14 de junho de 2013

O ARREPENDIMENTO

Experiencia: Volte, meu Filho!
A criança se rebela contra o pai que o aconselha desde pequeno: "Não faça isso!"
Um rapaz, mal atingira a idade suficiente, fugiu de casa, deixando seus pais em sobressalto. Andou por muitos lugares, perambulou como mendigo e arrependeu-se do mau passo. Achava agora que teria sido melhor ter seguido o conselho dos pais. Era enorme o seu sofrimento: fome, fadiga, armadilhas do mundo cruel. Voltar para casa, sim: era esse o seu desejo,mas como seria recebido?
Certo dia aproximou-se de uma igreja que estava em horário de culto. A congregação cantava um lindo hino do qual ele se lembrava muito bem. Relutou, aproximou-se da porta e o porteiro mostrou-lhe um lugar. Qual não foi, porém, a sua surpresa, ao ver ao lado do púlpito, um retrato seu, tamanho grande, com os dizeres: "Onde quer que estejas, e da forma que estiveres, volta, meu filho, porque teu pai, tua mãe e teus irmãos te aguardam com uma festa".
Tomou logo a decisão. Voltou para casa onde realmente a festa aconteceu. Mas estava intrigado. Perguntou ao pai como coincidira ter entrado naquela igreja onde estava o seu retrato. O pai explicou: Tinha mandado colocar o retrato em todas as igrejas daquela cidade.
"Mas o pai disse aos servos: Trazei depressa o melhor vestido, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; Tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se" (Lc 15.22-24).


Estudo Bíblico:

1-    Que género de pessoas são chamadas ao arrependimento?

“Eu não vim chamar os justos, mas sim, os pecadores, aos arrependimento?

2-    A que situação é levada a pessoa que experimenta o arrependimento?

“E em Seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, todas as nações.” Lucas 24:47 – à remissão dos pecados no nome de Jesus.

3-    Como pode o pecado ser conhecido?

“Pela Lei vem o conhecimento do pecado.” Romanos 3:20

4-    Quantas pessoas são pecadoras?

“Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado.” Romanos 3:9

5-    O que leva a alma a reconhecer a sua condição pecaminosa?

“E quando Ele (o Consolador) vier, convencerá o mundo do pecado.” João 16:8

6-    Quais são as perguntas convenientes a serem feita pelos que foram convencidos do pecado?

“Que faremos, varões irmãos?” “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” Actos 2:37;16:30

7-    Quais são as respostas do Livro Inspirado a essas perguntas?

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados.” “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa.” Actos 2:38; 16:31

8-    Que será constrangido a fazer o pecador arrependido?

“Porque eu confessarei a minha iniquidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado.” Salmo 38:18

9-    Que produz a tristeza segundo Deus?

“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação.” 2ª Coríntios 7:10

10- Qual é o resultado da tristeza do mundo?

“A tristeza do mundo opera a morte.” 2ª Coríntios 7:10

11- Como se manifesta a sincera tristeza pelo pecado?

“Vede quão grande solicitude operou em vós o serdes entristecidos segundo Deus; sim, que defesa própria, que indignação, que temor, que saudade, que zelo, que vingança! Em tudo destes provas de ser inocentes neste negócio.” 2ª Coríntios 7:11

12- Que disse João Baptista aos fariseus e saduceus quando os viu chegar para serem por ele baptizados?

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” Mateus 3:7

13- Que lhes disse deveriam fazer?
“Produzi pois frutos dignos de arrependimentos.” Mateus 3:8

Nota: Não pode haver arrependimento sem reforma. Arrependimento é transformação do espírito; reforma é a correspondente mudança na vida.” Dr. Raleigh.

14- Quando Deus enviou uma mensagem de advertência aos ninivitas, como mostraram eles o seu arrependimento, e qual foi o resultado?

“E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho: e Deus Se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez.” Jonas 3:10

15- O que leva os pecadores ao genuíno arrependimento?

“Ou desprezas tu as riquezas da Sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” Romanos 2:4

Sábados Semanais e Anuais


A maior parte dos ataques contra a lei de Deus são em decorrência do sábado descrito no quarto mandamento, e essa colossal aversão é completamente injustificável. A desinformação, acompanhada em alguns casos de atitudes egocêntricas e fanatismo religioso, promove as inúmeras polêmicas criadas em torno da observância sabática. Na realidade, a maioria não teve a devida orientação sobre a origem e o propósito do sábado(a), algo similar ao ocorrido com o oficial etíope (Atos 8:30-31). Outros, embora tenham a oportunidade de conhecer as questões sobre o sábado, preferem evitá-las ao máximo, pois isso acarretaria mudanças "desconfortáveis" em suas vidas; em essência não estão dispostos a seguir algo que lhes privem de suas satisfações pessoais.

Distinções sabáticas
O desconhecimento deste tema é tão acentuado que muitos se surpreendem com a existência de outros sábados que diferem daquele descrito na lei de Deus. Os sábados listados na Bíblia apresentam significativas diferenças que impossibilitam qualquer confusão ao classificá-los. Por exemplo, o sábado citado pelo quarto mandamento distingui-se por:
  1. Ter sido instituído após o término da criação, numa época em que não havia pecado no mundo;
  2. Exigir santificação no sétimo dia de cada semana para exclusiva consagração à Deus, sem a necessidade de liturgias mosaicas;
  3. Possuir natureza moral e estar incluído na lei de Deus, reunido entre mandamentos estritamente de princípios morais;
  4. Ser destinado a toda humanidade, independentemente de tempo e lugar.1
Enquanto os sábados presentes na lei mosaica e vinculados às festividades da antiga aliança caracterizam-se por:
  1. Terem sido estabelecidos no monte Sinai, numa época em que o pecado se fazia presente no mundo;
  2. Exigirem santificação uma vez por ano para consagração à Deus com: ofertas de agradecimentos; holocaustos por causa do pecado; libações e etc.;
  3. Possuírem natureza cerimonial e estarem incluídos na lei de Moisés, em conjunto com várias espécies de ordenanças(b);
  4. Terem sido destinados aos israelitas e, dependerem de circunstâncias temporais e geográficas(c).2
Existe ainda um terceiro tipo de sábado destinado à terra. Este sábado, que sucedia a cada sete anos, tinha o propósito de amparar os necessitados com a produção do "sétimo ano" e beneficiar a terra semelhantemente ao que ocorre atualmente nos intervalos entre plantios (Êxodo 23:10-11 cf. Levítico 25:1-7).

