6 de setembro de 2013

A Guarda Dominical e o “deus Sol”


“Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atentem os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer a miúdo que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.”1
Esse decreto foi promulgado em 07 de março de 321 pelo imperador Constantino (Flavius Valerius Constantinus) e visava, dentre outros motivos, tornar o dia dedicado ao “deus Sol Invictus” oficial para os cultos pagão e cristão. A veneração à essa divindade pagã tem forte ligação com o Mitraísmo, que era a religião predominante no alto império. Sobre o edito de Constantino, comenta-se:
“O imperador Constantino, um converso ao cristianismo, introduziu a primeira legislação civil a respeito do domingo, em 321, quando decretou que todo o trabalho deveria cessar no dia do Sol; exceto os agricultores que poderiam trabalhar se fosse necessário. Esta lei, que visava dar tempo para o culto, foi acompanhada por mais restrições nas atividades dominicais nos séculos posteriores.”2
“Séculos da era cristã se passaram antes que o domingo fosse observado pela Igreja Cristã como o sábado. A História não nos fornece uma única prova ou indicação de que fosse observado antes do edito de Constantino em 321 d.C.”3
“Todavia, qualquer que tenha sido a opinião e a prática destes primeiros cristãos em relação à cessação do trabalho no domingo, sem dúvida, a primeira lei, seja eclesiástica ou civil, na qual a observância sabática daquele dia se sabe ter sido ordenada, é o edito de Constantino, 321 d.C.”4
“Constantino tinha governado na Gália e na Grã-Bretanha, onde ele melhorou as condições para os cristãos. E quando chegou ao poder em 313 d.C., ele uniu-se a Maxêncio para comemorar o edito de Milão pelo qual os direitos civis foram concedidos aos cristãos, as suas propriedades restauradas e, a liberdade religiosa universal foi garantida a todos. Em 321 d.C., Constantino tendo se tornado imperador único, emitiu seu famoso edito proibindo determinados trabalhos e o comércio aos Domingo. (…) Sessenta e seis anos depois, 387 d.C., em outro decreto romano, o Domingo é chamado de ‘o dia do Senhor’(a).”5
Constantino era mitraísta, seguidor do deus Sol e, segundo os relatos históricos ele foi o primeiro imperador a se converter ao cristianismo, mas, por motivos políticos e religiosos não abandou de forma definitiva suas antigas crenças pois era grande a influência que ele, como imperador, exercia sobre os seus súditos pagãos. Esse decreto-lei foi incluído no Direito Civil Romano e direcionava-se a todos do império. Na esfera civil, Constantino proporcionou o primeiro meio legislativo para que o domingo fosse seguido pelo cristianismo apostatado e disseminado ao redor do mundo como o substituto do sábado do Senhor.
Paralelamente às mudanças que ocorriam no paganismo dentro do Império Romano, o cristianismo iniciava sua deplorável jornada rumo a apostasia se desviando do genuíno evangelho de Cristo; e os apóstolos Paulo e Pedro advertiram quanto a isso (II Tessalonicenses 2:7-8II Pedro 2:1-3). Com a morte dos primeiros discípulos que pregavam integralmente e unicamente o que Cristo lhes ensinara, as gerações posteriores de cristãos foram gradativamente abandonando a “sã doutrina” e inevitavelmente sucumbiram aos falsos ensinos (II Timóteo 4:3-4II João 1:8-9). Uma das consequências dessa atitude foi a mudança na lei de Deus(b), onde o segundo e quarto mandamento foram anulados (Daniel 7:25 cf I Timóteo 1:3-11).
Alguns cristãos em pleno declínio espiritual iniciavam a estranha comemoração do “festival da ressurreição” nas manhãs de domingo, retornando em seguida ao seus afazeres. Outros, motivados pelo ódio, começaram a transgredir o quarto mandamento alegando o desvencilhar de qualquer relação com os judeus, e se baseavam no extremismo que os fariseus tinham em relação ao sábado. O bispo Eusébio sobre isso revela:
“Por sorte não temos nada em comum com a multidão de detestáveis judeus, por que recebemos de nosso Salvador, uma dia de guarda diferente.”6 ”Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos para o dia do Senhor, como o mais apropriado para isso, este [domingo] é o principal na semana, é mais honroso que o sábado judaico.”7
Tertuliano, patrístico do século III, discorrendo sobre a “festividade da ressurreição” relata como os cristãos que abandonaram as Escrituras Sagradas eram confundidos com os pagãos:
