrem em nosso subconsciente, ou, conforme a expressão
figurada do profeta, sejam inscritas por Deus nas "placas" do nosso
coração. Então, como experiência pessoal, nos convenceremos do seu poder de
regeneração. O Justo Rei Davi escrevia a esse respeito: "Feliz o homem que
não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores,
nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço
ao Senhor e medita Sua lei dia e noite. Ele é como a árvore plantada na margem
das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais.
Tudo o que empreende, prospera" (Sal. 1:1-3).
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