E ao contrário do pensamento popular, a observância sabática instituída no Éden não é um assunto restrito ao Velho Testamento, ensinos ao seu respeito são encontrados também no Novo Testamento(d). E, em ambos os casos, Deus declara pessoalmente que o sábado semanal é de Sua propriedade:
"Cada um respeitará a sua mãe e o seu pai e guardará os Meus sábados. Eu sou o Senhor, vosso Deus." (Levítico 19:3 RA); "Guardareis os Meus sábados e reverenciareis o Meu santuário. Eu sou o Senhor." (Levítico 19:30 RA); "Porque assim diz o Senhor: 'Aos eunucos que guardam os Meus sábados, escolhem aquilo que Me agrada e abraçam a Minha aliança'." (Isaías 56:4 RA); "Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica." (Ezequiel 20:12 RA); "Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus. (...)" (Êxodo 20:10 RA).
Outras referências a essa propriedade sabática estão em Mateus 12:8 e Marcos 2:28. Nestes versos, Cristo rebate as acusações dos fariseus de que Ele e Seus discípulos eram transgressores do quarto mandamento, ensina os seus verdadeiros objetivos e concluiu dizendo que Ele é Senhor do sábado.

Em relação aos sábados anuais, conhecidos também como sábados cerimoniais, Deus os considerou pertencentes ao povo de Israel.3 Esta nação possuía diversos dias de festas ao longo do ano, entre os quais haviam àqueles determinados como sábados. Esses dias festivos ocorriam em datas fixas e, devido a dinâmica do calendário de cada ano, eram celebrados em diferentes dias da semana (Levítico 23:4; II Crônicas 8:12-13). Quando um sábado anual (sábado cerimonial) coincidia em ser celebrado no sétimo dia da semana (sábado semanal), ele era definido como um grande sábado (cf. João 19:31). E esses dias de festas estabelecidos como sabáticos eram:
1.º Sábado Cerimonial. Pães Asmos (Início) - 15.º dia do mês de Nissan (Levítico 23:6-8).
2.º Sábado Cerimonial. Pães Asmos (Término) - 21.º dia do mês de Nissan.
3.º Sábado Cerimonial. Primícias - 06.º dia do mês de Sivan (Levítico 23:15-21).
4.º Sábado Cerimonial. Trombetas - 01.º dia do mês de Tishrei (Levítico 23:23-25).
5.º Sábado Cerimonial. Expiação - 10.º dia do mês de Tishrei (Levítico 23:26-32).
6.º Sábado Cerimonial. Tabernáculos (Início) - 15.º dia do mês de Tishrei (Levítico 23:33-36).
7.º Sábado Cerimonial. Tabernáculos (Término) - 21.º dia do mês de Tishrei.
A respeito destes sábados, a Bíblia esclarece:
"São estas as festas fixas do Senhor, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao Senhor oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio, além dos sábados do Senhor, e das vossas dádivas, e de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao Senhor." (Levítico 23:37-38). "Estas coisas oferecereis ao Senhor nas vossas festas fixas (...) (Números 29:39).
Esses dias festivos eram chamados de sábados porque as atividades do cotidiano cessavam e o povo se reunia solenemente em adoração à Deus, assim como ocorre com o sábado semanal do quarto mandamento. Porém, o sábado presente no Decálogo centraliza-se em celebrar as obras da criação, a vida originada e mantida por Deus; e não exige o envolvimento de oferta queimada, holocausto, oferendas de manjares, libações, entre outros procedimentos estabelecidos para serem seguidos nos sábados anuais (cerimoniais).

"Sombra das coisas que haviam de vir"
"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." (Colossenses 2:16-17 RA).
Esses versos são comumente deturpados para apoiar a teoria de que o sábado semanal esta incluído entre os sábados cerimoniais e que seria também "sombra" (simbologia) de Cristo. A distorcida interpretação dessa teoria forçosamente afirma que Deus Pai descansou simbolicamente em Cristo, pois, o relato da criação diz claramente que Deus descansou no sábado semanal: "E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera."4 - Este é um dos erros absurdos que o homem pecaminoso se envolve ao vale-se de conjecturas para se esquivar sorrateiramente do quarto mandamento.

Os versos de Colossenses 2:16-17 demonstram algo completamente oposto à referida teoria ao destacar uma das principais diferenças entre os sábados semanais e cerimoniais. O sábado referente ao sétimo dia da semana não representa "coisas que haviam de vir" porque está vinculado a um acontecimento do passado, a criação. As obras desempenhadas por Cristo em favor da salvação da humanidade eram "as coisas que haviam de vir", e foram simbolizadas pelas cerimônias da antiga aliança(e). As liturgias praticadas em cada sábado cerimonial, especialmente as sacrificais, transmitiam os eventos proféticos que foram cumpridos pela missão redentora de Jesus Cristo.