“Outros (…) supõem que o sol é o deus dos cristãos, porque é um fato bem conhecido que rezamos para o leste, ou porque fazemos do domingo um dia de festa.”8 ”Porém, muitos de vocês, igualmente, às vezes sob o pretexto de adorar os corpos celestes, movem seus lábios na direção ao nascer do sol. Da mesma forma, se nós dedicarmos o dia do Sol com alegria, a partir de uma razão muito diferente do culto ao Sol, teremos alguma semelhança com aqueles que cultuam no dia de Saturno (…)”9
Outra alegação apresentada para alterar o dia de descanso bíblico era que, a observância dominical imposta por Constantino seria uma boa oportunidade para atrair os pagãos ao cristianismo. Entretanto, a História demonstra que ocorreu o inverso, a desobediência a Deus proporcionou a infiltração do paganismo no cristianismo. O abandono gradativo das Escrituras por esses cristãos conduziram as gerações posteriores da igreja a adotar o domingo como dia de guarda. Assim, cristianismo degenerado e paganismo convergiram para um mesmo dia de descanso e adoração.
Constantino passou a lidar com as dificuldades em conciliar esses seguimentos religiosos e, cada decisão era instruída cuidadosamente pelos seus ministros para evitar conflitos. Em seus decretos ele utilizava de forma equilibrada um linguajar adaptado que conciliava os princípios cristão e pagão, como por exemplo: chamar de “dia do Sol” o primeiro dia da semana (domingo) que os pagãos chamavam de “dia de Mitra” e “dia do deus Sol Invicto”. Ele empregou deste modo uma expressão que não ofendia as duas classes.10Adiante algumas declarações sobre estes fatos:
“Quando a Igreja tornou-se um departamento do Estado pelos imperadores cristãos de Roma, a observância do domingo foi imposta pela lei civil. Quando o Império Romano findou, o cargo depontifex maximus, uma vez exercido pelo imperador de Roma foi reivindicado pelo bispo de Roma, e a observância do domingo foi imposta por lei eclesiástica, assim como a lei civil.”11
“Os cristãos trocaram o sábado pelo domingo. Constantino, em 321, determinou a observância rigorosa do descanso dominical, exceto para os trabalhos agrícolas. (…) Em 425 proibiram-se as representações teatrais e no século VIII aplicaram-se ao domingo todas as proibições do sábado judaico.”12
“O imperador Constantino, antes de sua conversão, reverenciava todos os deuses (pagãos) como tendo poderes misteriosos, especialmente Apolo, o deus do Sol, ao qual, no ano 308, ele conferiu dádivas riquíssimas; quando se tornou monoteísta, o deus a qual adorava era – segundo nos informaUhlhorn - o ‘Sol inconquistável’ e não o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade quando ele impôs a observância do dia do Senhor (domingo) não o fez sob o nome de sabbatum ou dies Domini, mas sob o título antigo, astrológico e pagão de dies Solis, de modo que a lei era aplicável tanto aos adoradores de Apolo e Mitra como aos cristãos.”13
“(…) A conservação do antigo nome pagão de ‘dies Solis‘ ou ‘Sunday’, para a festa semanal cristã, é, em grande parte, devida à união dos sentimentos pagão e cristão; assim o primeiro dia da semana foi recomendado por Constantino aos seus súditos, tanto pagãos como cristãos, como o ‘venerável dia do Sol’. Seu decreto, que regulamenta esta observância, tem sido com justiça chamado de ‘uma nova era da história do dia do Senhor’. Foi o seu modo de harmonizar as religiões discordantes do império,unindo-as sob uma constituição comum.”14
“(…) o patriotismo de boa vontade uniu-se à conveniência de fazer desse dia [domingo], de uma vez, o dia do Senhor deles e seu dia de repouso. (…) Se a autoridade da igreja deve ser passada por alto pelos protestantes, não vem ao caso; porque a oportunidade e a conveniência de ambos os lados constituem seguramente um argumento bastante forte para uma mudança.”15
“Foi uma conversão política, e como tal foi aceita; Constantino foi pagão até próximo de sua morte. E quanto ao seu arrependimento final, abstenho-me de julgar.”16 ”Ele impôs a todos os súditos do império romano a observância do ‘dia do Senhor’ como um dia de repouso (…) que fosse honrado o dia que se segue ao sábado.”17