Deve-se observar também que Paulo não condenou ou proibiu festividades, luas novas e sábados cerimoniais destinados para os judeus(f). Embora os sábados cerimoniais representem a Cristo e Seus atos de salvação, eles continuam vinculados a História do povo de Israel, pois:
Festa dos Pães Asmos recorda a boa vontade e prontidão de Deus em libertá-los do Egito (Êxodo 12:33-39; Deuteronômio 16:3-4);
Festa das Primícias (festas das Semanas) indicava o encerramento do período da colheita e fixava a mente dos israelitas na dependência que eles tinham de Deus (Deuteronômio 16:9-10);
Festa das Trombetas marca o início do ano civil judaico e lembra-os dos acontecimentos do ano que se encerra (Levítico 23:24);
Festa dos Tabernáculos (festa das Cabanas) recordava o tempo em que o povo de Israel viveu quarenta anos em tendas (cabanas) durante a sua jornada pelo deserto (Levítico 23:42-43).
Diante destes fatos e baseados no contexto de Colossenses capítulo 2, nota-se claramente que Paulo (judeu e profundo conhecedor da lei de Moisés, Atos 22:3 cf. Filipenses 3:6), não estava ensinando que os sábados cerimoniais eram impróprios, e tampouco que foram totalmente anulados para os judeus. Mas, ensinou que o significado messiânico que eles continham foi realizado (cumprido), porque "estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo." (Colossenses 2:17 NVI).

Paulo orientou os cristãos da igreja de Colossos a não admitir a prática de tradições de homens que deturpavam essas coisas e os ensinos de Cristo: "Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo." (Colossenses 2:8-9 NVI). Ora, os critérios alimentares, dias de festas, luas novas e sábados não são coisas criadas pelo homem e muito menos são enganosas ou baseadas em princípios deste mundo, elas foram instituídas por Deus e proporcionam benefícios, de modo algum promovem a escravidão e o engano.

Os colossenses não eram obrigados a seguir as ordenanças da lei de Moisés direcionadas aos judeus(g), e tampouco aceitar ensinos perniciosos que anulavam o evangelho (Colossenses 2:18-23). Eles foram orientados ainda, a não permitir que os indivíduos que disseminavam estas coisas os julgassem ("ninguém, pois, vos julgue", Colossenses 2:16).

"Cessarei os seus sábados"
"Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades." (Oséias 2:11 RA).
Este é outro verso bíblico retirado de seu contexto e associado ao falso ensino de que o sábado semanal foi anulado. O capítulo 2 do livro de Oséias em momento algum transmiti ou mesmo insinua, que o sábado presente no Decálogo seria ab-rogado. Este capítulo discorre sobre: a idolatria dos israelitas e a repreensão que receberam(h); o afastamento de Deus, deixando-os a mercê de suas escolhas pecaminosas (versos 2-13); e, sobre a misericórdia que lhes foi concedida novamente (verso 14-23).

O verso de Oséias 2:3 ao relatar: "Para que Eu não a deixe despida, e a ponha como no dia em que nasceu (...)" (RA), refere-se a condição que o povo de Israel foi submetido quando era escravo no Egito, e voltaria a essa situação caso não abandonasse os seus pecados; retornaria ao seu anterior estado de carência, debilidade e abandono. A decadência dos israelitas tinha atingido um nível tão deprimente, que afirmavam que as bênçãos concedidas por Deus, provinham de Baal (Oséias 2:5 e 8). Então, Deus retirou a Sua proteção e os demais benefícios que eram concedidos e, consequentemente, eles foram conduzidos cativos pelos assírios (Oséias 2:9; II Reis 17:21-23). E os "amantes" (as nações) com os quais Israel se corrompeu não puderam ajudar (Oséias 2:7).

Em sua nova realidade, o povo de Israel não teve condições de celebrar as festas de Lua Nova, os sábados cerimoniais, e outras festividades solenes. Na verdade, antes do cativeiro, os israelitas estavam apenas seguindo por formalidade e superstição essas celebrações, enquanto as contaminavam com suas práticas abomináveis (II Reis 17:7-20 cf. Isaías 1:10-17). Encontravam-se afastados de Deus e em vão exerciam as cerimônias descritas na lei. Eles conheciam os procedimentos litúrgicos, no entanto, desconheciam os seus objetivos.

Posteriormente, Deus despertou a nação de Israel para os Seus caminhos (Oséias 2:14); os resgatou do cativeiro, restabeleceu Seus antigos propósitos, os auxiliou a restaurar suas plantações e, proporcionou novamente segurança em sua terra (Oséias 2:15-18). Assim, retornaram a celebrar "as suas festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades", porém, sem as antigas atitudes que os conduzira a ruína. E, na época de Jesus, e após o Seu retorno ao Céu, estas comemorações de Israel são relatadas como sendo praticadas.5 Portanto, não existe nenhuma profecia em Oséias capítulo 2 anunciando o fim do sábado pertencente ao Decálogo, tampouco há algo nesse sentido no restante das Escrituras. Essa fictícia insinuação é apenas mais uma inútil e desesperada investida contra o santo dia do Deus Criador (Isaías 58:13-14).


c. Os sábados cerimoniais dependiam de um lugar específico para que as suas respectivas liturgias fossem exercidas. Esse lugar era o santuário e seus arredores (Êxodo 25:1-9 cf Deuteronômio 16:13-15), posteriormente esse santuário foi substituído pelos templos, como aquele construído por Salomão (I Reis 6:38). Essa exigência não ocorre com o sábado semanal, que é santificado sem a necessidade dos rituais mosaicos e de um santuário ou templo, permitindo deste modo a sua aplicabilidade universal (Levítico 23:3; Atos 16:13).
f. Apesar das festas sabáticas terem sido destinadas para os judeus, havia a possibilidade dos gentios participarem delas (Levítico 24:22; Números 15:15-16).
h. Esta mensagem de repreensão e advertência foi destinada ao reino do norte (reino de Judá) entre 723-722 a.C., havendo posteriormente a primeira invasão e prisão do povo pelos assírios.
1. Gênesis 2:1-3; Hebreus 4:4; Êxodo 20:8-11; Marcos 2:27-28 cf. Isaías 56:1-7; Neemias 13:15-18 cf. Isaías 58:13-14.
2. Levítico 23:37-38 cf. Levítico 7:37-38, Neemias 9:13-14; Ezequiel 45:16-17.
3. Levítico 23:32; Isaías 1:13-14; Lamentações 2:6; Oséias 2:11.
4. Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:11 cf. João 1:1-3, Hebreus 4:4.
5. Zacarias 14:18-19; Marcos 14:12; João 2:13; João 5:1; João 7:2; João 10:22; Atos 2:1; Atos 12:4; Atos 20:16.