“Para entender plenamente as provisões desta legislação, a atitude peculiar de Constantino deve-se ser levada em consideração. Ele não se achava livre de todo o vestígio da superstição pagã. É provável que antes de sua conversão ele tenha devotado culto especialmente a Apolo, o deus-Sol.(c)(…) O problema diante dele era legislar em favor da nova fé de modo a não parecer totalmente incoerente com suas práticas antigas, e não entrar em conflito com o preconceito de seus súditos pagãos. Estes fatos explicam as particularidades deste decreto. Ele denomina o dia santo, não de ‘dia do Senhor’, mas de ‘dia do Sol’, a designação pagã, e assim o identifica com o seu antigo culto a Apolo.”18
“Os gentios eram um povo idólatra que adorava o Sol, e o domingo era o seu dia mais sagrado. Ora, a fim de conquistá-los nessa nova área, senão parecia natural, ao menos fazia-se necessário tornar o domingo o dia de repouso da igreja. (…) Naquele tempo tornou-se essencial para a igreja adotar o dia dos gentios ou mudá-lo. Mudar o dia dos gentios teria sido uma ofensa e pedra de tropeço para eles. A igreja podia naturalmente ganhá-los melhor, observando o dia deles. (…) Não havia necessidade em causar uma desnecessária ofensa desonrando o dia deles.”19
Considerações Finais
Constantino foi orientado a promulgar o edito de tal forma que atendesse as exigência políticas e religiosas dos pagãos e cristãos da época. Após o fim do Império Romano, uma de suas instituições, a Igreja de Roma (em avançado estágio de apostasia), permaneceu atuante, ganhou mais autonomia e autoridade. E, valendo-se desse edito consolidou em seus concílios, como o de Laodicéia(d), a oficialização da guarda dominical dentro do cristianismo.
“No século III, o Império Romano se viu dilacerado pela guerra civil, devastado pela peste, a doença, e governado por uma vertiginosa sucessão de imperadores, todos apoiados num exército cada vez mais esgotado por terríveis inimigos externos. Na fermentação das religiões orientais e das novas filosofias, esfumaram-se as antigas certezas: para muitos, foi um período de ansiedade aguda. Para a Igreja(e), ao contrário – e até certo ponto em consequência de tal situação – a era foi de crescimento e consolidação.”20
“A conversão de Constantino lançou os bispos de Roma no âmago do establishment romano. Já poderosos e influentes, eles se tornaram celebridades comparáveis aos mais prestigiados senadores da cidade. Era de se esperar que os bispos de todo mundo romano assumissem, agora, o papel de juízes, governadores, enfim, de grandes servidores do Estado.”21
Vídeo relacionado: O Sétimo Dia – Programa 04
c. Gieseler’s “Ecclesiastical History“. As moedas de Constantino tinham impressas simultaneamente a imagem de Apolo e o nome de Cristo.
e. Igreja de Roma.
1Codex Justinianus - Corpus Júris Civilis, lib. 3, tit. §12 (3).
2. Sunday. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
3. DOMVILLE, W. (1849). The Sabbath: An examination of the six texts commonly adduced from the New Testament in proof of a Christian Sabbath, Londom: Chapman and Hall, chap. VIII, p. 291.
4. Sabbath. (1873). Chambers’s Encyclopædia, vol. VIII, Philadelphia: J. B. Lippincott & Co., p. 401a.
5The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. XI, p. 147b; (Art.: Sunday, sec. 3).
6. Eusebius, Life of Constantine, book III, chap. XVIII.
7. Eusebius’s Commentary on the Psalms (Psalm 92: A Psalm or Song for the Sabbath-day). Too in: Migne’s Patrologia Graeca, vol. XXIII, col. 1171-1172.
8. Tertullian, ApologeticAd Nationes, book I, chap. XIII.
9. Tertullian, ApologeticApology, chap. XVI.
10. GIBBON, E. (1776). The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, vol. III, chap. XX, §§ 6-9.
11. Sunday. (1920). The Encyclopedia Americana Corporation, New York: Albany, p. 31a.
12Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, verbete: “Domingo“. Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., cap. 37, p. 237.
13. Talbot Wilson Chambers, The Old Testament Student, Published: The University of Chicago Press, (January, 1886), p.193-194.
14. STANLEY, A. P. (1869). Lectures on the History on the Eastern Church, 4.ª ed., London: John Murray, p. 193.
15North British Review, vol. 18, p. 409. Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. opcit. p. 240.
16. Tertullian, Against Marcion: Elucidation II, book IV.
17. Eusebius, Life of Constantine, book IV, chap. XVIII.
18. ELLIOT, G. (1884). The Abiding Sabbath: An Argument for the Perpetual Obligation of the Lord’s Day, American Tract Society, chap. V, p. 228-229.
19. FREDERICK, WM. (1900). Three Prophetic Days: Sunday The Christian’s Sabbath, p. 169-170.
20. DUFFY, EAMON. (1998). Santos e Pecadores: História dos Papas, São Paulo: Cosac & Naify, p. 16.
21Ibidem, p. 29.

5 de setembro de 2013

Como lidar com os conflitos ou Ser Embaixador de Cristo

Resiliência – a capacidade de lidar com conflitos
Texto bíblico: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” 2ª Cor. 5:20
O texto diz: “somos embaixadores da parte de Cristo”. Já reparou que parece que algumas pessoas têm tudo de forma mais fácil ou conseguem passar por problemas sem nenhum “arranhão” enquanto outras parecem ter uma vida acompanhada de sofrimentos? Por que razão acontece assim? Será injustiça divina? Fraqueza emocional?
O embaixador é uma pessoa cheia de dignidade e experiencia e por essa razão investida de autoridade. Os embaixadores de Cristo tornam-se por se terem unido a Ele na Sua causa (ver Atos 14:23). Distinguem-se pela sua fidelidade (1 Cor. 4:12); 1 Tim. 1:12), a sua compreensão  pessoal das grandes verdades do Evangelho resulta da experiencia e, diligencia no estudar, em orar, em ganhar almas e na edificação da igreja.

Texto bíblico: “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação.” 2ª Cor. 5:18.
O texto diz: “nos deu o ministério da reconciliação.” Não sei se você já ouviu falar em resiliência. Resiliência é a capacidade de passar por conflitos e ficar bem, sem grandes prejuízos. A pessoa passa por problemas, mas não sucumbe a eles. Algumas pessoas são naturalmente mais resilientes do que outras e, por isso, acabam sofrendo menos, não por causa de uma menor “quantidade” de sofrimentos, mas por não se debilitar tanto ao passar por eles e, assim, consegue viver bem. Pessoas que são mais sensíveis ao sofrimento e cuja capacidade de lidar com eles é menos desenvolvida e natural são mais prováveis de sofrerem mais porque “mergulham” mais a fundo naquilo que aconteceu de ruim, concentram-se mais nos problemas. Portanto, uma primeira questão é esta: a diferença de atitude das pessoas com relação ao sofrimento.
A palavra “reconciliação” no NT é katallagé, “mudança”, “reconciliação”, significa contar de novo com o favor de Deus (Rom. 5:1,10; Col. 1:20). A ideia da reconciliação com Deus implica que no passado Deus e o homem desfrutavam de comunhão mútua, e que se separaram (Rom. 8:7), que Deus tomou a iniciativa para reconciliar o homem com Ele. Essa iniciativa dá ao ser humano reconciliado resiliência ou seja capacidade para ficar do lado d´Ele.

Texto bíblico: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” 2ª Cor. 5:10. O juízo final é necessário para defender e justificar o carácter e a justiça de Deus (Sal. 51:4; Rom. 2:5; 3:26). O carácter de Deus requer que finalmente os que foram embaixadores, representaram O seu carácter sem recompensados.
Muitos podem pensar, que é injustiça algumas pessoas terem uma maior capacidade para lidar com problemas do que outras. No entanto, mesmo pessoas que não têm esta capacidade naturalmente desenvolvida podem desenvolvê-la, colocando em prática algumas atitudes diante do sofrimento (experimentar a dor, falar sobre o que dói, abstraírem-se da dor após já ter falado sobre ela, desenvolver novas atividades e não ficar somente concentrado nos sentimentos, ter fé, ajudar alguém através da empatia, se concentrar na solução do problema, e não no problema em si). Estes são alguns fatores individuais que influenciam no sofrimento de uma pessoa. Levam esta pessoa não a ser um estóico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo ) mas alguém consciente que o sofrimento do qual padece não tem causa em Deus e por isso dignifica o Senhor que tudo fez para estar ao lado (João 3:16).
Texto bíblico: “E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.” Romanos 5:11.
O texto diz: “nos gloriamos em Deus”. Na verdade, não temos nada em nós mesmos nada de que gloriarmo-nos (Rom.3:27; 4:2), mas sim uma grande razão para que nos gloriemos em Deus, especialmente na perspertiva do seu amor salvador (Jer. 9:23,24; Rom. 5:5-10; 1 Cor. 1:31; 2 Cor. 10:17). É verdade que existem outros fatores que interferem, também, no sofrimento de uma pessoa além dos fatores individuais, que são os fatores familiares. Como a família (as pessoas que estão ao redor) lidam com o sofrimento? São empáticas ao sofrimento daquele membro da família que está sofrendo? Ajudam? Se disponibilizam a ouvi-lo a fim de que ele se alivie? Dão suporte de alguma forma? Colaboram para que aquela pessoa alimente os pensamentos negativos, compartilhando pensamentos e crenças também negativas? Se une à pessoa para encontrarem uma solução ou permite que ela viva o problema sozinha? Então, as atitudes de quem está ao redor da pessoa que está sofrendo por alguma questão, somado à forma como ela mesma é (os fatores individuais), influenciarão no alívio ou na piora do sofrimento dela.
Texto bíblico: “E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.”
Ver “reconciliar ambos com Deus”, gr., apokatalásso, forma intensiva de katalássõ. Com esta figura o apóstolo refere-se particularmente à igreja cuja cabeça é Cristo (1:22). A mesma ideia se encontra na expressão “novo homem” (verso 15) e na palavra “corpo” (Ef. 1:23).
Se alguma vez se sentir maltratado/a leia Isaías 53:5, pode ler também João 1:29, ou 1ª Pedro 2:34 e terminar com Col. 1:21,22. E então, compreenderá qual o seu papel como resiliente/embaixador.
Lembre-se: E, fora estes fatores, está o fato em si que trouxe o sofrimento. Há perdas mais drásticas do que outras. No entanto, por mais que haja sofrimentos piores (por exemplo: morte de alguém comparado a um desemprego – as pessoas tendem a sofrer mais pela morte de alguém próximo do que a um desemprego, apesar de sofrerem, também, por causa de um desemprego), tem-se observado que não são os fatos em si que são os principais determinantes do grau de sofrimento da pessoa, e sim como a própria pessoa é e, portanto, como ela encara o problema.