O Sábado no Novo Testamento


Vários pretextos, inclusive difamatórios, são usados para evitar a observância sabática exigida pela lei de Deus, entre eles: "O quarto mandamento não encontra-se no Novo Testamento", "Jesus e Seus discípulos violaram o sábado", "Cristo aboliu o sábado na cruz do Calvário", "o sábado é destinado apenas aos judeus". Estas alegações além de serem destituídas de fundamento bíblico, classificam Jesus de pecador pela incriminação de transgressor da lei,1 e revelam a desobediência hostil daqueles que verdadeiramente transgridem a lei e procuram justificar o próprio desrespeito à ela através de levianas acusações.

A ingênua ideia de que o sábado não deve ser observado porque o quarto mandamento não foi transcrito para o Novo Testamento, deveria ser aplicada também aos seguintes preceitos: "Não terás outros deuses diante de Mim." (Êxodo 20:3 RA); "Não farás para ti imagem de escultura (...) não as adorarás, nem lhes darás culto (...)" (Êxodo 20:4-6 RA); "Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão (...)" (Êxodo 20:7 RA). Estes três preceitos da lei de Deus, também não foram transcritos para o Novo Testamento; sendo assim, aqueles que sustentam a ideia citada, deveriam igualmente elimina-los de suas vidas. Então, por que não procedem fielmente com o argumento que apoiam e não agem, também, contra eles?

O Novo Testamento não transcreve vários princípios e normas de conduta presentes no Velho Testamento essenciais à vida cristã,2 e isto jamais foi justificativa para negligencia-los. O Novo Testamento não foi idealizado para ser uma cópia exata do Velho Testamento, mas uma extensão de seus ensinos. Quando Jesus declarou: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim" (João 5:39 RA), Ele referia-se única e exclusivamente ao Velho Testamento. O início da redação do Novo Testamento ocorreu 31 anos após a Sua ascensão ao Céu, sendo concluída 66 anos depois. Os primeiros cristãos, que eram judeus, tinham ao seu alcance o Antigo Testamento e os ensinos transmitidos diretamente por Cristo para instruí-los. E nestes ensinos não existe absolutamente nada sobre a revogação do sábado. Os Seus discípulos, igualmente, não ensinaram em momento algum que ele havia sido revogado.

Jesus e o sábado
Jesus ao mencionar a destruição de Jerusalém (que ocorreu aproximadamente 40 anos após a Sua ressurreição), alertou os Seus seguidores dizendo: "Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado." (Mateus 24:20 RA). Se o quarto mandamento iria ser eliminado na cruz do Calvário, então, por que Ele alertou quanto a sua observância em meio a um acontecimento futuro, ainda mais sobre condições extremamente severas? Por que os cristãos deveriam orar para que a fuga deles não ocorresse no sábado?

O tumulto, o temor e a viagem de fuga previsto para acontecer na destruição de Jerusalém não eram apropriados para o dia de sábado, por isso os cristãos deveriam orar para que pudessem guardá-lo como Deus desejava. Cristo se preocupou também com a temporada fria e chuvosa do inverno, pois tais condições tornariam a viagem ainda mais complicada ao intensificar: a dificuldade para atravessar o rio Jordão; as chances de adoecerem e, o transtorno para encontrarem alojamento e alimentação. Quarenta anos após a ressurreição de Jesus, o sábado continuou tão sagrado como nos dias em que Ele proferiu as palavras de Mateus 24:20. E esta orientação faz parte do sermão ocorrido no monte das Oliveiras (Mateus capítulo 24), ocasião em que foram profetizados os últimos acontecimentos deste mundo.

Jesus fez ainda a seguinte declaração a favor da observância sabática: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, pois, o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado." (Marcos 2:27-28 NVI cf. João 1:1-5). Jesus como Autor e Senhor do sábado demonstrou o que é lícito ou não realizar nesse dia, desvencilhando-o das excessivas e errantes regras impostas pelos fariseus.

Os inumeráveis requisitos dos rabinos para a observância do sábado se baseava no conceito de que, à vista de Deus, o sábado era mais importante do que o próprio homem. De acordo com o raciocínio desses cegos expositores da lei divina, o homem foi feito para o sábado. Os rabinos conduziam-se mecanicamente(a) durante o sábado fundamentados em severas e insensatas tradições destituídas de qualquer sentido, e isso ocasionou inúmeros atritos com os ensinos de Jesus.3

Deus não criou o homem no sexto dia porque precisava que alguém guardasse o sábado que seria instituído no sétimo dia. Mas o onisciente Criador sabia que o homem, a criatura de Suas mãos, precisaria de um dia especial para o seu crescimento moral e espiritual, que ele necessitaria de um tempo no qual os seus interesses e afãs diários fossem sobrepujados e subordinados por uma comunhão mais reservada e dedicada ao Criador. E o sétimo dia da semana foi escolhido por Deus para suprir essa necessidade. O sábado foi designado para o bem-estar da humanidade, não como um objeto de tradições de homens (Marcos 7:7-9).

Alguns na ânsia de se livrar a todo custo do sábado alegam que em Marcos 2:27, Cristo referia-se apenas aos judeus. Mas o próprio verso em questão pulveriza esse falso argumento ao utilizar a palavra "homem" que é traduzida do grego "anthropos"(b), e refere-se a homens, mulheres e crianças, isto é, inclui qualquer ser humano. E quando Marcos 2:27 é comparado com Isaías 56:2, nota-se que ambos comunicam o mesmo ensinamento: a instituição do sábado para o homem, sem distinção (cf. Isaías 56:6-8, Eclesiastes 12:16-14). Deve-se ressaltar ainda que o sábado foi originado na semana da criação, muito tempo antes da existência dos judeus.