José Carlos Costa, pastor 

4 de setembro de 2013

Conselhos Bíblicos para Vencer a Depressão


A pessoa é grande, quando entende que fracasso é uma taxa que pagamos para o sucesso

(Lamentações 1:1) - COMO está sentada solitária aquela cidade, antes tão populosa! Tornou-se como viúva, a que era grande entre as nações! A que era princesa entre as províncias, tornou-se tributária!
(Lamentações 3:21) - Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.

1. Razões porque devemos ter esperança

1.1 Deus é misericordioso
(Lamentações 3:22) - As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
A palavra misericórdia no hebraico “chesedh”,indica o sentimento do coração de Deus pela miséria do homem. É a capacidade de se colocar no lugar do outro, ou seja,ver, sentir e pensar como ele. Deus é misericordioso quando se fez homem, em Cristo Jesus
(II Coríntios 1:3) - Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação;

1.2 Deus é fiel
(Lamentações 3:23) - Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.
(Hebreus 12:6) - Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.

1.3 Deus é bom
(Lamentações 3:24) - A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele.
(Lamentações 3:25) - Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
(Lamentações 3:26) - Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR.
A bondade de Deus inclui benevolência, complacência, misericórdia e graça

1.4 Deus nos aperfeiçoa
Nos momentos difíceis, nas tragédias e dificuldades, Deus está trabalhando no nosso caráter
(Lamentações 3:27) - Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
(Lamentações 3:28) - Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele.
(Lamentações 3:29) - Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
(Romanos 8:28) - E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
(Lamentações 3:37) - Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?

2. A cura da mente no momento do fracasso

2.1 Aceitação
Aceite aquilo que você não pode mudar
Lm2 (Jeremias estava convencido de que o castigo de Deus foi decretado por Deus). Não adianta ficarmos irados com Deus, pois a sua vontade prevalecerá
(Jó 42:1) - ENTÃO respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:
(Jó 42:2) - Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.

2.2 Murmuração
Pare de colocar a culpa nos outros
(João 9:1) - E, PASSANDO Jesus, viu um homem cego de nascença.
(João 9:2) - E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
(João 9:3) - Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.
(Lamentações 3:39) - De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.

Assuma seus pecados e seus erros = (Lamentações 3:42) - Nós transgredimos, e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste.
(Lamentações 3:40) - Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o SENHOR.

2.3 Busque uma visão de Deus
Visão tem que ser uma imagem mental clara de um futuro desejado a partir de uma avaliação do presente.
 (Hebreus 11:1) - ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
(Neemias 2:17) - Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio.
(Neemias 2:18) - Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.

Não existe visão de Deus fora de sua palavra = (Salmos 19:8) - Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.

2.4 Busque a soberania de Deus
(Salmos 115:1) - NÃO a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.
(Salmos 115:2) - Porque dirão os gentios: Onde está o seu Deus?
(Salmos 115:3) - Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.
(Lamentações 5:19) - Tu, SENHOR, permaneces eternamente, e o teu trono subsiste de geração em geração.
(Lamentações 5:20) - Por que te esquecerias de nós para sempre? Por que nos desampararias por tanto tempo?
(Lamentações 5:21) - Converte-nos a ti, SENHOR, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes.

3 de setembro de 2013

Pode o Homem Salvar-se a si Mesmo?

 
“Do Senhor é a salvação; e sobre o teu povo a tua bênção” (Sal. 3.8).
INTRODUÇÃO
Todas as maravilhas naturais podem ensinar alguma coisa a respeito do grande poder e sabedoria do Criador. O que você empregaria, porém, para ilustrar a situação do coração humano diante de Deus? Em suas conversas com Jó, Elifaz e Bildade usaram a mariposa e o verme. Quando Deus falou a Jó, Ele apenas se referiu à futilidade da natureza humana.
1.      A INCAPACIDADE DO HOMEM (Jó 4.17-21 ; 25.4-6; 40.6-14)
A incapacidade do homem, como descrita na Palavra de Deus, está ligada à visão que Deus tem dele. A sua incapacidade diante de Deus não prejudica sua capacidade de fazer o bem perante outros homens. A incapacidade do homem, com a qual Deus se preocupa, é a de salvar-se a si mesmo de suas aflições, dos inimigos (tais como Satanás) e do pecado.
Essa incapacidade é manifestada em três pontos principais: sua existên­cia limitada ou finita sobre a terra, sua impureza diante do Deus santo, e sua impotência com respeito à salvação espiritual. Elifaz falou com respeito ao primeiro ponto, Bildade ao segundo e Deus ao terceiro.
Elifaz fez a importante pergunta: "Seria porventura o homem mais justo do que Deus?” (Jo 4.17 Rev. e Corr.) O contraste da pergunta está entre o Deus da criação e o homem mortal. É impossível para o homem ser mais reto do que o seu Criador.
Se mesmo os anjos são moralmente inferiores a Deus, como pode o simples homem ser moralmente superior a Deus (Jó 4.18)? Os homens, como afe ovelhas, se desviaram dos caminhos indicados pelo grande Pastor. Alguns dos anjos também se apartaram das atividades que lhes foram delimitadas por Deus. A conclusão final dos desvios dos homens e dos anjos é o testemunho de que somente Deus é perfeitamente santo e incapaz de pecar. Somente em Deus “não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Deus “ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre” (Hb 13.8).
A substância física do homem é apenas barro que um dia deve voltar ao pó (Jó 4.19). (Gn 3.19.) O homem possui sua forma originalmente criada por apenas um breve intervalo de tempo antes de abandoná-la pela morte física.
O homem é uma criatura de pouca duração. Assemelha-se à mariposa insignificante que nasce pela manhã e morre à noite (w. 19,20). A partida da alma é comparada por Elifaz ao rompimento da corda que sustenta uma tenda (v. 21).
Elifaz acrescentou que os homens morrem sem ter atingido a perfeita sabedoria (v. 21). Talvez estivesse fazendo referência às limitações morais da natureza humana. Jó poderia muito bem morrer sem ter ficado mais sábio através das aflições que Deus lhe permitira sofrer.
Enquanto Elifaz descrevia a existência finita do homem pelo exemplo da mariposa, Bildade passava a retratar o baixo caráter moral do homem com o exemplo do gusano e do verme (Jó 25.4-6).
A pergunta de Bildade foi esta: “Como seria puro aquele que nasce de mulher?" (Jó 25.4). Davi demonstrou uma preocupação semelhante quando exclamou: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (SI 51.5).
A lua e as estrelas em Jó 25.5 podem ser uma referência aos servos, ou anjos de Deus, como as “estrelas da alva” em 38.7. Quando expostos à luz do julgamento de Deus, as estrelas (sejam anjos ou astros) e o homem, não se mostram limpos.
O homem é também semelhante ao verme: insignificante. E é tão impuro quanto o verme que devora mortos. Sua esfera de ação na existência está em processo de deterioração.
Quando Deus falou a Jó de dentro do redemoinho, Ele primeiramente chamou sua atenção para a grandeza do poder divino e a futilidade do poder humano. Os amigos de Jó tinham enfatizado a futilidade do homem, a fim de fazer com que ele se submetesse a uma situação que não podia modificar. Os três amigos acreditavam que Jó deveria admitir que tinha pecado para sofrer tanto. Deus, porém, pacientemente ensinou a Jó que a futilidade do homem exige que ele confie em Deus e aceite as aflições sem questionar a Deus.
* Usando o catecismo da natureza, Deus ternamente fez com que Jó voltasse a mostrar confiança nEle (Jó 42.1-6,8). Deus o desafiou a vestir-se com as vestes reais da divindade (Jó 40.10) e exercitar o julgamento divino, humilhando os orgulhosos e derrubando os perversos (vv. 11-13). Se Jó pudesse realizar todas essas coisas como o seu próprio poder, Deus então admitiria que ele podia livrar a si mesmo dos seus inimigos, suas aflições, e seu pecado (v. 14). A “mão direita”, ou “braço” nas Escrituras simboliza o poder pessoal para triunfar sobre os inimigos. Todavia, o poder de Jó era inútil. Todas as tentativas do homem para salvar a si mesmo são inúteis. (SI 98.1; Is 59.16; 63.1-6.)

2. A CAPACIDADE DE DEUS (Jó 4.17,18; 25.4,5; 40.6-14)
Sem discutir a capacidade de Deus para salvar, o estudo da incapacidade do homem em salvar a si mesmo seria um exercício inútil. Desde que Deus desafiou Jó para que tentasse substitui-lo, é lógico que tinha todo o poder para fazer aquilo que Jó não podia. Deus é o Deus da salvação. Ele 6 “poderoso para salvar” (Is 63.1). “Do Senhor é a salvação” (SI 3.8).
Existem duas características de Deus que o capacitam a salvar os homens de seus pecados: Sua perfeita pureza e Seu perfeito poder. As comparações oferecidas por Elifaz, indicam claramente a santidade ou pureza do Criador (Jó 4.17). Os homens podem pensar que são moralmente puros e justos, mas Deus não julga como o homem. O discernimento do caráter moral do homem por parte de Deus abrange o mais profundo conhecimento da consciência humana. Deus julga cada palavra, cada pensamento e cada motivo. (Mt 12.36,37; Gn 6.5 — compare Jó 42.2; 1 Co 4.5.)
O Criador possui a superioridade moral para condenar até mesmo os anjos que pecam (Jó 4.18). Bildade comentou também a respeito do caráter impuro do homem e de certas “estrelas” (Jó 25.4,5). A implicação evidente é que Deus não está sujeito a tal impureza. A própria pergunta sobre como o homem pode ser justo diante de Deus, implica em que Deus é justo. Sem uma determinada qualidade de retidão é impossível ter comunhão com Deus.
O redemoinho manifestou o poder de Deus sobre os elementos da natureza (Jó 40.6). O desafio de Deus demonstrou Seu poder sobre a humanidade (vv. 7-9). A superioridade de Deus sobre os seres espirituais é evidenciada pelo fato de serem chamados Seus “servos” (Jó 4.18). Recapitule a lição 4 sobre “o Poderoso Criador”.
Em Jó 40.11,12, os “soberbos” poderiam abranger tanto homens como anjos. Satanás desviou-se da posição indicada por Deus por causa do orgulho (Is 14.12-14). Deus tem o poder de destruir os “principados e potestades” do mundo espiritual (Cl 2.14,15), assim como os homens orgulhosos.
Pelo Seu poder ilimitado, Deus é perfeitamente capaz de fazer aquilo que a própria “mão direita” de Jó não podia (Jó 40.14). Deus pode salvar. Deus pode livrar os homens de seus inimigos. Jesus Cristo se fez sangue e carne, para que “destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” (Hb 2.14,15).
É de admirar que Paulo pudesse exclamar: “Porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2 Tm 1.12)? Você está confiando na sua capacidade ou na de Deus para a sua salvação e libertação diária do poder do pecado? Lembre-se, Ele é capaz!
Conclusão:

O homem é incapaz de salvar a si mesmo. Você já foi salvo? O que está fazendo nesse sentido? Deus pode salvar. Você está dependendo d´Ele para isso? O pecado nos tenta diariamente, e precisamos de uma âncora segura para nos afastar dele. Jesus é essa âncora. Você confia n´Ele? Pode alguém tomar o lugar de Deus? Você alguma vez já tentou fazer esse papel?

1 de setembro de 2013

A PESSOA DO ESPIRITO SANTO

João 14.16 (para este estudo necessita de ter uma Bíblia para consultar ou pode baixar uma Bíblia da Internet – Google)
Pneumatologia é o estudo da doutrina bíblica sobre a pessoa do Espírito Santo. E se existe uma doutrina na Bíblia que precisamos estudar é esta! Há muitos estudos sobre a pessoa do Pai e do Filho, mas poucos estudos sobre a pessoa do Espírito. Desses poucos, a maioria é de natureza apologética, onde pessoas apenas usam os textos para defender ou atacar práticas espirituais.
Precisamos estudar a doutrina bíblica da pessoa e da obra do Espírito Santo por três motivos básicos: primeiro porque ela se encontra na Bíblia e deve ser conhecida e praticada; segundo porque é por intermédio do conhecimento, iluminação, enchimento e ação do Espírito que crescemos espiritualmente; e terceiro porque há muitos ensinos equivocados e confusos sobre esta doutrina.
Oremos e nos submetamos humildemente ao ensino da Palavra de Deus.
1. O Espírito Santo na trindade
Para conhecermos a pessoa do Espírito Santo começaremos pela Doutrina da Trindade. Há um único Deus verdadeiro que subsiste em três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
Podemos resumir a doutrina: O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade, procedente do Pai e do Filho, da mesma substância e igual em poder e glória, e deve-se crer n´Ele, amá-Lo, obedecê-Lo e adorá-Lo, juntamente com o Pai e o Filho, por todos os séculos. (Mt 3.16-17; Mt 28.19; 2 Co 13.13; João 15.26; 16.13-14; 17.24).
No Antigo Testamento há várias referências ao Espírito Santo, principalmente naqueles textos que sugerem a doutrina da Trindade. No primeiro versículo da Bíblia (Gén 1.1), a palavra hebraica para "Deus" é usada no plural. Em Génesis 1.2, o Espírito é expressamente mencionado.
Deus também se refere a Si mesmo no plural (Gén 1.26; 11.7) e, pelo menos, em um lugar as três pessoas da Trindade são mencionadas juntas (Is 48.16).
Vários dos títulos atribuídos ao Espírito Santo podem ser encontrados no Antigo Testamento (SI 51.11; Zc 12.10; Jó 33.4).
O Espírito aparece de forma ativa na obra da criação: a) Ele foi ativo na criação do universo – Gn 1.2; Is 40.12-13; Jó 26.13; b) Ele foi ativo na criação do homem – Jó 33.4; c) Ele está ativo na preservação da natureza – S1104.10-30; Is 40.7).
Dois aspectos importantes da identidade do Espírito Santo são a sua divindade e a sua personalidade.
2. A Divindade do Espírito Santo
Por divindade do Espírito Santo se entende que Ele é um com Deus, fazendo parte da Divindade, Co-igual, Co-eterno e consubstancial com o Pai e com o Filho. (Mt 28.19; Jo 14.16).
Podemos constatar sua divindade nos títulos e nomes que lhe são atribuídos: o Espírito de Deus (Gn 1.2); o Espírito do Senhor (Lc 4.18; At 5.9); o Espírito de nosso Deus (1 Co 6.11); o Espírito do Deus vivente (2 Co 3.3); o Espírito de Cristo (Rm 8.9); o Espírito de seu Filho (Gl 4.6); o Espírito de santidade (Rm 1.4); o Santo (1 Jo 2.20); o Espírito eterno (Hb 9.14); o Espírito da vida (Rm 8.2); o Espírito da Verdade (Jo 14.17); o Consolador (Jo 14.16).
No que se refere às obras divinas, devemos entendê-las didaticamente, da seguinte maneira: O Pai é a origem da qual elas começam; o Filho é o meio pelo qual elas acontecem, e o Espírito é o executivo pelo qual elas são realizadas ou aplicadas.