Durante a Sua jornada na Terra, Jesus não manifestou nenhum desrespeito ao quarto mandamento(c). Ele nunca Se defendeu das acusações rabínicas afirmando que o sábado iria ser anulado por Seu intermédio. Ele conviveu com Seus discípulos ainda por 40 dias logo após a Sua ressurreição, antes de subir ao Céu, e nada foi dito sobre a anulação do sábado e tampouco a sua transferência para o domingo(d).

Reuniões sabáticas no Novo Testamento4
O Novo Testamento contém várias referências que demonstram o ensino e a prática da observância sabática na vida de Cristo e de Seus discípulos. Ao todo estão registradas 90 reuniões religiosas no sábado de acordo com o quarto mandamento. Adiante estas reuniões com seus respectivos comentários históricos.
"Então Ele desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e, no sábado, começou a ensinar o povo. Todos ficavam maravilhados com o Seu ensino, porque falava com autoridade. (...) E a Sua fama se espalhava por toda a região circunvizinha." (Lucas 4:31-37 NVI cf. Marcos 1:21).
Local e Data: Cafarnaum, 28 d.C.
Número de Reuniões: 01
Histórico: Cristo dedicava exclusivamente o sábado para ensinar as Escrituras e curar os enfermos. É inegável que nas horas sabáticas, Ele empregava o Seu tempo de forma preponderante para auxiliar o homem nas questões físicas e espirituais.
"Noutro sábado, Ele entrou na sinagoga e começou a ensinar; estava ali um homem cuja mão direita era atrofiada. Os fariseus e os mestres da lei estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso O observavam atentamente, para ver se Ele iria curá-lo no sábado." (Lucas 6:6-7 NVI cf. Mateus 12:9-14, Marcos 3:1-6).
Local e Data: Cafarnaum, 28 d.C.
Número de Reuniões: 01
Histórico: Cristo novamente, no sábado, ensinando as Escrituras e proporcionando a cura física ao homem. Além de transmitir o poder de Deus no sábado, Ele esclarece ao povo o que é lícito se fazer nesse dia, contrariando os ensinos dos fariseus. Os quatro Evangelhos sempre narram Jesus nas horas sabáticas ensinando a Palavra de Deus, auxiliando os deficientes físicos e restabelecendo a saúde espiritual; nunca é dito que Ele desempenhava qualquer atividade secular, como por exemplo o ofício de carpinteiro (Marcos 6:3).
"Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era Seu costume. E levantou-Se para ler." (Lucas 4:16 NVI).
Local e Data: Nazaré, 28 d.C.
Número de Reuniões: 01
Histórico: Cristo mais uma vez encontra-Se na casa de culto segundo o "Seu costume". Dentro do templo Ele leu e expôs a Palavra de Deus. Ele não foi com o objetivo de agradar os judeus, pelo contrário, os desagradou bastante ao Se revelar como o Messias. Isso proporcionou a Sua expulsão da sinagoga e quase O atiraram ao precipício; "veio para o que era Seu, mas os Seus não o receberam." (João 1:11 NVI cf. Isaías 53:3).
"Era o dia da Preparação, e estava para começar o sábado. As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, seguiram José, e viram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fora colocado nele. Em seguida, foram para casa e prepararam perfumes e especiarias aromáticas. E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento." (Lucas 23:54-56 NVI).
Local e Data: Jerusalém, 31 d.C.
Número de Reuniões: 01
Histórico: O "dia da Preparação" que a Bíblia refere-se é a sexta-feira e, aproximava-se o pôr do sol que precede o sábado. As santas mulheres seguidoras de Cristo, inclusive a Sua mãe, respeitosamente guardaram o sábado em "obediência ao mandamento" (cf. Êxodo 20:8-11; Isaías 58:13-14). Esse foi o primeiro sábado após a crucificação de Jesus, o primeiro sábado da nova aliança. Apesar do sofrimento inigualável, elas permaneceram fiéis ao mandamento da lei de Deus; obedeceram ao ensino do Messias recém crucificado (Mateus 5:17-19; Lucas 16:17 cf. Mateus 19:16-19). Esses acontecimentos ocorreram em 31 d.C., mas Lucas os registrou após 33 anos, em 64 d.C. Três décadas depois ele destaca essa observância sabática, e nenhuma palavra de advertência foi proferida, nada foi dito quanto a revogação do sábado pelo sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Não existe nada que favoreça a suposta mudança do sábado para o domingo(e).
"Quando Paulo e Barnabé estavam saindo da sinagoga, o povo os convidou a falar mais a respeito dessas coisas no sábado seguinte. Despedida a congregação, muitos dos judeus e estrangeiros piedosos convertidos ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Estes conversavam com eles, recomendando-lhes que continuassem na graça de Deus. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. Quando os judeus viram a multidão, ficaram cheios de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo estava dizendo." (Atos 13:42-45 NVI).
Local e Data: Antioquia, 45 d.C.
Número de Reuniões: 02
Histórico: O evangelho foi pregado em vários lugares, numerosas multidões ouviam a Palavra de Deus e cidades inteiras eram repreendidas e instruídas. O contraste entre as expressões "os judeus" e "quase toda a cidade", demonstra que havia muitos gentios na ocasião (verso 45). E é evidente que a sinagoga onde se celebrou a reunião no "sábado anterior" (verso 42) não podia conter, por motivo de espaço, a multidão reunida "no sábado seguinte" (verso 44). Isso obrigou os ouvintes a se acomodarem ao ar livre, enquanto os apóstolos falavam dentro da sinagoga. Essas duas reuniões sabáticas ocorreram 14 anos após a ressurreição de Jesus e nada é mencionado sobre qualquer mudança no dia de repouso instituído no sétimo dia da semana (Gênesis 2:1-3; Êxodo 20:8-11). Interessante observar também a recomendação de Paulo aos que aceitaram o evangelho: "continuem na graça de Deus" (verso 43); ou seja, as pessoas que aceitaram a mensagem do evangelho guardavam o sábado enquanto tinham a Cristo como o Messias, uma clara demonstração da harmonia entre a lei e a graça(f). Se houvesse algum conflito nesta questão os apóstolos prontamente os teriam instruídos e deixado algum registro para as futuras gerações da igreja.
"No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali." (Atos 16:13 NVI).
Local e Data: Filipos, 53 d.C.
Número de Reuniões: 01
Histórico: Paulo, Silas, Timóteo e Lucas estavam numa cidade desconhecida por eles. Permaneceram nela alguns dias e, quando chegou o sábado, buscaram uma sinagoga para realizar o culto a Deus, mas não encontraram. Então saíram da cidade a procura de um local ideal para estudar as Escrituras, louvar e orar. E foram informados da existência de um lugar na orla do rio onde podiam realizar sua reunião sabática, e os discípulos de Cristo foram ao seu encontro. Lídia, uma das mulheres que se encontrava ali, após ouvir o evangelho foi batizada (Atos 16:14-15). Os discípulos de Jesus demonstraram um excelente exemplo de obediência ao quarto mandamento da lei de Deus.
"Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga judaica. Segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos. E dizia: 'Este Jesus que lhes proclamo é o Cristo'." (Atos 17:1-3 NVI).
Local e Data: Tessalônica, 53 d.C.
Número de Reuniões: 03
Histórico: Tessalônica foi um ativo centro de comércio que atraiu um número significativo de judeus. Estes desfrutavam de liberdade religiosa e puderam construir seu próprio lugar de culto. No intervalo entre os sábados, Paulo trabalhava na produção de tendas, e o fato dele pregar três sábados consecutivos mostra o respeito que tinha pelo quarto mandamento e a responsabilidade que mantinha com o evangelho. Ele transmitia os ensinos de Cristo não "somente em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e em plena convicção" (I Tessalonicenses 1:5 NVI). E como resultado, não se salvaram somente judeus e prosélitos, mas muitos gentios rejeitaram seus ídolos e passaram a seguir a Deus. Assim como Paulo foi um imitador de Jesus quanto a observância sabática (Lucas 4:16 cf. Atos 17:2, I Coríntios 4:16), igualmente foram os cristãos de Tessalônica: "De fato, vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor" (I Tessalonicenses 1:6 NVI). Isso foi relatado 22 anos após a morte, ressurreição e ascensão de Cristo, e também neste caso não há registro de que os apóstolos guardaram o domingo, ou, que o sábado foi extinto.
"Depois disso Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto. Ali, encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com Priscila, sua mulher, pois Cláudio havia ordenado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo foi vê-los e, uma vez que tinham a mesma profissão, ficou morando e trabalhando com eles, pois eram fabricantes de tendas. Todos os sábados ele debatia na sinagoga, e convencia judeus e gregos. (...) Assim, Paulo ficou ali durante um ano e meio, ensinando-lhes a Palavra de Deus." (Atos 18:1-11 NVI).
Local e Data: Corinto, 54 d.C.
Número de Reuniões: 78
Histórico: Primeiramente estas informações devem ser consideradas: Paulo pregava aos judeus e gregos todos os sábados (verso 4), e permaneceu na cidade de Corinto um ano e seis meses (verso 11). Nesse período transcorreram 78 sábados e, em todos, Paulo se reservou exclusivamente para ensinar o evangelho. Ele trabalhava em fazer tendas mas, no sétimo dia da semana ausentava-se desta atividade, cumpria o quarto mandamento que lhe concede trabalhar de domingo a sexta e descansar no sábado, reservando-o para os propósitos de Deus. Com base nessas informações, já passaram 24 anos desde a ressurreição de Jesus e nada referente a mudança do dia de sábado ou algo sobre a sua abolição foi ensinada. Paulo, ao dialogar sobre as Escrituras com os judeus, não se envolveu em nenhum conflito com relação a observância sabática, e o mesmo ocorreu com os gentios. Observa-se que nessa época não existia dois dias de guarda, o sábado para os judeus e o domingo para os gentios; ao contrário, ambos os grupos tinham o sábado como o único dia santo reservado exclusivamente para a adoração à Deus, e encontravam-se juntos aprendendo sobre Ele. Não existe nenhum relato dos gentios se reunindo aos domingos à exemplo do que ocorria aos sábados. Ao longo de todo o Novo Testamento, não há nenhuma referência que demonstre Cristo e Seus discípulos contrariando o quarto mandamento, ou ensinando que os gentios estavam livres para transgredi-lo.

Vídeo relacionado: O Quarto Mandamento
a. Guardar o sábado não consiste essencialmente em abster-se de certos afazeres do cotidiano, agir dessa maneira é perder completamente o propósito da observância sabática e buscar justificação baseada em obras. Embora seja necessário o findar de certas atividades e assuntos nos diálogos aos sábados, isso não deve ser feito com o intuito de obter algum favor de Deus. O foco principal desses procedimentos dever ser reservar os pensamentos para conhecer a Deus, entender os Seus propósitos para a criação; a mente deve está voltada exclusivamente para as coisas divinas. Essa prática desenvolverá naturalmente e de forma mais acentuada o caráter fiel e justo que Deus requer; será alcançada a personalidade exigida por Sua lei. A capacidade para cooperar, para servir a Deus e ao próximo será desenvolvida a semelhança de Cristo. Guardar o sábado unicamente no aspecto de não fazer certas coisas, de maneira alguma é a observância sabática que Deus deseja. Cristo deixou o verdadeiro exemplo de santificação do sábado, e todo aquele que nEle se baseia, certamente receberá as bênçãos especiais reservadas no sétimo dia da semana (Isaías 56:2; Isaías 58:13-14).
b. Anthropos, substantivo grego que refere-se a: um ser humano (homem ou mulher); todos os indivíduos humanos. À exemplo de Marcos 2:27, o verso de Marcos 6:44 aplica o vocábulo "anthropos" com o mesmo significado.
1. Tiago 2:8-13 cf. I João 3:4, Lucas 16:17, Mateus 5:17-19.
2. Por exemplo: Êxodo 23:1-5; Levítico 18:6-24; Levítico 19:14-17; Levítico 19:28; Deuteronômio 18:10-12; Deuteronômio 22:5.
3. Marcos 2:23-24; Marcos 3:1-4; Lucas 13:10-17; João 5:1-18.
4. Baseado em: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., São Paulo: CPB, p. 187-188.