São atributos do Espírito Santo: eternidade (Hb 9.14), omnipotência (Gn 1.1-2), omnipresença (SI 139.7-8), omnisciência (1 Co 2.10), soberania (Jo 3.8), santidade (Mt 28.19) e vida (Rm 8.2).
As obras de Deus são atribuídas também ao Espírito Santo: criação (Jó 33.4), inspiração das Escrituras (2 Pe 1.21), encarnação de Cristo (Mt 1.18) e ressurreição (Rm 8.11). Portanto, sem dúvida alguma o Espírito Santo é Deus.
3. A Personalidade do Espírito Santo
Personalidade significa o caráter do que é pessoal, a individualidade psicológica de uma pessoa que se manifesta em seu comportamento ou o conjunto dos traços físicos e morais pelos quais se determina a individualidade de uma pessoa.
O Espírito Santo é uma pessoa. A Bíblia demonstra isso de várias maneiras:
3.1. Argumentos gramaticais. Em João 14.16 lemos: E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. A expressão "outro Consolador" indica que o Espírito Santo é alguém como Jesus, uma personalidade distinta do Pai e do Filho.
Apesar do substantivo "espírito", "pneuma" na língua grega, ser do gênero neutro, ele é sempre, ao se referir ao Espírito Santo, acompanhado por um pronome pessoal masculino: Jo 15.26; 16.7-8, 13-14.
3.2. Argumentos pessoais. A Bíblia sempre apresenta o Espírito Santo como uma pessoa, atribuindo-Lhe traços de personalidade: inteligência (1 Co 2.10-11; Rm 8.27), vontade (1 Co 12.11; At 13.1-3) e emoções ou sentimentos (Ef 4.30; Rm 15.30). Ele age como uma pessoa: fala (Ap 2.7), intercede (Rm 8.26), testemunha (Jo 15.26), ensina (Jo 16.12-14), chama e envia pessoas (At 20.28), convence (Jo 16. 8), guia e orienta (At 16.6-7).
Outras provas da personalidade do Espírito são que uma pessoa pode blasfemar (Mt 12.31), mentir (At 5.3), tentar (At 5.9), resistir (At 7.51) e obedecer ao Espírito (At 13.2-3).
4. A Obra do Espírito Santo
A posição mais aceita é aquela que classifica em obra geral à parte da redenção e obra específica na aplicação da redenção. Alguns chamam de o Espírito agindo na criação.
Entendemos, porém, que a obra do Espírito tem como marco divisor o cumprimento da promessa do derramar do Espírito – Atos 2. Podemos dividir a obra em Antes do Pentecostes (AP) e Depois do Pentecostes (DP). Observamos que antes do pentecostes o Espírito atuou na criação do universo e do homem (Gn 1.2, 26; Jó 26.13; 33.4; Is 40.12-13), e na sustentação e preservação da criação (SI 104.10-30; 139; Is 40.7).
Todos aqueles que foram salvos e viveram pela fé antes do Pentecostes, foram assistidos pelo Espírito Santo. Paulo cita em Romanos 4, que Abraão e Davi foram justificados pela fé. Seria impossível alguém ser justificado pela fé sem a ação do Espírito.
No Antigo Testamento, o Espírito Santo convencia (Gn 6.3), vivificava (SI 119.25), iluminava (S1119.27), conduzia a alma a Deus (SI 65.3-4), instruía (Ne 9.20) e sustentava o crente (SI 37.24). Ele Inspirou os profetas (Ez2.1-2), inspirou as Escrituras (2 Pe 1.21), concedeu dons aos crentes (Gn 41.38; Êx 31.2-5; Nm 11.25; 27.18; Jz 6.34) e capacitou os crentes para o serviço (Zc 4.6).
A obra principal do Espírito é promover a conversão dos pecadores, antes e depois do Pentecostes. Após o Pentecostes observamos que Ele também concede dons para que possamos servir ao reino.
Conclusão
Há três pessoas na trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas três pessoas são um só Deus, possuindo a mesma substância, iguais em poder e glória, mas distintas pelas suas características pessoais. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade. Ele não é uma criatura, uma força ou um poder impessoal. Ele é Deus (At 5.4).
Pontos para discutir
1. O que nos motiva a estudar a doutrina bíblica do Espírito Santo?
2. A Bíblia oferece provas suficientes para crermos na divindade do Espírito Santo?

3. Quais os traços pessoais do Espírito Santo?