A Lei de Deus aos Romanos - II


"Pois em Deus não há parcialidade. Todo aquele que pecar sem a lei, sem a lei também perecerá, e todo aquele que pecar sob a lei, pela lei será julgado. Porque não são os que ouvem a lei que são justos aos olhos de Deus; mas os que obedecem à lei, estes serão declarados justos. De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os." (Romanos 2:11-16 NVI).
Imparcialidade divina
Deus não concederá privilégio a nenhum pecador durante o Seu julgamento. Haverá perfeita imparcialidade em cada litígio, cada caso será considerado em sua singularidade.1 Não importa a qual etnia, tribo e nação o indivíduo pertença; sua condição social, se ele é judeu ou gentio, todos serão julgados por suas obras e estas serão examinadas pelos princípios da lei.2
 
Paulo ao caracterizar o juízo, denunciou os judeus que desenvolveram com o tempo, a crença de que Deus fazia acepção de pessoas devido a eleição(a) deles como os Seus representantes e por ter livrado-os do perigo em várias ocasiões. Eles acreditavam ainda, que podiam condenar os crimes de outras nações enquanto a própria nação de Israel realizava as mesmas transgressões (Jeremias 7:8-10; Ezequiel 22:7-8 e 26); eles mantinham um conhecimento teórico e uma obediência formal da lei, e associaram este comportamento a salvação (cf. Atos 15:1).3 Enquanto eles conduziam suas vidas nessas circunstâncias, existiam não-judeus que eram zelosos pelos princípios da lei (Romanos 2:25-29). Os judeus tinham a lei como o centro da vida religiosa e Jesus condenou essa atitude. Ele tentou encaminhá-los naquilo que Deus realmente exigia, mas recusaram;4 e comportamento oposto era observado nos gentios a medida que recebiam o evangelho.5
 
Fé e obras avaliadas no tribunal celestial
No juízo, as obras realizadas em verdadeira obediência aos princípios da lei auxiliam o pecador arrependido a provar que foi submisso a vontade de Deus (Romanos 2:13; Ezequiel 33:12-16); elas ajudam a comprovar se a depositada em Cristo foi realmente sincera: "Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: 'Você tem fé; eu tenho obras.' Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras." (Tiago 2:17-18 NIV). Enquanto a fé em Jesus conduz à graça de Deus (ao perdão), as obras realizadas em harmonia com a lei revelam se o pecador abandonou sua antiga vida pecaminosa, se verdadeiramente aceitou a exigência: "Vai e não peques mais." (João 8:11 cf. I João 3:4). E Tiago colabora com esse ensino fazendo o seguinte alerta:
"Porquanto, Aquele que disse: 'Não adulterarás', também ordenou: 'Não matarás'. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade." (Tiago 2:11-12 RA cf. Tiago 1:25, Êxodo 20:3-17).
Paulo comparou duas situações que são avaliadas no juízo: daqueles que conhecem a vontade de Deus mas não estão dispostos a obedecê-la, com aqueles que não somente conhecem a vontade de Deus mas Lhe rendem obediência sincera. E esta obediência desenvolve-se unicamente com a fé alicerçada no amor (Mateus 22:36-40; Romanos 13:8-10), requisito que muitos judeus não desenvolveram (Mateus 23:23; Gálatas 5:6; I Timóteo 1:5). O verso de Romanos 2:13 destaca que os homens são julgados não pelo que pretendem conhecer ou professam ser, mas, pelo que fazem. No juízo celestial são analisados os reais motivos que conduziram as atitudes de cada indivíduo (Romanos 2:5-8; Hebreus 4:12-13).
 
A prática natural da lei
Deus avalia cada indivíduo de acordo com as oportunidades que teve de conhecer e desenvolver sua obediência à lei. Paulo especifica que os judeus são avaliados pelo conhecimento da lei que obtiveram diretamente de manuscritos (a lei na sua forma escrita), e que deveriam ter repassado as demais nações. Os gentios são analisados pelo conhecimento da lei presente na consciência (a lei na sua forma não escrita, Romanos 2:14-15). Contudo, ambos os grupos são conduzidos ao julgamento independente da forma que conheceram a vontade de Deus, pois todos possuem pecados e estão sob condenação (Romanos 3:9-12); e não existe justificativa para os seus erros:
"Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, Seu eterno poder e Sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se." (Romanos 1:18-21 NVI cf. Gênesis 6:5-6).
O salmista Davi confirma estas palavras dizendo: "Visto que não consideram os feitos do Senhor, nem as obras de Suas mãos, Ele os arrasará e jamais os deixará reerguer-se." (Salmos 28:5 NVI cf. Salmos 19:1, Isaías 5:11-12).
 
A expressão, "sem lei" em Romanos 2:12, refere-se àqueles que não tiveram a lei revelada na sua forma escrita mas a tinham implantada na consciência (praticaram naturalmente o que a lei ordena, Romanos 2:14). O Espírito Santo, com o auxílio das obras de Deus, nunca deixou a consciência do homem totalmente a mercê de sua pecaminosidade, Ele sempre procurou direcionar os seus pensamentos aos princípios da lei (Isaías 30:21; João 14:25-26; Romanos 8:5-9). E assim como na antiga aliança ela foi consolidada na "mente e coração" daqueles que aceitaram obedecer a Deus, isso ocorre na nova aliança:
"Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as Minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos Me conhecerão, desde o menor deles até ao maior." (Hebreus 8:10-11 RA cf. Jeremias 31:31-34, Isaías 8:16).
"O Espírito Santo também nos testifica a este respeito. Primeiro Ele diz: 'Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as Minhas leis em seu coração e as escreverei em sua mente'; e acrescenta: 'Dos seus pecados e iniquidades não Me lembrarei mais'. (...) aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência (...)" (Hebreus 10:15-22 RA cf. I Timóteo 4:1-2).
O julgamento de Deus avalia as ocasiões, os esclarecimento, as revelações, enfim, cada ajuda concedida ao pecador e os respectivos resultados desenvolvidos. E "mesmo que você diga: 'Não sabíamos o que estava acontecendo!' Não o perceberia Aquele que pesa os corações? Não o saberia Aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá Ele a cada um segundo o seu procedimento?" (Provérbios 24:12 NVI cf. Hebreus 4:12-13).
 
Os gentios que reconheceram a revelação de Deus nas obras da criação e responderam ao impulso divinamente implantado de fazer o bem, fizeram "por natureza" as coisas contidas na lei(b) (cf. Romanos 2:29). E Paulo refere-se especificamente a lei Moral(c) que retém exclusivamente os Dez Mandamentos, pois era impossível aos gentios cumprir "por natureza" as várias regras e cerimônias determinadas na lei de Moisés(d); porém, podiam cumprir "por natureza", com o auxílio do Espírito Santo, os princípios contidos nos mandamentos da lei de Deus (Decálogo).
 
"A cada um segundo as suas obras"
Os que tiveram o privilégio de conhecer a lei de Deus em sua totalidade (através de manuscritos, na sua forma escrita) e, no entanto, pecaram espontaneamente contra uma expressão tão clara da vontade de Deus, devem receber um castigo maior em relação àqueles que tiveram menos instrução. A severidade do castigo é proporcional a culpa, e o nível da culpa corresponde às oportunidades. Não deve haver confusão entre a imparcialidade no julgamento com os diferentes níveis de punição.6
 
O juízo de Deus sobrevirá a todos e devidamente regulamentado pela Sua lei, mas o rigor punitivo de maior intensidade recairá sobre aqueles que escolheram transgredi-la mesmo sendo conhecedores de seus ensinos. Ambos os grupos de pecadores impenitentes (judeus e gentios) serão condenados e perecerão por seus pecados não confessados e não perdoados (Romanos 6:23; I João 2:1-4; Isaías 8:20). Pois pecado sempre foi e sempre será a transgressão da lei de Deus, independente de qualquer condição apresentada.7 A misericórdia descrita em Tiago 2:13 não será exercida nestes casos, mas naqueles onde a fé em Jesus se fez presente e o pecador verdadeiramente se arrependeu e buscou segui-Lo.
 
Isso pode ser exemplificado através da atitude do jovem rico que conhecia a lei mas não praticava seus ensinos e preferiu recusar o convite de Jesus, o que consequentemente impossibilitou-o de obedecer a lei e anulou a misericórdia que o livraria da punição pelos seus pecados (Mateus 19:16-22). Exemplo oposto encontra-se no comportamento do ex-criminoso crucificado ao lado de Jesus; independente dos motivos que o conduzira a estar ali, ele reconheceu sua condição pecaminosa, se arrependeu e decidiu a partir daquele momento não abandonar a Cristo; sua fé, firme e santa, tinha um único objetivo, ter a Jesus como Mestre e Salvador (Lucas 23:35-43). Neste caso, a misericórdia de Deus se fez presente, "a graça transbordou" para salvar aquele pecador sinceramente arrependido (Romanos 5:20-21; II Coríntios 7:10).
 
Considerações Finais
O homem tem a capacidade de julgar seus pensamentos, palavras e ações. No entanto, a consciência desprovida da orientação divina pode ser demasiadamente vacilante (I Coríntios 8:7), ou pode estar "cauterizada" no erro por ter sido submetida a intensos conceitos e praticas maléficas (I Timóteo 4:2); ou, inversamente, pode está esclarecida por um conhecimento amplo da verdade (II Coríntios 1:12), e atua de acordo com a luz que recebeu. Esses fatos são os que realmente revelam o caráter. Paulo esclarece que a atuação da consciência dos gentios era uma evidência de que eles tinham algum conceito da vontade de Deus expressa em Sua lei (Romanos 2:14-15), apesar de não terem tido as oportunidades de conhecê-la como os judeus tiveram (Romanos 2:17-18).
 
Deus tem um registro exato de cada ato explícito ou secreto do pecador (Daniel 7:9-10; I Coríntios 4:5; Apocalipse 20:12); portanto Ele pode julgar sem fazer acepção de pessoas. O principal ensino de Romanos capítulo 2 está no verso 16. Ele apresenta o judeu favorecido com a revelação da lei, e que se sentia inclinado a menosprezar ao gentio, julgando-o indigno de salvação. Mas unicamente Deus, que pode ler o íntimo da vida, anunciará o veredito.
 
A disposição guiada pelo amor, a prontidão para obedecer a Deus mediante a consciência orientada pelo Espírito Santo (cf. João 14:26, Hebreus 10:15-16), são coisas que só Deus pode conhecer plenamente. As coisas essenciais que realmente constituem a observância da lei são as qualidades de caráter que Deus espera de judeus e gentios, e no juízo são rigorosamente avaliadas(e).
 

a. Esta eleição (escolha) não foi imposta pois os israelitas na ocasião tiveram a opção de negá-la (Êxodo 19:1-8).
1. Deuteronômio 10:17-18; II Crônicas 19:7; Jó 34:10-19; Romanos 3:28-31.
2. Eclesiastes 12:13-14; Isaías 24:4-6; Mateus 16:27; Tiago 2:8-13.
3. Isaías 1:4; Ezequiel 22:7-8 e 26; Daniel 9:11; Romanos 2:1-3; Romanos 2:17-24.
4. João 5:39-45 cf. Isaías 53:1-3; Jeremias 6:16, Romanos 9:30-33.
5. Atos 10:45-47; Atos 11:1; Atos 13:46-48; Atos 15:3.
6. Ezequiel 5:27; Mateus 11:21-24; Mateus 12:41-42; Lucas 12:45-48.
7. Isaías 24:4-6; I João 3:4; Romanos 5:12-13; Romanos 7:7.